Comunicação mantém forte cobertura da Federal, mas exibe também ecletismo ao se voltar a pautas externas

Ombudsman: Dimitri Valle

Mesmo ao manter intensa cobertura sobre os acontecimentos da Universidade, o que deve continuar acontecendo, a edição periódica do Comunicação (21/11 a 27/11) também mostra que pode ser eclética, com reportagens sobre história, segurança pública, comportamento pessoal e esportes. Fomos brindados com assuntos para todos os gostos. O leitor é quem sai ganhando com essa diversidade e o aluno começa a ter uma noção mais próxima da realidade de um veículo de comunicação. Vamos a algumas observações (sempre construtivas e para incentivar o estudante de jornalismo a seguir em frente) nas reportagens selecionadas na sequência. Muito obrigado pela oportunidade e até a próxima.

Curitiba é uma cidade a ser lida

Pauta bem escrita a respeito de assunto controverso, como o próprio texto menciona na marginalização e obstáculos que esses artistas têm para expressar seus trabalhos. As fotos valorizam o trabalho de apuração, dando destaque a essa Curitiba multicultural e democrática. A observação da cena urbana é essencial no jornalismo, como mostra o texto.

Flash dá destaque a tatuadoras da cena Curitiba

Como mencionei acima, quando o jornalismo se volta a observar a cena cotidiana, podemos esperar bons materiais. Está certo que desde o início o assunto era para ser mais apreciado como ensaio fotográfico do que de texto. Ok. Mas o evento em si é bem curioso por fazer os interessados em decidir na hora por essa ou aquela tatuagem pronta para ser transmitida. Poderíamos ter mais detalhes sobre as pessoas que participaram do evento, tanto tatuadores como o público.

1ª Bicicletada Climática Global de Curitiba

O assunto escolhido é interessante. As mudanças na mobilidade urbana são uma das discussões mais legais do momento nos grandes centros urbanos do país e do mundo. O texto é correto ao detalhar como será todo o evento, como participar e suas conexões com outras cidades. Parabéns. Mas senti falta de pelo menos um entrevistado a figurar no texto. Um organizador do evento ou ciclista que irá participar poderia deixar o material ainda mais bacana. Personagens sempre vão humanizar e dar um rosto do assunto abordado ao leitor. Se for um entrevistado que dê uma visão geral sobre o tema, por exemplo, o texto só tem a ganhar com isso.

Mulheres negras na luta por direitos

Tema social relevante, tratado em tom crítico (como deve ser), com riqueza de informações envolvendo história, dados estatísticos e entrevistadas afiadas nas declarações. Quem leu, teve um panorama detalhado e verdadeiro sobre como se encontra a luta de nossas mulheres negras em relação à autoestima, preconceito e sua busca por dignidade e igualdade. Detalhe para a última frase do texto. Gostei.

Eleições no DCE

A iniciativa do Comunicação de focar no ambiente da Federal mostra como os estudantes do Jornalismo podem aprender a profissão a partir do que se passa na própria aldeia. Um dos caminhos, sem dúvida, é este mesmo. O furo de reportagem pode estar na esquina de casa. A série de entrevistas com as chapas que disputam o DCE contribui com a história da Universidade. E isso, por si só, já é um grande avanço para os envolvidos na produção das entrevistas. Não vou entrar no mérito das perguntas e temas que foram levantados com cada um dos representantes das chapas. Seria preciosismo demais. Acho que o fato de dar voz a todos, sem tentar polemizar com essa ou aquela chapa, priorizando espaço para o debate das ideias, é o mérito a ser destacado. O que é importante, creio, é que os alunos desenvolvam essa consciência, de que o jornalismo deve ser um instrumento da memória. Afinal, é algo inerente a todos nós desde os primórdios. A civilização Suméria e suas tabuinhas de argila estão aí até hoje para mostrar como é importante retratar os acontecimentos de suas comunidades para as gerações futuras.

Refúgio em si mesmo

Reportagem bem escrita que envereda para os campos comportamental e psicológico. São temas arriscados por sua própria natureza, por envolver nuances que sempre estão a exigir atualizações e estudos da literatura específica, já que brotam do desafiador e misterioso inconsciente que existe em todos nós. O bacana da matéria é ler os introvertidos abrindo seus corações com nome, sobrenome e idade. Aponto como o grande mérito da reportagem. Como comentei acima, personagens dão um rosto humanizado ao texto, proporcionando mais riqueza de informações e colocando o leitor literalmente na cena do assunto. Quem sabe essa experiência de serem entrevistados os ajude a encarar cada vez mais seus desafios pessoais. O que poderia acrescentar: personagens famosos da história que enfrentavam dos mesmos desafios de vida. O ator Daniel Day Lewis, duas vezes premiado com o Oscar, largou tudo entre uma estatueta e outra para ser aprendiz de sapateiro na cidade italiana de Florença. O físico Albert Einstein perseguia momentos de isolamento a todo custo. Confessava fazer parte de sua ferramenta de trabalho para encontrar soluções para os grandes enigmas do Universo. Poderia haver também mais detalhes de como, no dia a dia, identificar quando o comportamento deixa de fazer parte da identidade da pessoa para virar uma patologia. Mas no geral, reitero meu reconhecimento ao tratamento digno do assunto dado na reportagem.

Cristian Toledo: um nome consolidado na crônica esportiva

Bacana a entrevista com o Cristian, um profissional talentoso e que merece o bom momento pelo qual passa. O lead que apresenta o ping-pong está com boa pegada, destacando o clima em que a entrevista foi feita (praticamente durante a apuração de uma reportagem). É desses detalhes que uma matéria trivial se arrisca (no bom sentido) a se tornar um material jornalístico com personalidade própria, que vai fazendo o leitor chegar com entusiasmo até o final do texto. Muito legal. A reportagem também tem validade prática para os estudantes, já que Cristian fala de sua experiência e dá conselhos úteis para quem está se formando na profissão. Apenas um detalhe: o Cristian falou do desafio de um comentarista analisar Fórmula 1 sem nunca ter sido piloto e outras situações envolvendo comentaristas de futebol que nunca pisaram num gramado para disputar uma partida oficial. Os alunos poderiam ter pego carona nessa declaração para explorar ainda mais como é falar de algo, com argumentos apropriados, que ao mesmo tempo está tão próximo e distante do observador em questão. A sugestão que fica, com a entrevista com o Cristian Toledo, é continuar produzindo outras reportagens com profissionais da nossa imprensa. Ao mesmo tempo em que os alunos podem exercitar apuração e texto, o tema ajuda, por envolver um jornalista, a indicar caminhos para quem se prepara para ingressar na profissão. A mesma sugestão vale para colegas que hoje fazem carreira de sucesso nas empresas de assessorias de comunicação, dando dicas de empreendedorismo e de como é a realidade do setor.

Muito além de chocolate e queijo

Curiosa reportagem sobre os suíços. Pauta muito bem direcionada, com abordagem de aspectos históricos tanto da Suíça de lá como da “pequena Suíça” que se criou na capital do Paraná. Que venham outras assim, com personagens bacanas e repletas de boas informações, para continuar mostrando a nossa Curitiba multicultural.

Número insuficiente de agentes penitenciários dificulta efetivação da Lei de Execução Penal no Paraná

Discussão sempre pertinente. E o texto vem com uma informação estarrecedora de que 20 rebeliões ocorreram no Estado em pouco espaço de tempo. Que o assunto seja mantido na pauta. A redação está boa. Uma dúvida: o outro lado, da Sesp, foi informado por meio de assessoria ou release? A reportagem, embora esteja correta na apuração e na redação, poderia ter consultados outras fontes também para não ficar focada no sindicato dos agentes penitenciários e na própria Sesp. Como é uma realidade nacional, a pauta sobre o sistema carcerário poderia ter sido ampliada e explorada, por exemplo, como o Ministério da Justiça vem encarando a situação nas penitenciárias atualmente em outros estados. Fica a sugestão para os próximos trabalhos.

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