Alunos perdem conteúdos por culpa de professores “fantasmas”

Dentro da UFPR, alunos encontram dificuldades para cursar matérias em que os professores faltam, reiteradamente, sem dar explicação

Alunos vão para sala de aula, mas o professor não aparece (FOTO: Vinicius Carvalho)
Reportagem: Fernanda Glinka | Edição: Vinicius do Prado

Em alguns cursos da UFPR, existem professores que faltam ou aparecem apenas para dispensar aula, fazendo com que muitos alunos tenham que cursar disciplinas em outros cursos ou até mesmo adiá-la no cronograma. Como os professores são concursados, esse problema se torna ainda mais difícil de ser resolvido, gerando processos que levam anos para serem finalizados e, com isso, atraso na formação dos alunos.

Isso aconteceu no curso de Comunicação Social com o professor de fotografia publicitária e de fotojornalismo Osvaldo Santos Lima que, além de dar aulas, tem uma escola de fotografia. Ele tentava conciliar os dois empregos, até que no segundo semestre de 2013 teve um conflito de horários e parou de dar aulas na universidade. O atual chefe de departamento de Comunicação Social, Mario Messagi Junior, conta que foi aberto um processo contra Osvaldo — lançando as faltas existentes até o momento — e pedida a abertura de uma sindicância para apurar o acontecido, além de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para aplicar a sanção. “O que ele estava fazendo, que eram faltas reiteradas, se classificava como ausência recorrente ou abandono de emprego. Na lei, a previsão pra esse tipo de comportamento é demissão”, explica Mario. No entanto, a primeira comissão de sindicância declarou que o fato do professor ter o salário descontado já era uma punição suficiente, decisão esta considerada covarde pelo Chefe de Departamento.

Como o problema ainda não fora resolvido, foi aberto um segundo processo, até que Osvaldo resolveu pedir demissão. O departamento do curso tentou cancelar o processo de PAD, já que isso já resolveria o problema de forma rápida, porém a tentativa não foi aceita devida a regra de serviço público que diz que uma vez aberto um processo, ele deve ir até o fim. Ou seja, não existia a possibilidade do professor pedir demissão, ou ele seria demitido ou seria reintegrado. Nesse meio tempo, havia alunos que já estavam há quase dois anos sem matéria. “Chegamos num ponto que se a gente não oferecesse a disciplina iríamos atrasar a formatura de uma turma inteira”, diz Mario. O caso foi resolvido em 2015, quando Osvaldo foi demitido e houve a possibilidade de abrir novo concurso para o cargo.

André Andrade, aluno de publicidade e propaganda, deveria ter cursado a matéria de fotografia publicitária em 2013, no segundo ano do curso, porém só conseguiu realizá-la no ano passado, último ano antes da graduação. Ele conta que, no começo, os estudantes faziam listas de presença, assinavam e entregavam na secretaria, mas depois de um tempo receberam a informação de que o professor não iria dar aulas. “Essa situação se estendeu por mais dois anos, só quando eu já estava no quarto ano o departamento contratou um professor, não qualificado na área, para dar essa aula e a gente poder se formar”, relata Andrade. André diz também que o medo do atraso na formatura era comum entre ele e os colegas de turma.

O caso de algumas turmas de fotojornalismo foi ainda pior. Os alunos não tiveram aulas e, mesmo assim, o professor lançou as notas, encerrando a disciplina e qualquer chance dos alunos de terem essa matéria mais tarde com outro professor.

Apesar de estes casos já terem sido resolvidos e hoje os alunos poderem cursar esta disciplina normalmente, ainda existe o medo de que essa situação volte a acontecer. A rigor, existe um regimento que especifica que o professor, mesmo quando for viajar, deve informar aos alunos qual o plano de reposição e garantir que o conteúdo seja ministrado. Os alunos que se sentirem prejudicados por problemas desse gênero devem informar a chefia de departamento, pedindo atribuição de falta ao professor, para que a chefia possa resolver o problema.

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