É preciso quebrar o ciclo de violência contra a mulher

“A violência doméstica contra a mulher é cíclica. Começa com uma ofensa verbal, uma ameaça, uma lesão, chegando na pior das possibilidades, a um feminicídio”.

A explicação é da delegada da Delegacia da Mulher de Pouso Alegre, Lucila de Gois Vasconcelos. Na frase, Lucila explica o maior agravante na violência contra a mulher: o ciclo de agressões que começa aos poucos e só piora com o tempo.

Feminicídio é o termo utilizado para definir assassinatos em que a vítima é morta por ser mulher. Esta semana um feminicídio chocou Pouso Alegre: uma adolescente de 14 anos foi morta por estrangulamento pelo namorado. O suspeito confessou o crime. As investigações da Polícia Civil mostram que o relacionamento dos dois já era conturbado. Mensagens no celular da vítima confirmam uma relação de ameaças por parte do namorado.

O revoltante caso faz parte do ciclo de violência citado pela delegada Lucila.

“A violência é cíclica porque há o momento do crime, há o momento de rompimento. A vítima vai procurar algum meio de se separar. Depois de um tempinho, o parceiro ou marido vai procurar a mulher, vai dizer que vai mudar, e ela acaba aceitando, devido à inúmeras circunstâncias — dependência psicológica, financeira, filhos, etc. A vítima acaba voltando, só que novamente começa o período de tensão que termina em um crime mais grave”, explica.

Lucila alerta que ao menor sinal de violência física ou psicológica, a mulher deve denunciar o agressor por meio de um Boletim de Ocorrência e solicitar uma Medida Protetiva.

“A prática nos mostra que o melhor meio de se coibir crimes mais graves é pedir a Medida Protetiva. Com ela, nós solicitamos uma determinação judicial para proibir o agressor de se aproximar da vítima e de seus familiares. Ele fica proibido de frequentar lugares em comum, de ligar ou de manter qualquer comunicação com a mulher”, comenta.
Delegada da Mulher de Pouso Alegre — Lucila de Gois Vasconcelos

A delegada reforça também que a Medida Protetiva tem se mostrado a ação mais eficiente contra a evolução da violência doméstica e o agravamento para um feminicídio.

“Este é um instrumento da Lei Maria da Penha. Nós temos uma estatística de que 97% das vítimas de feminicídio não tinham medidas protetivas. Esta é a prova de que a proteção é extremamente eficiente e muito importante para coibir crimes mais graves”, ressalta.

Apoio e dificuldades

Além de medidas jurídicas e policiais, as mulheres vítimas de violência contam com uma rede de apoio em Pouso Alegre. Além do CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), a cidade também possui uma ONG dedicada ao atendimento de vítimas — o Centro Integrado de Apoio à Mulher de Pouso Alegre e Região (CIAMPAR).

Lucila enfatiza que as mulheres não estão sozinhas!

Nós temos uma rede aqui em Pouso Alegre de apoio à mulher. Nesta rede, nós trabalhamos de forma integrada com o judiciário, com o Ministério Público, com a Defensoria Pública, a Polícia Civil e também com os CREAS. Dentro dos CREAS temos um setor direcionado ao atendimento às vítimas de violência doméstica. Lá tem assistente social e psicóloga, disponíveis para atendimento dessas ocorrências. Além do CIAMPAR que presta todo o apoio”, conta.

Mesmo com a grande rede de apoio, as dificuldades para a mulher romper o ciclo de violência são muitas.

“Tem a dependência psicológica, financeira, filhos, ela se sente ameaçada, tem medo da reação do agressor. São inúmeros os fatores que dificultam. Tem a cultura machista também, que dificulta muito”. Com estes fatores, muitas vezes, as mulheres julgam que é “normal” sofrer violência do parceiro. “Às vezes elas acham que estão sendo violentadas mas as coisas são assim mesmo. Não são assim! Ela tem que denunciar!”, enfatiza a delegada.

DENUNCIE!

O melhor caminho para a denúncia é registrar o Boletim de Ocorrência. Em casos urgentes, ligue para 180 ou 190, a Polícia está sempre pronta para prestar todo o apoio.

“O melhor caminho para denuncia é registrar o BO e procurar atendimento na delegacia especializada de Atendimento à Mulher aqui em Pouso Alegre. Nas demais cidades, procure a delegacia de comarca que o delegado irá tomar todas a providências que nós tomamos aqui. Todas as delegacias seguem o mesmo padrão”, finaliza a delegada Lucila.

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