Rōmaji

O japonês que é romano

Rōmaji (ローマ字), literalmente significa letra romana, é a transição fonética da língua japonesa para o alfabeto romano. Este método foi desenvolvido por volta de 1548 pelo católico Yajirō (ou Anjirō) e foi baseado na ortografia da língua portuguesa da época.

História

Yajirō nasceu em Satsuma e pertencia à classe mais baixa dos samurai. Depois de cometer um assassinato, ele foge para a província de Goa na Índia, onde conhece São Francisco Xavier (1506–1552) e, lá, converte-se ao cristianismo. Retorna ao Japão como um intérprete, junto aos missionários jesuítas portugueses, já que sua visão única sobre os caminhos do Japão fez com que despertasse o interesse dos missionários em Goa. Mais tarde, passa a ser conhecido como Paulo de Santa Fé.

O emprego do rōmaji pelos jesuítas em uma série de livros católicos impressos possibilitou que os missionários pudessem pregar e ensinar seus convertidos sem aprender a ler a escrita japonesa, já que isso era considerada uma grande barreira. Após a expulsão de cristãos do Japão, no início do século XVII, o rōmaji caiu em desuso, sendo usado apenas esporadicamente em textos estrangeiros até meados do século XIX, quando o Japão se abriu novamente para os estrangeiros.

Uso

Os sistemas utilizados atualmente foram todos desenvolvidos na segunda metade do século XIX. Há três métodos principais de romanização: o sistema Hepburn, o sistema Nippon e o sistema Kunrei.

No cotidiano, o rōmaji pode ser usado para escrever números e abreviaturas. Ele também é usado em dicionários e livros para estudantes estrangeiros de japonês. Para digitar em japonês nos computadores, a maioria das pessoas, sejam nativos ou não, usam rōmaji, que é convertido em kanji, hiragana ou katakana pelo software de entrada. Também é possível digitar em hiragana ou katakana se você tiver um teclado em japonês, mas poucas pessoas estão familiarizadas com este método.

Sistema Hepburn

Em 1885, o Rōmajikai (ローマ字会), grupo de japoneses e estrangeiros que estavam interessados ​​em desenvolver e promover a romanização da escrita japonesa, foi instituído. Um de seus membros, o Dr. James Hepburn (1815–1911), um médico missionário americano da Filadélfia, utilizou o sistema do Rōmajikai em seu dicionário japonês-inglês. Apesar de ser seu co-criador, o sistema de romanização levou seu nome: sistema Hepburn (ヘボン式).

A principal característica deste sistema é que a sua ortografia baseia-se na fonologia da língua inglesa. Há muitas variantes do sistema Hepburn, mas há três estilos padronizados:

  1. Hepburn Tradicional: assim definido em várias edições do dicionário de Hepburn, cuja terceira edição (1886) é frequentemente considerada de sua autoria;
  2. Hepburn Revisado: é uma versão revisada do Hepburn Tradicional e foi adotada pela Biblioteca do Congresso americano como um de seus ALA-LC, conjunto de padrões de romanização. É atualmente a versão mais comum desse sistema;
  3. Hepburn Modificado: este estilo foi introduzido na terceira edição do Kenkyusha’s New Japanese-English Dictionary (1954) e ainda é predominantemente conservado pelos linguísticos.

Veja abaixo as mesmas palavras escritas em estilos padronizados diferentes:

No Japão, apesar de o Sistema Hepburn não ser o padrão por lei, permanece como o padrão de fato. Considerando-se algumas variantes dominantes para cada caso, podemos dizer que praticamente todas as indicações oficiais (placas de ruas, avisos, informações, etc.) são romanizadas pelo sistema Hepburn. A Japan Railways e todos os outros sistemas de transporte (ônibus, metrô, outras companhias férreas, companhias aéreas, etc.) utilizam o sistema Hepburn. Ainda, placas e informações em prefeituras, delegacias de polícia, templos, pontos turísticos, jornais, canais de televisão, publicações do Ministério das Relações Exteriores e guias também utilizam o sistema Hepburn. Por fim, estudantes estrangeiros da língua japonesa quase sempre aprendem o sistema Hepburn.

Exemplos de rōmaji: