UX Talk Made in Minas apresenta a mini-entrevista com Guilherme Marques.

1- Hoje você trabalha no Rio mas antes, em Belo Horizonte. Que diferenças você vê entre o mercado nacional e o Mineiro?

Em geral, não temos grandes diferenças na forma de trabalhar ou na qualidade do que é feito pelos profissionais de UX. O que destoa muito é o tempo investido nos projetos. Muitas vezes, trabalhando em agências digitais, não temos a oportunidade de encontrar mais de uma hipótese e coloca-las à prova, realizando testes em profundidade devido ao prazo dos projetos. Esta limitação do prazo, pode comprometer a durabilidade do produto ou serviço projetado.

2- Como deve se preparar o UX (profissional) que quer trabalhar fora de Minas?

Da mesma forma para trabalhar em Minas :)

Tirando o domínio do idioma para trabalhar no exterior, a preparação deve ser dar na formação, seja esta formal ou autodidata. Atualmente, já temos algumas dezenas de livros e cursos relevantes de UX no Brasil, este deveria ser o primeiro passo para qualquer profissional interessado em atuar no mercado de design. Aproveitando que falei de livros, seguem meus preferidos:

Card Sorting — Donna Spencer

Design Para a Internet — Felipe Memória

Don’t Make Me Think: A Common Sense Approach to Web Usability

Emotional Design: Why We Love (or Hate) Everyday Things

Ergonomia e Usabilidade: Conhecimentos, Métodos e Aplicações — Cybis, Walter

Information Architecture for the World Wide Web: Designing Large-Scale Web Sites

Interaction Design: Beyond Human-Computer Interaction

Introdução e Boas Práticas em UX Design — Fabrício Teixeira

Mental Models: Aligning Design Strategy with Human Behavior

The Design of Everyday Things

The Elements of User Experience: User-Centered Design for the Web

The Laws of Simplicity: Design, Technology, Business, Life

Web Form Design: Filling in the Blanks

3- Você foi eleito pela comunidade como um dentre os 5 melhores de UX de 2015, e “sua humildade e seu espírito colaborativo” foram destacados. O que você julga necessário para um UX saber, além das questões de UX?

Em minha trajetória profissional, tive a oportunidade de trabalhar com muita gente boa de serviço. Este reconhecimento deve ser visto coletivamente, pessoas incríveis trabalhando juntas na busca incansável em fazer o melhor.

Entenda as pessoas. Você pode ter o hardware mais avançando, devices incríveis, plugins saltitantes, mas, nada vai adiantar se você não levantar da sua cadeira e ir conversar com as pessoas. Na minha opinião, não existe nada melhor do que uma boa conversa.

4- Sua trajetória profissional começou em 99 e nesse tempo, muita coisa mudou. Que dicas você daria para os UX quanto ao futuro?

Neste período o nome do que fazemos já mudou diversas vezes, contudo, a essência não. Existe uma definição de UX da Whitney Hess que gosto muito, ela afirma que a maioria das pessoas acredita que User Experience é somente encontrar a melhor solução para os seus usuários — mas não é. UX trata sobre definir o problema que precisa ser resolvido (o porquê), definir para quem esse problema precisa ser resolvido (o quem), e definir o caminho que deve ser percorrido para resolvê-lo (o como).

Como dica, recomendo que antes de colocar a mão na massa e aplicar qualquer método, saiba realmente para quem está trabalhando, conheça profundamente seu cliente, saiba exatamente qual ou quais problemas precisam ser resolvidos.

Conheça a fundo os produtos e serviços da empresa, descubra qual é o maior problema atual, entenda as limitações do negócio, saiba onde a empresa quer estar daqui a 5, 8, 10 anos.

Defina como o produto que você está prestes a desenvolver vai ajudar na gestão estratégica da empresa. Utilize o produto ou serviço da empresa (compre / use de fato).

Perceba que entender o negócio do cliente a fundo é fundamental. Isso te poupará muito tempo na utilização de métodos e criação de relatórios, além de evitar o constrangimento de ser questionado por algo básico nas reuniões de entrega.