#153 A pelada é sagrada

E a experiência é uma arma poderosa

A pelada nossa de cada dia é aquela famosa prática descompromissada do futebol. Que na verdade de descompromissada não tem nada pra maioria dos praticantes.

Infelizmente, a falta de tempo e o corpo castigado pelas lesões não permitem mais as 5 peladas por semana da época da escola. Mas tem uma que se mantém firme. A pelada de todo sábado.

Essa é sagrada. Posso sair na sexta e chegar a casa bêbado as 5 da manhã que 3 horas depois estarei no campo aguardando a bola rolar.

Quem é amante do futebol sabe que melhor do que assistir a jogos pela tv, ir ao estádio acompanhar seu time jogar, torcer e falar sobre futebol com os amigos, é mesmo jogar futebol.

Quem bate uma bola sabe. É como sexo. Se não rolar faz uma falta danada. O sujeito corre atrás, conversa sobre, conta vantagem.

Por isso a pelada é sagrada. Essa, de todo sábado, nem se fala.

Hoje me dei conta que faço parte dessa pelada há pelo menos 15 anos. É tempo pra caramba. A pelada foi iniciada pelo meu pai e um grupo de amigos. Ele acabava me levando pra completar.

Lembro que chegaram a pedir educadamente que eu parasse de ir porque, aos 18 anos, era covardia o que fazia com os mais velhos.

O tempo passa. A experiência compensa.

Hoje, aos 32 anos, tive que correr atrás de um moleque de 17 cheio de alegria nas pernas. Aquele mesmo pessoal mais velho — que hoje em dia vai mais pra assistir porque o tempo passou pra eles também — me provocou dizendo que era isso que eles passavam lá no início.

Como o tempo passa cara! E ainda bem que passa.

Os jogadores de futebol mais velhos costumam dizer que sabem os atalhos do campo. Mesmo sem o vigor físico da juventude, conseguem suportar o nível de exigência física que o esporte pede, graças a essa vivência que têm pelos gramados.

E é assim com tudo na vida. O tempo passa e leva um cado de coisa. Mas sempre trás outras. Vai levando nossa juventude, nosso vigor, nossa ingenuidade. Trás a vivência cada vez maior e com ela os aprendizados, os atalhos descobertos.

O moleque de 17 anos corria pra burro. Mas eu conheço muito mais os atalhos. Já chutei muito mais vezes que ele. Já passei por muito mais coisa dentro do campo, muitas situações diferentes.

Isso é experiência. E ela é uma qualidade que pode fazer a diferença.

E que venham muito mais peladas, muito mais vivência e aprendizados. E que a barrinha da experiência aumente cada vez mais.

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