Shodō

A arte de traçar

Shodō (書道) é a arte da caligrafia japonesa que usa materiais especiais para pintar caracteres, palavras e pequenas frases.

A arte é produzida através da escrita com uma tinta preta, derivada do carvão, e um pincel. Sobre o papel podem ser utilizados caracteres japoneses ou chineses.

Os traços alternam-se entre pinceladas grosseiras e outras mais delicadas, o efeito varia conforme a velocidade, a cor da tinta, a pressão sobre o papel, o intervalo entre os traços e o próprio material usado.

O shodō surgiu na China em 300 a.C. durante a dinastia Yin. Foi introduzido no Japão pelo budismo no final da Dinastia Han, essa arte passou a ser mais difundida a partir do século VI.

O hiragana foi criado graças a arte do shodō. Os kanji deformados pelos escritores deram origem a formas mais arredondadas e mais simples, que inspiraram na criação do silabário.

Atualidade

A valorização do shodō nos dias atuais é alta, alguns dedicam grande parte da vida para essa arte. Em todo o mundo as pessoas tem despertado interesse no shodō.

Em 1908, os primeiros imigrantes japoneses já trouxeram o shodō. No ano de 1975 o shodō ganhou grande impulso no Brasil com a Exposição de Arte Caligráfica Moderna do Japão.

O calígrafo

O shodō pode parecer simples, mas exige muita concentração, a inspiração e a prática irão ajudar no resultado da composição. Alguns calígrafos são treinados desde a infância com treinamentos intensos.

A vida de um calígrafo não se resume em escrever letras num simples papel, geralmente os materiais nobres são de alto valor, por isso a maioria das pessoas preferem usar materiais mais baratos ou apelam para designers.

Além de participar de campeonatos, os calígrafos costumam dar aulas, também trabalham onde há necessidade de um trabalho manual, como em festivais, cartazes, placas, faixas de eventos tradicionais ou lojas típicas.

Assim como um pintor, o objetivo de um mestre de shodō é provocar sensações e sentimentos nas pessoas que apreciam sua obra. Como todo artista, o maior desafio do calígrafo oriental é não apenas dominar a técnica e as regras, mas ser capaz de criar seu próprio estilo.

Estilos de escrita

篆書 — É o estilo de escrita mais primitivo e arcaico, de onde se originou todas as outras.

隷書 — Escrita clerical .

楷書 — Linhas retas. Sua forma é mais quadrada e suas linhas são retas, firmes e precisas.

行書 — Semi cursiva. São escritas feitas de forma rápida e com linhas suaves e arredondadas e traços semi sequenciais.

草書 — Cursiva. Chamada também de “escrita de grama”. A escrita é feita de forma impetuosa, rápida e sequencial.

Ferramentas

No shodō, um número grande de ferramentas são utilizadas para fazer a arte da escrita, são elas:

硯 — Tinteiro, um utensílio que serve para acondicionar a tinta. São feitos de pedra e possui também uma concavidade onde fica um pequena quantidade de água, que será usada para diluir o bastão de tinta.

筆 — Pincel. Existem vários tipos, tamanhos e espessuras. As pontas são variadas e os pelos utilizados são de ovelha, carneiro, texugo e outros.

墨 — Bastão de tinta. Tinta à base de carvão. Pode ser na forma sólida, sendo necessário ser diluído em água e em líquido, já pronta para o uso. Porém, a arte tradicional recomenda-se que se use o sólido, pois a preparação e diluição da tinta é vista como um momento de concentração, onde o artista busca a inspiração para compor a arte. Quanto mais velho melhor, os melhores tem 50 a 100 anos de idade.

文鎮 — Peso de papel. Ajuda a manter o papel imóvel para facilitar o artista, impedindo possíveis erros caso o papel se mova, geralmente ele é feito de ferro ou cerâmica.

下敷き — Pano para colocar debaixo do papel para evitar que a tinta vaze e suje o local.

和紙 — É um papel especial, feito com as fibras de arroz, bambu ou das folhas de bananeira. É feito artesanalmente e não utiliza componentes químicos. Isso faz com que sua durabilidade seja extremamente superior ao papel comum.

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