Suspensão corporal alia prazer e dor

Prática tem crescido na região sul nos últimos anos e o Jornal Comunicação conversou com um praticante do esporte, tido como hobby.

Reportagem: Júlio Boll | Edição: Thaíssa Falcão
A primeira vez que Rafael praticou a Suspensão, ele ficou quase 45 minutos suspenso (Foto: Arquivo Pessoal Rafael Rodrigues)

Você é deitado e múltiplos ganchos são inseridos em torno dos ombros, antebraços e costas, bem como ao redor dos joelhos. Com auxílio de cordas e roldanas, seu corpo começa a ser levantado para ficar suspenso, por uma hora. Parece cena de filme de suspense, mas estamos falando da suspensão corporal, uma prática tida como esportiva que conquistou adeptos no decorrer dos anos.

Mais comum em São Paulo, a suspensão está sendo importada aos poucos para o Paraná. Um dos pioneiros da prática é Rafael Rodrigues, 33, que já participa de sessões desde 2004. “Não tive nenhuma preparação específica, me convidaram e eu já estava com isso na minha cabeça. Fiquei quase 45 minutos suspenso, não tem como explicar”, conta. “É como você perder a virgindade, sente-se uma emoção, algo muito forte”, compara.

Após ver a prática em um programa de TV, que na verdade refletia sobre superação, Rafael descreve a suspensão em sua vida como uma forma de sentir a liberdade. “Você sente adrenalina, é como se você fosse intocável — você, seu corpo e o ar… essa sensação de tocar em nada traz uma liberdade muito grande”.

A psicóloga Desiree Marrie, 29, frisa que é importante a pessoa saber que extrair prazer da dor é algo incomum “É um tipo de distúrbio, mas que pode ser revertido positivamente. Se a pessoa consegue tirar algo bom dessa prática, não há porque discordar ou deixar de recomendar”, reitera.

Aceitação e preparação

O acompanhamento médico e a preparação física e psicológica são essências para a prática da suspensão (Foto: Arquivo Pessoal Rafael Rodrigues)

Rafael acredita que a suspensão é um exemplo de que o nosso corpo tem uma resistência maior do que imaginamos “Cito sempre os monges e budistas, que meditam por horas sob o gelo, o fogo… é a mesma coisa”, acredita. Mas como qualquer prática que exige muito do participante, o ritual de preparação deve ser seguido: a pessoa deve evitar bebidas alcoolicas por um período de um mês, ter alimentação saudável, não pode ter pressão baixa e nem qualquer tipo de problema cardíaco. Além disso, a prática deve ser feita a cada 40 dias — para que o corpo se adeque novamente à realidade e para diminuir a possibilidade de infecções.

“A única dica que dou é acompanhamento médico e psicológico. Como é algo de alto risco, por envolver a incursão de algo no corpo, a pessoa precisa de cuidado redobrado com higiene, para evitar infecções. Isso sem falar na dor, para que não se torne um vício descontrolado”, aponta Desiree. “Se a prática for com o profissional correto, é praticamente indolor… é mais o susto do que a dor mesmo”, conta Rafael.

Por fim, o apoio dos mais próximos é fundamental, de acordo com Rafael. “Minha família tinha muito medo no começo, mas depois que mostrei o vídeo para a minha mãe em que eu parecia gostar e me sentir bem suspenso, ela passou a aceitar numa boa”.