Eleições 2018: Como escolher um bom candidato?

Aplicativos, sites e mídias sociais serão decisivos para os eleitores escolherem seus candidatos

Por Renan Barbosa

As eleições mais conectadas da história. E talvez as mais importantes. Em 2018 o eleitor vai votar no dia 7 de outubro após um verdadeiro processo de “limpeza” ética e jurídica realizada pela Operação Lava Jato.

Além do despertar da população para assuntos políticos, a polarização do país nos últimos anos contribui para grande participação dos eleitores via mídias sociais. Em meio à tanta informação, como fazer boas escolhas?

O jornalista, especialista em marketing digital e secretário de Desenvolvimento de Extrema, Adriano Carvalho, comenta que a tecnologia pode ser altamente benéfica, mas também pode confundir, se o eleitor não souber como encontrar informações confiáveis. O excesso de informações obtidas em uma pesquisa de candidato no Google, por exemplo, pode retornar 27 milhões de páginas, e “isso assusta e confunde o eleitor”.

A parte boa desta facilidade de acesso à informação é que os candidatos com pouco tempo nas mídias tradicionais estão explorando ao máximo o poder das novas mídias.

“Um exemplo é o estreante João Amoêdo, que terá apenas alguns segundos de propaganda eleitoral. A tecnologia substitui as mídias tradicionais e proporcionam a chance de diálogo com o eleitor”, explana e prevê: “os candidatos acostumados ao monólogo podem se surpreender com o novo eleitor nas mídias sociais”.

Para o também especialista em marketing digital e analista de sistemas Samuel Sernaglia, as redes sociais são o maior termômetro que a sociedade pode utilizar para saber dos candidatos. “É uma forma de conhecer de forma mais apurada com quais candidatos o cidadão se identifica, lembrando do problema da Fake News”, diz. Como dica para encontrar informações credíveis, Samuel recomenda ler sempre os comentários dos posts e também a notícia.

O jornalista Adriano Carvalho enfatiza a importância do bom jornalismo para combater as Fake News.

“Nunca o trabalho dos jornalistas profissionais foi tão importante. Nas redes sociais todo mundo se sente um repórter, mas não é bem assim. O profissional de Comunicação tem responsabilidades e cuidados com a notícia, que o cidadão comum não tem. Se você está doente, procura um médico. Se quer se informar, procure a imprensa”, diz.

Ferramentas e aplicativos

Além das mídias sociais bem utilizadas, os eleitores contam com diversas ferramentas digitais para se informar e conhecer o passado dos políticos. Contra as Fake News, sites como E-farsas (www.e-farsas.com) e boatos.org podem ajudar a desconstruir mentiras bem contadas.

Para saber o histórico do candidato, diversas iniciativas surgiram nos últimos anos. Entre elas, Adriano ressalta o Ranking dos Políticos como a preferida dele. “Gosto do Ranking dos Políticos, porque é feito por empresários, jornalistas e profissionais de tecnologia que não estão filiados a nenhum partido. A plataforma traz um balanço com diversas informações dos políticos, vale uma consulta”, ressalta.

O ranking pode ser consultado no site: www.politicos.org.br.

Já para Samuel, outra ferramenta interessante é o Detector de Corrupção, criado pelo site Reclame Aqui.

“A ideia do aplicativo é que você consiga utilizá-lo detectando o rosto do candidato. Com aplicativo instalado no celular, se você está assistindo o debate, ou a campanha eleitoral gratuita, você utiliza o detector do rosto do candidato e o app mostra se ele está mencionado na Lava Jato, se ele está de acordo com a lei da ficha limpa, se responde à algum processo, etc.”, comenta.

O aplicativo pode ser baixado na Apple ou Google Store, direto nos smartphones.

Outra plataforma que pode identificar os candidatos com processos é o site fichalimpa.org.br.


A escolha certa

Para o engenheiro civil Argeu Quintanilha, as ferramentas que identificam o passado do candidato são importantes na hora da escolha, mas é triste a realidade de ter que escolher o menos desonesto, a partir de uma desconfiança total que se abateu na democracia brasileira.

“Infelizmente, a honestidade, que deveria ser um pressuposto pétreo e indiscutível no currículo de um candidato a cargo público, hoje no Brasil foi rebaixada à condição de exceção e pré-requisito”, ressalta.

Argeu, que já foi secretário de obras em Pouso Alegre, aconselha que para fazer a melhor escolha, as pessoas pesquisem a relação do candidato com a região do sul de Minas.

“O eleitor precisa se conscientizar de que os problemas e interesses de seu município e, por consequência, da região em que ele está localizado, dependem muito do conhecimento dos deputados estaduais e federais que serão eleitos, e da vivência deles na realidade de nossa localidade”, ressalta.

Foco em resultados

Neste contexto de escolher políticos que conheçam verdadeiramente os problemas de cada localidade, Argeu recomenda aos eleitores que fiquem atentos à propostas executáveis dos candidatos que escolherem. Ou seja, até onde o representante eleito tem poder de agir individualmente em determinado projeto.

“Governar por coalizão não pode mais significar o esquartejamento do Estado em nome da governabilidade. O Estado precisa ser um corpo único e fortalecido nas metas que trarão a sobrevivência das necessidades da população”, diz.

Adriano Carvalho recomenda outro fator importante na escolha do voto: capacidade de gestão.

“Quando olhamos para estados e cidades que conseguiram atingir um patamar diferente em qualidade de vida e arrecadação, percebemos algumas competências que se repetem: capacidade de planejar e cumprir metas, liderança pelo exemplo, foco no resultado e controle por indicadores”, analisa.

A terceira competência importante para uma boa administração é apontada por Samuel. Trata-se da capacidade de diálogo com os poderes.

“Um cenário onde um político só é taxado como salvador da pátria não existe. O Executivo precisa do Legislativo e ambos precisam de um grupo forte, com boas intenções, com uma boa estratégia política para poder fazer a diferença, explica.

Em meio à tantas informações e possibilidades, a grande esperança de um futuro melhor se baseia no fato de que o brasileiro desta vez está, de fato, interessado em fazer a diferença por meio do voto.

“Eu acredito que principalmente essa nova geração é uma geração que já está mais amadurecida. Isso principalmente pela presença digital no dia a dia, no nosso cotidiano, hoje a gente tem acesso à informações que não dependem exclusivamente da grande mídia”, finaliza Samuel.
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