Katakana

Kana II

Como vimos na lição anterior, o kana originou-se a partir de kanji que eram usados foneticamente, apenas. Entretanto, diferentemente do hiragana que, foi desenvolvido a partir do estilo cursivo do Man’yōgana, o katakana originou-se de partes dos ideogramas. A tabela a seguir mostra o kanji que deu origem a cada katakana:

A criação do katakana foi um resultado da necessidade de se ter um sistema simples com o qual os monges aprendizes pudessem transcrever e memorizar as sílabas de seus sutras. De fato, este conjunto altamente modificado de caracteres fez com que o processo de transcrição de sutras se tornasse menos tedioso. Não somente a transcrição fora simplificada, mas o conhecimento amplo necessário para a escrita precisa dos kanji — que em um primeiro momento não era ideal para a língua japonesa — foi também evitado.

Conhecendo o alfabeto

O katakana (片仮名) representa o mesmo conjunto fonético do hiragana, porém, é claro, todos os caracteres são diferentes. Vejamos:

A, i, u, e, o.
Ka, ki, ku, ke, ko.
Sa, shi, su, se, so.
Ta, chi, tsu, te, to.
Na, ni, nu, ne, no.
Ha, hi, fu, he, ho.
Ma, mi, mu, me, mo.
Ya, yu, yo.
Ra, ri, ru, re, ro.
Wa, wi, n, we e wo. *Caracteres nos cards brancos são obsoletos, ou seja, não são usados.
O katakana é expressivamente mais difícil de dominar se comparado ao hiragana, porque é usado somente para certas palavras e, com isso, você acaba por não praticá-lo tanto como o hiragana.

Vogal prolongada

Praticamente tudo no silabário katakana funciona da mesma maneira que no hiragana, ou seja, você deverá apenas substituir caracteres hiragana pelo equivalente katakana. Porém, algo que é diferente é o fato que os sons prolongados são radicalmente simplificados aqui. Em vez de ter que pensar sobre os sons das vogais, todos os sons de vogais longas são indicados por um traço chamado 長音符. Ele é escrito na horizontal (ー) em texto horizontal e vertical (|) em texto vertical.

O 長音符 é usado algumas vezes com o hiragana, como, por exemplo, em placas de restaurantes de rāmen, nas quais らあめん é escrito らーめん. Entretanto, como você sabe, o hiragana normalmente usa outra vogal para o prolongamento de sons em vez do 長音符.

Adições modernas

Por causa das limitações no conjunto de sons do kana, algumas combinações novas foram sendo criadas com o passar dos anos, para representar os sons que, originalmente, não faziam parte da língua japonesa.

A decisão para resolver estas deficiências foi adicionar versões pequenas dos sons das cinco vogais. Isto também foi feito para o som da consoante w para substituir caracteres obsoletos. Foi também estabelecido o uso do dakuten no fonema ウ (ヴ) para indicar a consoante v juntamente com ア, イ, エ, オ pequenos, mas tal método não é muito usado, provavelmente devido ao fato de que os japoneses continuam com dificuldades em pronunciar o v. Por exemplo, enquanto você pode achar que “volume” seja pronunciado com um som de v, os japoneses optaram pela simples pronuncia “boryūmu” (ボリューム). Da mesma forma, vodka é escrito “wokka” (ウォッカ) e não ヴォッカ. Isso realmente não importa, já que quase todos os japoneses irão pronunciá-lo com o som de b de qualquer forma.

A tabela seguinte mostra, em destaque, os sons que faltavam e que foram adicionados. Outros sons que já existiam são utilizados apropriadamente:

Sha, shi, shu, she, sho.
Jya, ji, jyu, jye, jo.
Ta, ti, tu, te, to.
Da, di, du, de, do.
Cha, chi, chu, che, cho.
Fa, fi, fu, fe, fo.
Wa, ui, u, ue, uo.
Va, vi, vu, ve, vo.

Uso do katakana

No japonês moderno, ele é usado basicamente para a transcrição de palavras de línguas estrangeiras, chamadas 外来語. Por exemplo, televisão, em japonês, vem do inglês television e é escrito テレビ. De modo similar, o katakana é utilizado geralmente para nomes de países, lugares estrangeiros e nomes não-japoneses de pessoas. Por exemplo, Estados Unidos da América é comumente escrito アメリカ, em vez do uso do ateji 亜米利加. Outros usos do katakana incluem:

  1. Onomatopéias: palavras usadas para representar sons. Por exemplo, ピンポン, o “ding-dong”, som de uma campanhia;
  2. Termos técnicos e científicos: palavras como nomes de espécies de animais, plantas e minerais são também comumente escritas em katakana. Por exemplo, Homo sapiens, ホモ・サピエンス, como espécie, é escrito ヒト, em vez de seu kanji 人;
  3. Transcrição de nomes de corporações japonesas: este é um uso frequente, mas não dogmático. Por exemplo, Suzuki é escrito スズキ e Toyota, トヨタ;
  4. Ênfase: o katakana é também usado para ênfase, especialmente em sinalizações, anúncios publicitários e outdoors. Por exemplo, é comum encontrarmos grafias como ココ, ゴミ, ou メガネ. Palavras que o escritor deseja enfatizar em uma sentença também são escritas em katakana, semelhante ao uso de itálico;
  5. Palavras sino-japonesas: embora as palavras emprestadas do chinês antigo sejam geralmente escritas em kanji, palavras oriundas de dialetos chineses modernos que são emprestadas diretamente, são escritas em katakana ¹ e ²;
  6. Indicação de leitura on’yomi: o katakana é usado para indicar a leitura on’yomi (derivada do chinês) de um kanji em um dicionário de caracteres chineses. Por exemplo, o kanji 人 tem uma pronúncia japonesa, escrita em hiragana como ひと, assim como uma pronúncia derivada do chinês que é escrita em katakana como ジン;
  7. Indicação de pronúncia: o katakana é usado ​​às vezes no lugar do hiragana como furigana para mostrar a pronúncia de uma palavra escrita em caracteres romanos, ou de uma palavra estrangeira, que é escrita em kanji com base somente em seu significado, mas destinada a ser pronunciada como a original;
  8. Modos de fala: algumas vezes, o katakana também é usado ​​para indicar palavras faladas com um sotaque estrangeiro ou de forma incomum, por personagens estrangeiros, robôs, etc;
  9. Nomes pessoais: alguns nomes japoneses pessoais são escritos em katakana. Isto era mais comum no passado, portanto, as mulheres idosas muitas vezes têm nomes em katakana;
  10. Atenuação de escrita: é muito comum se escrever em katakana palavras difíceis de serem lidas em kanji. Este fenômeno é visto frequentemente na terminologia médica. Por exemplo, na palavra 皮膚科, o segundo kanji, 膚, é considerado difícil de ler e, assim, este termo é comumente escrito 皮フ科 ou ヒフ科, mesclando-se kanji e katakana;
  11. Notação musical: o katakana é também utilizado para notações musicais tradicionais, como no Tozan-ryū de shakuhachi, e em conjuntos sankyoku com koto, shamisen e shakuhachi.

Transição de palavras

A transcrição para o katakana de uma palavra estrangeira é baseada em seu som original. Porém, uma vez que a maioria dessas palavras é ajustada ao conjunto de combinações de consonante+vogal, ao serem transcritas, elas sofrem várias transformações radicais, resultando em casos em que, por exemplo, falantes de inglês não conseguem entender palavras que supostamente foram derivadas de seu idioma. Observe alguns exemplos:

Thank you = サンキュー
Milk = ミルク
Toilet = トイレ

Como resultado, o uso do katakana é extremamente difícil para um nativo de outra língua, porque é natural que ele espera que as versões japonesas de palavras possuam sons parecidos com seu idioma. Portanto, esqueça completamente a palavra estrangeira original e passe a tratá-la como uma palavra japonesa totalmente separada, senão você pode cair no hábito de usar palavras estrangeiras com a pronúncia original (consequentemente uma pessoa japonesa poderá ou não entender o que você está dizendo).

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