Kanji #2

Aspectos sobre formação

Para compreendermos a origem do hiragana e do katakana (conhecidos conjuntamente como kana), precisamos voltar no tempo e entendermos o que são kanji. Os kanji são um meio de representar diferentes conceitos materiais e abstratos através de figuras.

Existem várias teorias sobre a forma como os kanji foram desenvolvidos, mas nenhuma é dada como certa. Uma dessas teorias nos diz que, há cerca de 5.000 a 6.000 anos, um historiador chinês chamado Ts’ang Chieh teve a ideia de criar um modo de expressar graficamente as coisas, inspirado pelas pegadas de aves em um campo de neve. Outra teoria diz que os kanji foram criados quando Fu Hsi, um dos três imperadores da época, substituiu o até então existente “método das cordas” pelo “método de caracteres”. Ambas as teorias, entretanto, podem ser consideradas mais mitos do que fatos históricos confiáveis​​. O fato confiável é que os caracteres mais antigos são os que foram introduzidos durante os dias do vigésimo segundo imperador da Dinastia Shang (Yin) (1.700 a.C.- 1.100 a.C.) e tratavam-se de inscrições em ossos de animais e carapaças de tartaruga.

Estilos de caligrafia: 甲骨文, 金文, 大篆書, 小篆書, 楷書.

Obviamente, a forma dos ideogramas sofreu alterações ao longo do tempo. No início, eram figuras mais ou menos realistas e com seu uso foram sendo simplificadas. Foi então, durante a Dinastia Han (206 a.C. — 211 d.C.), que ocorreu a padronização dos ideogramas, fato que deu ao conjunto de caracteres o nome da dinastia vigente. A escrita chinesa passou então a ser conhecida como a letra da Dinastia Han.

Obviamente, os kanji não se limitavam a representar conceitos graficamente, mas também, a eles, eram atribuídas a pronúncia da respectiva palavra que representava o significado proposto pelo caractere. Então, podemos dizer que o sistema de kanji une representação gráfica e som de um conceito. Veja a figura abaixo:

Até o século IV, o japonês era um idioma apenas falado e não possuía qualquer forma de expressão escrita. Então, aquele sistema de ideogramas que fora padronizado pouco antes na China foi introduzido no Japão por meio de escritos trazidos por monges budistas através da península coreana, ficando conhecido como kanji. No começo, somente algumas pessoas cultas eram capazes de ler aqueles ideogramas e tudo o que liam se restringia a tratados do budismo e da filosofia. Pouco depois, devido à forte relação comercial existente entre os dois países, um conselho chamado Fuhito foi criado pela monarquia japonesa com a tarefa de aprender a língua chinesa para que pudessem ler os documentos chineses. Somente no século VI, com o incentivo à difusão do budismo pelo príncipe Shotoku, filho da Imperatriz Suiko, o conhecimento do kanji se espalhou pelo país. O sábio coreano Wang I ensinou os kanji pelo Japão.

Tenha em mente que um ideograma é algo lógico e não rabiscos aleatórios como muitos podem pensar.

O estudo da etimologia dos kanji já é bem antigo. De fato, o primeiro dicionário chinês e o mais primitivo texto a estudar a origem pictórica dos caracteres chineses é o 説文解字 e foi escrito no século II d.C. Este dicionário estudou a origem pictográfica dos kanji, classificando-os em 6 categorias, conhecidas como 六書.

Tipos de kanji

Pictográficos (象形文字) têm sua forma semelhante àquilo que representam e são os mais primitivos, tendo origem nas figuras de objetos ou fenômenos. Consequentemente, muitos desses caracteres são substantivos e frequentemente são usados como componentes para ideogramas mais complexos:

Ideográficos (指事文字) são derivados da primeira categoria e usam linhas para expressar conceitos abstratos que não possuem forma em especial:

Ideográficos compostos (会意文字) são formados através da combinação de kanji pictográficos ou ideográficos, a fim de apresentar uma nova e simples ideia. Os caracteres que são combinados contribuem para a montagem de seu significado final:

Fonético-ideográficos (形声文字) são também combinações de dois ou mais caracteres simples que apresentam um novo significado. Mas diferentemente da categoria anterior, um componente é relacionado ao significado do novo caractere formado, e o outro dá a pronúncia (original chinesa). Os ideogramas desta categoria são os mais complexos, envolvendo desde os caracteres mais primitivos (relacionados ao significado apenas) até os que são organizados tanto por sua fonética como por seu significado:

Caracteres derivados (転注文字) são kanji cuja pronúncia ou significado foi alterado por empréstimo de um kanji que representa outro som ou ideia, dando origem a outro caractere — ou seja, modifica-se um kanji para originar outro — para expressar coisas semelhantes ou de mesma natureza;

Caracteres emprestados (仮借文字) são kanji que foram usados para representar outra palavra, sem relação alguma com a que originalmente ele designava, somente por causa de pronúncia igual ou um sentido antigo que se perdeu completamente. Por exemplo, o caractere 自 (zì) originalmente era usado para “nariz” e passou a ser empregado também para a expressão “si próprio”, pois esta tem a mesma pronúncia. Atualmente, este é o único significado que ele possui. Outros exemplos incluem 四, 北, 要, 少 e 永, que originalmente representavam “muco”, “costas”, “cintura”, “areia”, e “nadar”, respectivamente, mas passaram a ser usados para expressar “quatro”, “norte”, “necessitar”, “pouco” e “eternidade”.

Radicais

Dos primeiros pictogramas, foram selecionados 214 para que fossem usados como radicais para outros caracteres. Radical (部首) é um elemento de um kanji. Todo kanji possui radical ou, no caso de kanji mais simples, funcionam como radical para os kanji mais complexos. Sua finalidade é expressar a natureza geral do caractere, isto é, o componente que dá uma pista sobre a origem, grupo, significado ou pronúncia. Por isso, em muitos dicionários de kanji, os ideogramas são organizados por radical.

O sistema de radical Kangxi é um conjunto de radicais que são usados para classificar todos os kanji usados na língua japonesa. Muitos dicionários de ideogramas são organizados por este sistema:

Os radicais são divididos em sete grupos, de acordo com a sua posição no conjunto. Vejamos esses grupos e alguns exemplos:

偏 — 氵(水)
旁 — 刂(刀)
冠 — 艹 (艸)
脚 — 心 em 恋
垂 — 厂 em 原
繞— 廴 em 建
構— 門 em 開

Podemos também ter outras variantes da posição kamae que são:

Radicais modificados

Os radicais nem sempre têm a mesma aparência em todas as situações. Há radicais que tomam diferentes formas ao assumirem posições diferentes no kanji. Aqui estão todas as variações de radicais:

⺄, 乚

亻, 𠆢

⺌, ⺍

川 巜

忄, ⺗

扌, 龵

母, ⺟

氺 ,氵,灬

牜, ⺧

玊, 王, ⺩

罒, ⺲, 罓 e ⺳

⺶, ⺷

西, 覀

辶, ⻌, ⻍

阝 ,⻏, ⻖

𠘨

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