Refúgio em si mesmo

Enquanto algumas pessoas gostam de estar sempre cercados de amigos, outros preferem a própria companhia. São os introvertidos

Uma pessoa introvertida pode apreciar a companhia de outras pessoas, mas precisa passar um tempo sozinha para ter bem-estar (foto: Douglas Maia)
Reportagem: Milena Alves | Edição: Thaíssa Falcão

Você sente necessidade de um momento de solidão após interações sociais? Conversas triviais te deixam desconfortável? Costuma se perder em seus próprios pensamentos? Caso tenha respondido “sim” a estas perguntas, pode se considerar uma pessoa introvertida. Introvertidos sentem certo desgaste ao interagir com outras pessoas, mesmo que a companhia seja agradável. O que não significa que são tímidos ou antissociais, eles apenas se sentem à vontade com sua própria companhia e precisam de momentos a sós para recuperar as energias.

Em uma sociedade cada vez mais acostumada com a exposição pessoal, como se pode ver nas redes sociais, e que valoriza a extroversão como ideal, a introversão pode causar algumas dificuldades. Foi assim com Leonardo Stefan, 19 anos: “Sempre tive dificuldade para conhecer pessoas ou conversar com quem já conhecia. Quando menor, eu era sempre o garoto isolado”, conta. A mudança começou na adolescência, quando Leonardo entrou para o Movimento Escoteiro, começou a fazer teatro e estudou em uma escola que tem como metodologia o trabalho em equipe. Estas situações o ajudaram a fazer amigos e se expressar melhor, mas a introversão continuou a fazer parte da sua personalidade “até hoje, quando conversam comigo, eu escuto mais do que falo”, admite Leonardo.

Outra pessoa que se considera introvertido é Guilherme Wistuba, 18 anos “Sempre me considerei assim, pois sempre fui mais quieto que os outros”, revela. Entretanto, isso não foi um obstáculo “ficava nervoso para apresentações de trabalhos ou outras ocasiões em que precisasse me expressar em público, mas não tive nenhum grande prejuízo por isso”. Ainda assim, Guilherme procurou se aperfeiçoar e tem tido êxito. “Nos últimos tempos, tenho me esforçado para melhorar essa característica e tenho percebido resultados”, comemora.

Mas engana-se quem vê a introversão como defeito. A psicóloga Walkyria Fowler explica que “todos nós precisamos de momentos de isolamento, é saudável. Ser introvertido é uma característica da personalidade e deve ser respeitada”. Porém, ela alerta que qualquer comportamento em excesso pode ser prejudicial. “Ser reservado não impede a pessoa de conviver, sair, namorar… Mas, quando gera uma restrição social, quando impede a pessoa de fazer alguma coisa, pode ser visto como algo patológico. A patologia está no excesso”, esclarece Fowler, que indica terapia com psicólogo como tratamento para os casos mais graves.