Práticas permitem a limpeza do cabelo com pouco ou até mesmo sem o uso de shampoos

As técnicas de “no poo” e “low poo” são alternativas para fugir de substâncias encontradas nos shampoos que danificam o cabelo

Lorraine Massey, divulgadora das técnicas de no/low poo no livro Curly Girl. Foto: Divulgação
Reportagem: Bruno Caron | Edição: Marcia Faustino

Lavar o cabelo requer cuidados e, normalmente, eles estão associados com o uso de substâncias químicas, presentes nos shampoos. Essas substâncias, porém, podem prejudicar a saúde dos seus fios e da raiz capilar. Os shampoos convencionais — em sua maioria — possuem sulfato e derivados de petrolato (parafina líquida, óleo mineral, vaselina) em sua composição. Essas substâncias acabam eliminando a proteção natural do cabelo e deixando os fios fracos e ressecados. O sulfato, que é responsável pela formação da espuma no momento em que o cabelo é lavado, também remove os lipídios naturais do cabelo e do couro cabeludo, responsáveis pela sedosidade e proteção capilar.

Práticas como low poo e no poo procuram reduzir ou eliminar os danos aos cabelos que substâncias como o sulfato e a parafina podem causar . O low poo (low=pouco; poo=shampoo) consiste na redução do uso de shampoo, que sempre deve ser sem sulfato. Já no no poo (no=sem) é o abandono do uso do shampoo na limpeza e ele é substituído pelo co-wash (lavar com o condicionador. No co-wash é evitado o uso de produtos com silicones insolúveis, pois estes não são limpos pelo condicionador. As técnicas foram divulgadas no livro Curly Girl, escrito pela cabelereira Lorraine Massey.

Atualmente, é possível conseguir informações sobre as técnicas em diferentes meios, como Blogs, vídeos no Youtube, sites especializados, grupos e páginas do Facebook. Amanda Pedrazzoli aderiu ao no/low poo há mais de sete anos e é administradora de um dos maiores grupos sobre o tema no Facebook: No / Low Poo, com mais de 70 mil membros. Ela conta que conheceu a técnica em 2007 no Orkut, em uma comunidade chamada Cabelos Cacheados, especificamente no tópico “Não aos shampoos”. “No começo torci o nariz, mas depois resolvi experimentar”, complementa.

Amanda relata que estava atrás de uma solução para o seu cabelo, ressecado e sem definição, e mesmo após diversos tratamentos, não conseguia o resultado desejado. “Tentei como última salvação. Eu já acompanhava a comunidade de cabelos cacheados há tempos, fazia hidratações regulares, experimentei várias técnicas de finalização, diversos produtos, mas nada dava jeito”, comenta.

Sobre as classificações e como se enquadraria dentro das técnicas, ela explica que depois de um tempo há uma adaptação do cabelo à rotina e que, por vezes, saem das classificações de regularidade do uso dos produtos. “Normalmente faço co-wash e eventualmente uso shampoo, apenas na raiz. Às vezes a cada 15 dias. Só quando realmente sinto a necessidade.”

Segundo Amanda, o crescimento de interesse por essas práticas foi gradual, com perguntas sobre o tema em grupos de cabelo em geral, mas com o tempo começaram a surgir blogs, vlogs e grupos especializados no assunto. Em decorrência do aumento de público que é adepto a essa rotina diferenciada, o mercado também se transformou para os novos clientes. “Os produtos importados eram inacessíveis para a maioria. Hoje, muitas marcas investiram no segmento, é possível encontrar produtos em todo o Brasil e os preços não são elevados”, lembra.

Brenda Rezende é iniciante no low poo e conheceu a técnica há seis meses pelo Facebook, quando procurava alternativas para reconstrução do cabelo, que já havia passado por diversos processos químicos. “Fiquei surpresa com a quantidade de substâncias no shampoo que poderiam prejudicar o cabelo. Para cabelos prejudicados pela química como o meu, o low poo ajuda a fazer a limpeza sem tirar substâncias importantes para proteger nossos fios e o couro cabeludo”, relata.

Dicas sugeridas pela Amanda e pela Brenda para interessados em começar com o no/low poo:

1. Estude muito, leia muito, realmente “namore” as rotinas antes de começar;

2. Nos grupos específicos dessas técnicas, existem vários tópicos bem explicados, com indicações de produtos para começar. Portanto, é importante acompanhar os lugares onde esse tipo de informação é divulgada;

3. É muita informação e fica fácil se perder, então tenha calma. Dá vontade de sair testado tudo, mas contenha a ansiedade e mantenha uma rotina simples no começo para poder observar a reação do seu cabelo a cada coisa nova;

4. Se possível, mantenha um diário com a evolução e resultado de cada coisa que testar, melhor ainda se mantiver um registro fotográfico;

5. Conhecimento sobre o próprio cabelo é a chave de tudo.

Veja mais:

Jornal Rádio Comunicação: Técnicas permitem limpeza de cabelos com pouco ou sem xampu

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