Aquecendo os motores para o mais novo Star Wars

Há muito tempo atrás, em um cinema não muito distante, estreava um marco do século XX nas salas de todo o mundo

Reportagem Moreno Valério | Edição Aléxia Saraiva

Star Wars está voltando. Após a venda da franquia de George Lucas para a Disney, por 4 bilhões de dólares, a companhia de Mickey Mouse não demorou a anunciar uma nova trilogia de filmes. Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força estreia dia 17 de dezembro nos cinemas brasileiros, mas o que dizer sobre os anteriores?

Com o objetivo de relembrar — ou apresentar — os seis episódios anteriores, o Jornal Comunicação faz uma resenha dos seis filmes da saga mais famosa de uma galáxia muito, muito distante.

Star Wars Episódio IV — Uma nova esperança

O começo não começo

Pôster oficial do primeiro filme. (Imagem: FOX/Lucas Film)

Para os incautos de hoje em dia que não conhecem Star Wars, talvez seja estranho pensar que a saga começou no episódio quatro. Lucas coloca o espectador no meio de uma guerra civil no Império Galáctico. Com a justificativa de que não queria “perder tempo” com apresentações e introdução de todo o sistema, o criador acabou marcando uma era no cinema com essa pegada inovadora.

Afinal, faz parte do charme de Star Wars inserir o público o suficiente em seu universo, sem explicar muito, mas sem deixar que se percam. Dá respostas, mas entrega perguntas também.

O mais interessante é entender que, mesmo em uma trama espacial, numa galáxia distante e há muito tempo, Star Wars é principalmente a trama entre os personagens. A relação entre eles e a conexão com o público acaba sendo o mais relevante. E isso acontece logo no primeiro filme, sem demorar muito para que esses personagens carismáticos se conectem com os espectadores.

Luke Skywalker, Princesa Leia e Han Solo formam a santíssima trindade da saga. E o episódio IV não demora a acolher sua audiência como se fossem os melhores amigos deles. Personagens secundários mas com enorme visibilidade na trama também se mostram vivos dentro do universo. Ben Kenobi, Chewbacca, C3PO e até o R2-D2 desenvolvem um papel importante no filme, dando as escadas necessárias para as estrelas brilharem.

Então chegamos ao antagonista, Darth Vader. Um ícone pop do século XX, o capacete torto (George Lucas nunca conseguiu acertar um capacete dele na antiga trilogia) e a respiração pesada são praticamente marcas registradas da Lucas Film. Um vilão que no começo do filme já mostra do que é capaz, e a todo momento sentimos que ele não hesitaria em matar um dos protagonistas da história.

Coloque tudo isso em história que já está correndo, misture umas cenas de ação, de tiroteio no espaço e com o ritmo suficiente para os personagens se conheçam, ao mesmo tempo em que os conhecemos. Isso rende uma receita para um ótimo filme.

Star Wars mudou a história do cinema, e tudo começou nesse filme.

Star Wars Episódio V — O Império Contra-Ataca

O arco do arco do arco

Pôster oficial do da primeira continuação. (Imagem: FOX/Lucas Film)

Mesmo dividido em seis episódios, Star Wars consegue manter os arcos clássicos das histórias de cinema. A introdução, o clímax e a resolução. Isso acontece dentro de cada filme, dentro de cada trilogia, e dentro da saga como hexalogia. Olhando por esse aspecto, o episódio V representaria o clímax dentro da antiga trilogia (e o início da resolução no conjunto todo). Mas isso de maneira nenhuma limita o filme, ou prejudica seu antecessor ou sucessor.

O episódio V é capaz de ser uma história por si só, mas vai além e se torna uma das melhores continuações já produzidas. Muitos fãs apontam esse filme como o melhor, talvez pela sua quebra de paradigma e por mostrar o lado sombrio vencendo ao final. Com direito até à incerteza da volta de um dos personagens do trio clássico, Han Solo. Como Harrison Ford poderia não voltar para o episódio seis, Lucas deu uma solução criativa para o impasse e acabou gerando uma das imagens mais clássicas da franquia.

Han Solo na carbonita (Créditos: Fox-Lucas Film)

Aqui também é apresentado um outro personagem que se tornaria um clássico quase instantaneamente: o anão verde que fala em ordem inversa, Yoda. Treinando Luke, nota-se que Yoda não é nada do que se espera de um grande ancião jedi. Mas não se engane, ele era um dos líderes dos jedis antes do Império assumir o controle da galáxia. As cenas com Luke têm em Yoda seu alívio cômico, em meio a uma trama que fica mais complexa e mais sinistra a cada minuto.

Star Wars Episódio V apresenta uma aura mais dark de toda a antiga trilogia. O confronto de Luke com Vader (que tem direito a revelações dignas de novela mexicana) causa aflição e nervosismo. Não é possível saber o que vem dali, não dá para prever ou apostar, e a resolução é de uma maneira inesperada.

Se Star Wars IV causou furor, sua continuação direta foi ainda mais impactante e ajudou a calcar o caminho que colocaria a saga como uma das mais importantes do mundo pop.

Star Wars Episódio VI — O retorno de jedi

Seria o fim?

Pôster oficial do último filme. (Créditos: FOX/Lucas Film)

Esse filme encerra a trilogia e a franquia do cinema — mas só até dezembro desse ano. A história atinge seus momentos mais importantes, com os Rebeldes tentando engajar novamente contra o Império.

Luke continua sua jornada no caminho Jedi e finalmente é apresentado Jabba, the Hutt. Um personagem temido e comentado durante os outros dois filmes, ficando no imaginário do público. Se no episódio V surge o monolito que marcou a cultura de Star Wars, no episódio VI a Princesa Leia com roupa de escrava é quase tão impactante quanto. Harrison Ford voltou para o último filme, o que permitiu que Luke o salvasse durante os acontecimentos do último episódio.

O filme chega na batalha definitiva entre Luke e Darth Vader. O bem contra o mal, a esperança dos rebeldes em acabar com o Império. O protagonista realiza a jornada do herói de maneira convincente. Nada acontece facilmente para Luke, tudo vem do seu esforço e dedicação em derrotar o lado sombrio. Após dois filmes treinando para ser um jedi, passando por um confronto com o próprio Vader, Luke aparenta chegar maduro para o duelo final. O público já espera por isso desde o episódio IV.

Engana-se quem acha que o Jedi do título se refere a Luke. Na realidade a referência é para Anakin — o próprio Darth Vader — que se redime no final e acaba voltando para o lado da luz, salvando Luke e derrotando o Imperador. A história se encerra com um dos arcos mais emocionantes do cinema, e mostra que um filme de ficção científica pode criar laços e relacionamentos emotivos.

É impossível falar do episódio VI e não falar dos Ewoks. Os ursinhos, com aproximadamente um metro de altura, estão entre as criações mais controversas da franquia. Além de possuírem um apelo infantil, eles acabam destoando de todo o universo e dinâmica criada por Lucas nos filmes anteriores e no próprio Retorno de Jedi. O que é estranho de se ver é justamente eles utilizarem flechas, pedras e pedaços de pau contra o exército que possui uma alta tecnologia, como é o de Vader. Os Ewoks geraram o primeiro filme spin-off de Star Wars, Caravana da Coragem, que mostra somente o universo deles e é voltado para o público infantil.

Foi em 1983 que Lucas concluiu sua obra, ao menos no cinema. Após impactar várias gerações e influenciar diversas vidas, Lucas partiu para o chamado Universo Extendido. Histórias que continuavam a saga, ou aconteciam antes dela, ou interlúdios, eram contadas nas mais diversas mídias: quadrinhos, livros, jogos, desenhos, enfim, uma infinidade de personagens criados para dar ainda mais vida ao universo de Star Wars.

Mas as resenhas continuam. Logo os episódios 1 ao 3 mostrarão as evoluções da franquia após um hiato de mais de 15 anos.

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