Sobre o enxergar
Alguns valores da nossa sociedade pós-moderna
Percebam que o pós-modernismo extinguiu o conceito do absurdo. Tudo é aceito como apenas ‘normal’. E isto não é uma crítica, é uma constatação. Vejam:
Os valores tidos moralmente por ‘certos e ‘errados’ tornaram-se em um só. O engraçado é que, em contraponto, acreditar na existência de qualquer maniqueísmo é: errado e anormal.
(Maniqueísmo enquanto consciência subjetiva do correto e do errado, por exemplo)
Ué, mas como usamos o maniqueísmo para abolir o maniqueísmo?…
Percebam agora que somos livres pensadores desde que concordem suficientemente conosco. Percebam a existência desse silêncio que nos consome: aqui, se você ganha likes e RTs, significa para você que “Yes, estão concordando comigo, portanto estou sendo parte da galera”. Se você não ganha tantos likes, se seu livro não vendeu tanto, se sua banda não é a mais bonita da cidade, fique bem quietinho no seu canto, não temos espaço para você.
Agora concordemos com o resultado, sim?: massa. Massa. Massa social de manobra.
Sabemos que o ser humano nunca gostou muito do diferente e daquele que se destaca.
Até na Biologia Evolutiva o indivíduo diferente vence a maioria por ter nascido como nasceu. É simples entender o porquê do repúdio.
A questão é saber o que fazer com a coragem. É preciso coragem para não ter medo de ser aquilo que os outros não aceitam.
Não ter medo de ser o que os outros não aceitam porque têm medo de ser.
Odiar o Funk é fácil quando a maioria também odeia.
Mas este texto não foi sobre o Funk,
este texto é sobre enxergar.