Equilíbrio entre espiritualismo, natureza e arranha-céus?

Na última semana do programa, o grupo da UFPR e PUC-PR, em parceria com o Instituto Kake do Japão, saiu da área rural e foi definitivamente para a cidade grande, onde completarão o intercâmbio

Reportagem: Luiza Guimarães | Edição: Lucas Panek
Templo de Senso-ji no meio do bairro de Asakusa, em Tóquio, famoso pela torre ulta moderna SkyTree Tower | Foto: Luiza Guimarães

A malha ferroviária do Japão é conhecida mundialmente pelos seus trens bala e por sua pontualidade. Foi a bordo de um Shinkansen, trem que chega a atingir aproximadamente 300 Km/h, que deixamos a vida rural para trás em direção a Kyoto, Chiba e Tóquio.

Percorremos quase 600 Km em duas horas e vimos os campos de arroz darem lugar a prédios empresariais envidraçados e construções administrativas de estilo grego ou romano. Uma paisagem que poderia ser Londres ou Nova Iorque se as palavras importantes não estivessem escritas em Kandi, um dos três tipos de alfabetos usados na escrita japonesa, mas que aqui eles chamam de caracteres chineses.

O Japão urbano absorveu quase que completamente a cultura ocidental, e isso é perceptível ao entrar no primeiro supermercado. É comum encontrar uma maior variedade de pães e massas a venda do que de nori (tipo de alga utilizada na culinária japonesa) ou nato (grãos de soja fermentados, comuns no café da manhã). Nas ruas, é cada vez mais comum encontrar restaurantes europeus e shoppings centers luxuosos.

Porém, explorando mais a fundo, virando numa esquina diferente ou subindo no observatório da cidade, o templo, o parque, o palácio medieval e as antigas lanternas de pedra que iluminavam as ruas antes da eletricidade chegar ainda estão lá, escondidos no meio das luzes artificiais e da multidão.

Verão é tempo de Matsuri

O Festival Omatsuri representa a chegada do verão e da temporada de fartura. Os participantes se revezam carregando uma caixa dourada com os frutos da colheita e ouro para oferenda | Foto: Luiza Guimarães

Não muito afastado do centro de Chioshi, a cidade mais a leste do Japão e a primeira do mundo a receber o ano novo, um grupo de pessoas de todas as idades se reveza carregando um altar dourado nas costas. Dentro, há ouro e os frutos da colheita, que devem chegar até o templo para oferenda.

O matsuri é um festival que celebra a colheita e a fartura do verão e também reza para que as colheitas continuem abundantes. “A natureza nos deu o que comer sem pedir nada em troca, o mínimo que podemos fazer é agradecê-la”, disse Kunihiko Yamada, meu Host Father do último fim de semana.

Antes de todas as refeições, os japoneses agradecem a natureza e a quem preparou a comida com a palavra “Itadakimasu”.

As duas religiões majoritárias no Japão são o Budismo e o Shintoísmo, crenças ligadas à natureza e às estações do ano. A fé é um dos principais motivos que explicam a convivência harmônica entre templos, casas de madeira e cultivo agrícola com tecnologia de ponta e arranha-céus.

A mistura entre shintoísmo e budismo acontece com frequência e, principalmente para nós estrangeiros, é difícil de compreender. Mas em geral ambas buscam o engrandecimento das pessoas através de meditação e honra, além de respeitarem o ritmo da natureza.

O verão, por exemplo, é a estação do ano com mais festivais religiosos para agradecer a fartura. Nas áreas rurais, os habitantes colhem os frutos das colheitas e passam as tardes inventando atividades recreativas. Nas grandes cidades, as celebrações acontecem quase toda a semana e vão de shows de fogos de artifício até festas tradicionais como Omatsuri.

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