Zines, Fotolivros e outras Histórias

Workshop com Isadora e Martina Brant


As irmãs Isadora e Martina Brant, idealizadoras da editora Vibrant, começaram o workshop contando um pouco da proposta da editora que a princípio tinha como objetivo escoar seus próprios trabalhos de fotografia e design.

Ao mostrarem diversos exemplos de fotolivros, zines e outras publicações, destacaram algumas observações sobre os projetos de livros:

  • Geralmente encontramos dois tipos de projetos, os que as fotos já são pensadas para criar um livro, e os que a partir de um ensaio fotográfico, são editados e formatados como livro. O segundo caso é a proposta desse workshop, de criar nesses 3 dias um publicação coletiva, a partir de fragmentos dos trabalhos dos participantes.
  • É sempre bom ter um corpo grande de trabalho para permitir mais possibilidades dentro da edição.
  • As escolhas gráficas tem que estar alinhadas com o conteúdo do trabalho, e geralmente são pensadas em um trabalho conjunto com o fotógrafo/autor.

Falando um pouco sobre o conceito de zines, publicações pelas quais ficaram mais conhecidas, destacam o caráter mais artesanal e independente no sentido de buscar formas de montagem e impressão mais simples e artesanais. Enquanto os "fotolivros" seriam mais trabalhados envolvendo mais profissionais e processos. E frisou que a limitação acaba virando recurso criativo na criação de peças únicas.

Já sobre o formato livro como forma de exposição do trabalho fotográfico destacam que é uma mídia "que cabe muita coisa". E que também sente que o livro ganha força novamente devido a percepção de que a tecnologia não supre todas as necessidades humanas, sobretudo as sensoriais.

No fim do primeiro dia, a convidada Bia Bittencourt, idealizadora da feira plana, contou um pouco sobre sua trajetória como artista, e como chegou a ideia da feira.

"No começo fazia os tradicionais zines punks, de protesto. Depois passei a produzir livretos para me corresponder com uma rede de pessoas no mundo todo que trocavam materiais dessse tipo. [...] Comecei a participar de algumas feiras de livro de autor em São Paulo, como a Tijuana da galeria vermelho, até que fui para a New York art book fair. Voltei atordoada com a quantidade de publicações diferentes entre zines, livros de artista, fotolivros, etc. e quis muito fazer um encontro desses aqui no Brasil." Bia Bittencourt.

Bia também disse que no início a ideia era abrir uma convocatória e com isso fazer um mapeamento dos produtores/publicadores, mas hoje vê que é uma missão impossível pela dimensão que esse universo tomou.

Sobre a evolução da feira disse que fez a primeira pra poder vender os próprios livros, na segunda passou a conhecer outros produtores e a comprar muitos livros, e a terceira e primeira temática fez porque queria fazer um livro de fotografia.

E antes de encerrar o primeiro dia Isadora a questiona sobre qual o limite do independente nesse mundo das publicações.

"Acho que faz sentido porque agente faz todo o processo, fotografa, edita, monta, imprime, vende e também somos consumidores compradores. No fim é um ciclo bem maluco. Mas eu nunca entendi porque na arte agente para na produção e espera a galeria nos chamar. Então talvez independente é o caráter político de criar o próprio circuito, e fugir dessa ansiedade que a espera de ser descoberto pelo mercado gera nos autores/artistas." Bia Bittencourt.

No segundo dia, começamos com exercícios práticos de dobra e costura de zines feitos com folhas sulfite, enquanto os materiais fotográficos dos alunos iam sendo impressos.

Na sequência foram escolhidas duas fotos de cada participante para entrar no primeiro fluxo da edição coletiva.

Na parede as fotos iam sendo agrupadas, e desagrupadas para criar um sentido que pudesse ser compreendido.

Durante o exercício "técnicas de edição" eram sendo comentadas como a do "Céu, inferno e purgatório" ou até mesmo a divisão e confronto das fotos como em um campeonato de futebol.

Nesse processo Isadora comenta que não existe foto boa nem ruim, mas sim as que fazem ou não parte de um contexto que vai se criando na edição. E com isso os alunos vão praticando o desapego de suas próprias fotos em busca do conjunto significativo para o grupo.


No terceiro dia o processo de edição se compromete ainda mais com a produção da narrativa, e as fotos vão sendo analisadas como signos que representam início, continuidade, pausa ou fim, para dar ritmo a história que vai sendo criada.

Nesse momento uma das participantes introduz pequenos poemas de sua autoria, dos quais também surge o título do trabalho.

Depois de muita mudança de fotos ao longo das paredes, chegam a uma solução de quantidade e sequência para ser levada de volta ao computador e trabalhada no software de layout.

Esse processo complementa a edição e cada foto ou dupla de fotos vai sendo pensada para criar uma harmonia coerente na forma como são dispostas pelas páginas.

Para finalizar, é feita uma nova impressão e as páginas são coladas e costuradas para chegar ao "boneco" final.

Os participantes e as convidadas seguirão em contato para tentar viabilizar a impressão e acabamento da publicação em uma pequena tiragem.


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