Resumo sobre o artigo ‘Redes de Coautorias entre Docentes de Programas Brasileiros de Pós-graduação em Administração’

O artigo lido, intitulado Redes de Coautorias entre Docentes de Programas Brasileiros de Pós-graduação (Stricto Sensu) em Administração: Aspectos Estruturais e Dinâmica de Relacionamento, analisa a configuração da rede de coautorias formada por professores de programas brasileiros de pós-graduação (stricto sensu) em Administração no período de 2001 a 2006.

O estudo de redes sociais não é algo novo, existe desde a década de 1930, mas só depois de 1980 começou a ser difundido. As redes sociais podem ser compostas por diferentes conteúdos, como: relações políticas, sociais, cooperativas, econômicas, intelectuais e emocionais. Relações que acabam por expandir a compreensão da ação humana e organizacional.

A pesquisa sobre redes sociais se torna importante porque, a partir dela, pode-se saber quem poderia vir a ser favorecido ou prejudicado dentro da sua configuração e estruturação. Nesse sentido, a estrutura da rede pode agir como uma disseminadora de informações, oportunidades e influência.

Compreender as relações sociais entre os atores contribui para entender parte do que ocorre nas publicações científicas em Administração e na pós-graduação em Administração no Brasil. Este artigo foi uma análise que permitiu identificar relações de poder, de influência mútua e de troca de informações entre atores sociais.

Essencialmente, a pesquisa foi composta por uma análise durante os anos de 2001 a 2006, período suficiente para evidenciar as mudanças ocorridas no comportamento dos pesquisadores. O banco de dados compreendeu 703 professores de programas nacionais de pós-graduação em Administração stricto sensu e foi coletado em meados de 2007 por meio dos currículos dos professores disponíveis na plataforma Lattes no site do CNPq.

Para o estudo foram coletadas e analisadas as seguintes características:

- Publicação de artigos em periódicos;
- Apresentação de trabalhos em congressos;
- Publicação de livros e capítulos de livros;
- Trabalhos completos publicados em anais de congressos;
- Resumos/resumos expandidos publicados em anais de congressos.

Além disso, também foram utilizados os seguintes softwares para o estudo das redes: Ucinet 6 e Pajek 1.21. Os dados foram analisados por meio de algoritmos e rotinas de análise de redes que permitiram verificar a possível propagação de informação e influência dentro das redes.

O estudo baseou-se em três cálculos para a identificação dos atores sociais mais relevantes:

  • Grau de intensidade de cooperação (Density) dos programas: a medida de intensidade da interação entre os atores da rede.
  • Centralidade de grau (Degree Centrality): trata-se do número de laços que um ator possui com outros em uma rede.
  • Centralidade de intermediação (Betweenness Centrality): refere-se à atores que servem como pontes para que ocorra novas interações.

Por fim, foi realizada uma análise de regressão denominada Double Dekker Semi-Partialling MRQAP, por meio da qual foi possível verificar as relações entre o primeiro e segundo triênio.

Em uma análise visual das redes do período de 2001 a 2003 foi possível inferir que as ideias, informações e orientações tendiam a ser disseminadas de modo lento, já que, quanto menos densa uma rede, menor a sua velocidade do fluxo de informações.

Já, na visualização da rede do segundo triênio, foi observado que há um maior número de interação entre os professores. Trata-se de uma rede menos difusa e mais densa do que a Rede 1, ou seja, onde as informações e ideias foram disseminadas de modo mais rápido. A densidade é inversamente proporcional ao número de componentes e diretamente proporcional ao número de conexões.

Ainda, conforme os dados descritivos da estrutura de relação entre os docentes, de um período para o outro houve um grande acréscimo no número de autorias. A média de colaboradores por pesquisador passou de 1,22 para 2,06, o que caracteriza o aumento da cooperação no campo.

A respeito da centralidade, os autores mais centrais são aqueles que possuem maior número de colaboradores e, possivelmente, maior número de publicações, portanto, foram considerados como os mais relevantes no estudo. Também foi possível perceber que, nas redes dos dois períodos, há uma proximidade de nós da mesma cor, indicando que a localidade interfere na escolha de laços de cooperação.

Segundo o artigo, a centralidade de intermediação pode ser considerada um indicador de poder, no sentido de que autores considerados intermediários podem exercer algum grau de controle sobre as informações e ideias disseminadas entre os autores que estão conectados por intermédio dele. Quanto maior for o grau de centralidade de intermediação, também será maior o controle potencial de um ator sobre outros que dependem dele para interagir, já que atuam como pontes fazendo a conexão entre os atores.

De um período para o outro foi possível perceber que o índice de intermediação foi reduzido. Tendo em vista que a centralidade de intermediação pode ser um indicador de poder, podemos inferir que o poder nessa rede passou a estar mais difuso.Provavelmente um reflexo do aumento do número de colaboradores e da maior interação entre professores que ocorreu no segundo triênio.

Por meio da análise de regressão Double Dekker Semi-Partialling MRQAP é possível verificar que a frequência de relações e os laços do primeiro triênio influenciaram o estabelecimento das relações no segundo triênio, já que o R-Square foi significativo, com o valor de 0,343. Essas relações também condicionaram as perspectivas temáticas.

Houve um grande crescimento no número de coautorias, o que pode significar que a comunidade acadêmica está respondendo às atuais exigências dos órgãos governamentais de fomento e credenciamento. Também foi possível identificar um aumento na quantidade de interações entre professores, talvez em razão das mudanças nos critérios de avaliação da Capes de um triênio para o outro, formação de novos grupos de pesquisa ou desenvolvimento daqueles que já existem. Fatores importantes também podem ser a busca pela qualidade das pesquisas e o aumento de produção científica, aumento da quantidade de cientistas no campo de pesquisa, melhoria dos meios de comunicação, metodologia predominante nas disciplinas, etc…

Foi observado um grande crescimento nas cooperações entre os docentes, dessa maneira, pode-se inferir que há forte tendência para o aumento do número de coautores por artigo nas publicações científicas, pela intenção de aumento do número de publicações por parte de pesquisadores individuais

Atores com maior centralidade de grau na área de Administração atraem maior quantidade de colaboradores e têm maior propensão a elevado número de publicações. Foi verificado que há certo grau de persistência das relações, o que potencialmente pode acomodar a formação de grupos de pesquisa que desenvolvam programas cujos resultados sejam mais efetivos em termos de qualidade e de longevidade das publicações. O autor também ressalta que os resultados apresentados no artigo ainda necessitam de maior aprofundamento, mas já configuram um importante estudo para o aprofundamento do assunto.

Quando enigma das pontes de Königsberg foi lançado, dificilmente alguém poderia imaginar o grau de complexidade que os estudos de redes poderiam acabar chegando. Atualmente existem diversos problemas que podem ser solucionados por meio das técnicas de SNA (Social Network Analysis) no contexto do Big Data. Problemas empresariais em que a modelagem de redes e a análise delas podem contribuir para entender a sua configuração, a influência dos atores na sua estruturação, a fluidez da informação e até mesmo estratificar seus atores, como no caso de clusterizações e agrupamentos.

A importância da informação na sociedade e como a mídia determina quais assuntos farão parte dos consumidores não é uma ideia nova, ela vem da Teoria do Agendamento (Agenda Setting), de Maxwell McCombs e Donald Shaw, e, cada vez se torna mais relevante na vida moderna.

Em um contexto de redes sociais (Fake News, Facebook, Twitter), um tema em amplo e rápido crescimento, a internet passou a tomar conta da nossa vida e a informação a moldar o nosso dia a dia. Por isso, torna-se necessário entender como a informação vai percorrer as redes, quem serão as pontes conectoras de nós que passam essa informação, para entender a velocidade e o potencial em que ela pode se espalhar.

Redes são formas organizacionais e, por meio do estudo de suas propriedades estruturais, papéis e posições, podemos passar a entender melhor também o comportamento e particularidade de seus atores. Análises estatísticas também colaboram para enriquecer o estudo com os cálculos de relação entre variáveis de redes, avaliação longitudinal, modelos de regressão, etc.

Mesmo as medidas de centralidade de grau, proximidade e intermediação, em um contexto de Big Data, podem nos oferecer valiosas informações que podem gerar hipóteses muito relevantes, como é o caso do que foi apresentado no artigo, onde foi possível estabelecer ideias sobre a evolução do campo científico de Administração no Brasil.

O estudo de redes sociais é complexo, porém super valioso para a geração de insights e criação de valor para empresas e para a sociedade por meio de definições de posicionamento estratégico, gestão de riscos operacionais, seleção, análise e engenharia de processos, decisões sobre o que fazer, sobre localizações e cadeias de suprimentos, logística empresarial e internacional, cadeias de suprimentos, inovação nas organizações, empreendedorismo corporativo e diversos outras aplicações.

O artigo na íntegra você confere aqui: https://goo.gl/CPN2uW