Hiragana

Kana I

O kanji passou a ser usado ​​para escrever palavras japonesas, dando origem ao sistema que, mais tarde, será chamado de Man’yōgana e data, provavelmente, do início do século V. O nome Man’yōgana vem de Man’yōshū, a mais antiga coleção de poemas japoneses, compilada durante o Período Nara (710–794). Acredita-se que os caracteres que compunham o Man’yōgana foram colhidos nesses poemas.

A principal característica do Man’yōgana é que ele utilizava os kanji pelo seu valor fonético, em vez de por seu significado, isto é, kanji eram escolhidos de acordo apenas com sua pronúncia para representar determinado som da língua japonesa. Sendo assim, praticamente, formava-se um silabário (kana) com os kanji. Um mesmo som podia ser representado por inúmeros kanji, e, na prática, os escritores elegiam aquele com significado mais adequado.

Com o decorrer do tempo, o Man’yōgana foi evoluindo e dando origem aos silabários katakana e hiragana. As formas do hiragana originam-se do estilo cursivo da caligrafia chinesa. A figura abaixo mostra a origem do hiragana a partir do estilo cursivo do Man’yōgana. Observe:

A parte de cima mostra o caractere em seu formato regular, a do meio (em vermelho) mostra a forma cursiva e a parte de baixo mostra o respectivo hiragana.

Dado que, como mencionamos, vários kanji podiam ter o mesmo som, houve casos em que um caractere Man’yōgana originou um fonema do hiragana, mas o seu equivalente katakana evoluiu de um kanji Man’yōgana diferente. Por exemplo, o hiragana る se desenvolveu a partir do kanji 留, a medida que o katakana ル procedeu do Man’yōgana 流.

Algumas teorias apontam que o kana foi inventado por um monge budista chamado Kūkai no século IX. Kūkai certamente introduziu a escrita Siddham em seu retorno da China em 806, e o seu interesse nos aspectos sagrados da fala e da escrita levou-o a concluir que a língua japonesa seria melhor representada através de um alfabeto fonético em vez dos kanji utilizados até então. O atual Kanamoji (conjunto de kana) foi codificado em 1900 e as regras para o uso, em 1946.

Quando o hiragana foi desenvolvido, em um primeiro momento, não foi aceito por todos, pois muitos consideravam que a língua culta ainda se restringia ao chinês. Historicamente, no Japão, a forma regular de escrita dos caracteres (kaisho) era usada pelos homens e chamada de otokode, enquanto que o estilo cursivo (sōsho) era usado pelas mulheres. Por esta razão, o hiragana se popularizou primeiro entre as mulheres, visto que, geralmente, não era permitido a elas o acesso aos mesmos níveis de educação dos homens. Disso veio a alternativa que ficou conhecida como onnade. Por exemplo, em Genji Monogatari e outros romances mais recentes à época cujos autores eram do sexo feminino, o hiragana foi usado extensivamente ou exclusivamente.

Autores do sexo masculino chegaram a escrever literatura com hiragana, que por algum tempo foi usado para a escrita não-oficial, tais como cartas pessoais, enquanto o katakana e chinês foram usados ​​para documentos oficiais. Katakana, cujo uso, atualmente, restringe-se a escrita de palavras recentemente emprestadas (ou seja, desde o século XIX), de nomes transliterados, de nomes de animais e de telegramas ou, ainda, ao uso de ênfase.

Conhecendo o alfabeto

O hiragana (平仮名) é o alfabeto básico da língua japonesa e representa todos os seus sons. Portanto, teoricamente, você pode escrever tudo em hiragana. No entanto, como a escrita japonesa é feita sem nenhum espaço entre as palavras, isto irá criar praticamente um texto indecifrável. Abaixo, segue uma ilustração com os fonemas e os respectivos sons transcritos em rōmaji. Note que, diferentemente da língua portuguesa, a ordem das vogais em japonês se dá no padrão a, i, u, e, o.

A, i, u, e, o.
Ka, ki, ku, ke, ko.
Sa, shi (se pronuncia xi), su, se, so.
Ta, chi (se pronuncia ti), tsu (se pronuncia rapidamente e não é tisu), te, to.
Na, ni, nu, ne, no.
Ha, hi, fu (som intermediário entre hu), he, ho. *Todos têm som aspirado, como palavras inglesas, house e help são exemplos.
Ma, mi, mu, me, mo.
Ya, yu, yo.
Ra, ri, ru, re, ro. *Todos têm som aportuguesado, como nas palavras ouro e aura.
Wa (se pronuncia uá), wi (se pronuncia uí), n (indica nasalação), we (se pronuncia uê) e wo (mesmo tendo w, só pronunciamos o). *Caracteres nos cards brancos são obsoletos, ou seja, não são usados.

Sons modificados

Uma vez que você memorizou todos os caracteres do hiragana, você acabou de aprender o alfabeto, mas não todos os sons. Há mais cinco sons consonantais que são possíveis de se obter de dois modos:

  1. Colocando-se duas linhas pequenas (゛), parecidas com as aspas no canto superior direito de alguns fonemas. Tais linhas são chamadas de 濁点;
  2. Colocando-se um pequeno círculo (゜) no canto superior direito de alguns fonemas. Tal sinal é chamado de 半濁点.

Isto essencialmente cria um som modificado da consoante — tecnicamente chamada uma consoante sonora ou 濁り.

Todas as possíveis combinações dos sons modificados são dadas abaixo:

Ga, gi, gu, ge, go.
Za, ji (se pronuncia di), dzu, ze, zo.
Da, ji também, dzu, de, do.
Ba, bi, bu, be, bo.
Pa, pi, pu, pe, po.

NOTAS

  1. Os caracteres ぢ e づ têm a mesma pronúncia que じ e ず, respectivamente. Porém, じ e ず são usados com maior frequência;
  2. Na transcrição para o rōmaji, づ é escrito dzu e não zu. Com relação aos caracteres ぢ e じ, a escrita permanece a mesma, ou seja, ji.

Dígrafos

É possível também combinar alguns fonemas com um som ya, yu, yo. Colocando do seu lado direito um pequeno や, ゆ ou よ. Tal fenômeno é chamado 拗音:

Kya, kyu, kyo.
Sha, shu, sho.
Cha, chu, cho.
Nya, nyu, nyo.
Hya, hyu, hyo.
Mya, myu, myo.
Rya, ryu, ryo.
Gya, gyu, gyo.
Jya, jyu, jyo.
Jya, jyu, jyo. *Dígrafos com ぢ.
Bya, byu, byo.
Pya, pyu, pyo.

NOTA

  1. Em alguns casos é possível que se encontre combinações como ぢゃ, ぢゅ e ぢょ. Porém, nunca são usadas; no lugar, é sempre usado じゃ, じゅ e じょ.

つ pequeno

O fonema つ nem sempre deve ser lido como tsu; em certas palavras ele aparece entre dois caracteres e menor do que eles. Nestes casos, é chamado de 促音.

Observe o exemplo abaixo:

さっか = escritor

Note que つ aparece entre os fonemas さ e か, mas em tamanho menor. Quando isso ocorrer, ele não deve ser pronunciado. O つ pequeno tem como principal finalidade representar uma pausa antes da pronúncia do fonema que o sucede. Na prática, é basicamente a pausa que se faz “já com a língua no céu da boca” antes de seguir para uma nova sílaba.

Na transcrição para o rōmaji, o 促音 é representado pela duplicação da consoante da sílaba que o precede — por isso também é conhecido como consoante germinada. Observe alguns exemplos:

さっか — deve ser romanizado sakka e não satsuka, pois o fonema que precede o 促音 é ka, logo, a consoante k será duplicada.

NOTAS

  1. Preste atenção na pronúncia de palavras nas quais o 促音 está presente, pois isto pode alterar o significado de palavras aparentemente iguais. Por exemplo, もと e もっと possuem significados diferentes;
  2. Certifique-se que você está fazendo esta parada com a consoante certa (a consoante do segundo caractere);
  3. Note que o 促音 indica também que uma sentença termina abruptamente, funcionando como um ponto de exclamação. Por exemplo, だまれっ.

Vogal prolongada

A vogal prolongada consiste no prolongamento de um som vocálico. Portanto, basta colocar あ, い ou う dependendo do caractere que será prolongado. 長音 é o nome desse prolongamento. Observe a tabela a seguir:

  • Sílabas terminadas em あ são prolongados com あ;
  • Sílabas terminadas em い e え são prolongados com い;
  • Sílabas terminadas em う e お são prolongados com う;

NOTAS

  1. Por razões históricas, há um número pequeno de palavras em que o prolongamento de fonemas se dá através da adição de え e não い → お姉さん;
  2. Da mesma forma há também um pequeno número de palavras em que o prolongamento de fonemas se dá pela adição de お e não う → 十.
É importante você se certificar que a vogal é prolongada o suficiente porque você pode estar dizendo coisas como ここ em vez de 高校 ou 伯母さん em vez de お祖母さん se você não esticar corretamente!
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