A arte de traduzir

Os dois lados dessa prática que pode ser um hobbie ou uma oportunidade profissional

Equipe da Empresa Óeditorial. Da esquerda para a Direita: Paulo Scarpa, Ismar Tirelli Neto, Tiago Macedo e Tassia Kleine. (Foto: Acervo Tiago Macedo)
Reportagem: Thaiany Osório | Edição: Vinicius do Prado

Que atire a primeira pedra quem não se pegou dando f5 de hora em hora esperando a tradução da nova temporada de uma série que estreou um dia antes na TV por assinatura. Esse é o sentimento de dependência que milhares de fãs sentem em relação aos “legenders”, as boas almas por trás das traduções na internet. Mas poucos percebem o quão importante é o trabalho de quem traduz conteúdos internacionais, que vão de produções audiovisuais a obras literárias e textos acadêmicos.

Dentro desse universo, as traduções são divididas em três tipos principais. As simultâneas são aquelas em que o intérprete traduz simultaneamente para o público ouvinte tudo que é dito — mais usadas em conferências globais. Já as traduções públicas são aquelas habilitadas por órgãos estatais sobre assuntos de interesse geral. Há também as traduções técnicas, que exigem maior nível de complexidade por lidar com áreas mais profundas do conhecimento, como Petróleo & Gás, Direito, Medicina, Finanças, Contabilidade, entre outras.

Foi justamente a enorme quantidade de conteúdo que o Brasil recebe do mundo que estimulou a estudante de Letras Angélica Neri a cair nas graças das traduções. Especializada em Alemão, Neri recebe obras indicadas por professores, mas por vezes já traduziu livros aleatórios simplesmente para trazer ao público as ideias dos escritores. “No momento, estou trabalhando com um autor ainda muito desconhecido no Brasil; eu quero mais é que as pessoas conheçam, leiam e compartilhem”, afirma Angélica.

Por se tratar de um hobbie, Angélica não tem o costume de publicar suas traduções nas redes sociais, apesar de frequentemente compartilha-las com amigos que já postaram conteúdos próprios em blogs ou mesmo no facebook. Ela acredita que a disponibilização livre é positiva para facilitar o acesso ao conhecimento.“Precisamos desse acesso à cultura e, sem esses conteúdos online e gratuitos, a coisa seria bem diferente pra muita gente”, opina a estudante.

No entanto, algumas pessoas veem essa prática como uma alternativa profissional. É o caso de Tiago Macedo que, junto com mais três sócios, criou a Óeditorial, empresa que fornece serviços de tradução, revisão e editoração de textos. O gosto por literatura o incentivou a traduzir, mas só agora ele está entrando nesse mercado. “Nossos maiores clientes não são escritores literários, mas sim da área jurídica”, explica Tiago. O especialista em francês e inglês traça planos inovadores para o futuro. “Eu quero passar um tempo na Alemanha para acrescentar mais uma língua em meu currículo e possibilitar que eu traduza conteúdos alemães também. No futuro, a Óeditorial pretende traduzir e publicar livros”, planeja Macedo.

Apesar de se tratar de uma área recente, o mercado brasileiro já percebeu essa demanda e hoje investe cada vez mais em cursos e institutos especializados em todos os tipos de tradução. É o exemplo da Easy, uma empresa de tradução que oferece cursos de legendagem focados nas técnicas que são úteis para a prática da profissão. Há também a Choice, escola de profissões de Curitiba, que oferta o curso Tradutor e intérprete visando a transposição de textos e de falas do Inglês para o Português e vice-versa. Com o mercado editorial em crescimento e a popularização de filmes e séries estrangeiras, ser tradutor pode ser vantajoso futuramente.

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