CLUBES vs CONFEDERAÇÕES: PROPRIEDADES COMERCIAIS.

Em mais um puro exemplo de sensacionalismo, a imprensa esportiva alarmou que o Palmeiras poderia deixar de jogar sua primeira partida em casa pela Copa Libertadores porque a WTorre (gestora do estádio) se recusaria cobrir a publicidade estática do Allianz Parque (placas no campo, vomitórios, anéis de concreto, etc.). Uma bobagem. Há tempos tal proibição está no regulamento das competições da Conmebol e os clubes sempre respeitaram.
A prática de proibir propriedades comerciais de clubes dentro das competições de Confederações é normal. A FIFA exige estádios limpos durante suas Copas do Mundo (seleções e clubes), a UEFA e Conmebol idem. Ela serve para proteger os interesses dos patrocinadores da competição. Porém, dentro dessas confederações (FIFA e UEFA), os patrocinadores são exaustivamente ativados e possuem propriedades exclusivas. Além do mais, os campeonatos são exemplarmente organizados. É uma relação de ganha-ganha, pois, no fim do processo, os clubes recebem boa parte do dinheiro investido por esses patrocinadores. Já na CONMEBOL, a história é o contrário e sempre existiu reclamações relacionadas aos repasses feitos aos clubes. Tais repasses não só de patrocinadores, como os direitos de mídia também.
Como dito no texto sobre title sponsor, quando uma liga é forte, sua marca será fortalecida naturalmente, seus patrocinadores se beneficiarão, e por fim, os clubes.
Focando especificamente na propriedade Naming Rights, tanto Conmebol quanto UEFA não breca o nome em impressão de ingressos, comunicação, segurança e sinalização. De certa forma, a marca é citada. Mas não pode exibir um logo. Na CONMEBOL também é assim.
Seria interessante às confederações pensarem quando o naming rights do estádio não entra em conflito com nenhum dos patrocinadores da competição, deveria ter o direito de aparecer sim (padronizando o tamanho da propriedade, obviamente), levando em conta que sua exposição é baixa perto de marcas visualizadas em backdrops.

Abaixo, exemplos de uso das propriedades comerciais pelos patrocinadores exclusivos das competições em coletivas de imprensa e zona mista.



Encontramos alguns paradoxos nessa história: os principais ativos destas competições são os clubes, bancados por seus patrocinadores, que não aparecerão em backdrops.
E se os clubes não vão para esses campeonatos, não recebem nada e seus investidores não aparecem da mesma forma.
Porém, os patrocinadores da competição também investiram e precisam aparecer, pois, querem exposição continental/global.
O assunto é complexo, mas dou razão às Confederações quando estas, de fato, repassam corretamente os valores recebidos e assim compensam as eventuais perdas dos clubes, — o que não é o caso da Conmebol — . A competição deve ser o produto principal. E quando falo competição, é sobre todos os clubes presentes nela. Por isso, é importante que as agremiações permaneçam unidas e organizadas para conseguirem melhores acordos e distribuição de receitas. Não é à toa que os clubes sulamericanos estão se movimentando após os escândalos da Conmebol e mais reclamações sobre baixos valores de repasses. Enquanto na Europa, uma liga dos grandes times está querendo AINDA MAIS participação nas receitas e deseja montar um campeonato nos moldes comerciais das grandes ligas norte americanas.
Sobre os patrocinadores dos times que investiram para os times chegarem nessas competições… Me desculpem, mas existem X formas de ativar uma marca, atualmente. Exposição é importante, mas não é mais a principal plataforma para instalar-se na lembrança dos torcedores. Além do mais, existe o uniforme.
E como foi dito acima, se os patrocinadores do clube (somente o máster, por enquanto) não forem concorrentes diretos dos patrocinadores do campeonato, é possível que exista uma maneira de incluí-los em alguma propriedade do campeonato.
Por fim, a WTorre criticou a Conmebol, ressaltando a Allianz e o Palmeiras. Corretamente defendendo seus parceiros. No entanto, não cabe à gestora do estádio mudar o regulamento da competição. Cabe ao Palmeiras juntar-se a outros clubes brasileiros que possuem Arenas com ou sem naming rights para discutirem o assunto na CONMEBOL e CBF. Afinal, Corinthians, Grêmio, Internacional, Atlético PR, Bahia (Itaipava Fonte Nova), entre outros disputam tanto Libertadores quanto a Copa Sul Americana com frequência, e podem ter ou extender contratos de naming rights nos próximos anos.
Regulamentos (em espanhol) da Conmebol: Libertadores 2014 (Art. 17), 2015 (Art. 18) e 2016 (Art. 18).
Regulamento (em inglês) da UEFA Champions League: Cap. XII
Com toda a certeza, o da UCL é mais detalhado e procura mostrar os diversos porquês.