ESPECIAL DIA DAS MÃES 2019: DIFERENTES… E AO MESMO TEMPO TÃO IGUAIS!

Mães de diferentes gerações falam de suas experiências com a maternidade

Eliana Silva

Neste mês dedicado às mães, o Jornal Domingo ouviu três mulheres de Pouso Alegre sobre a experiência delas com a maternidade e educação dos filhos. Leda (62), Evanise (49) e Talita (28) se tornaram mães em épocas diferentes e por isso educaram e educam seus filhos cada uma a sua maneira. Mas uma coisa é certa: apesar da diferença de gerações, no que diz respeito ao amor incondicional que sentem pelos filhos e ao instinto protetor nada muda. Mãe é sempre mãe!

Foi na tranquilidade da Ipatinga dos anos 80, na região Norte de Minas onde morava, que Lêda Maria de Oliveira J. Ribeiro (62), na época com 26 anos e dois de casada, teve sua primeira filha — Mariana (36). Já em Pouso Alegre, nasceu sua segunda filha — Maríllia (32).

“Sou aquela mãe coruja, protetora, que gosta de ter as filhas sempre por perto. Nasci para casar e ser mãe. Valorizo muito a família e a presença constante da mãe e do pai em uma casa”, conta Lêda Oliveira.

Para ela a maternidade é uma bênção de Deus. “Minhas duas gestações foram os momentos mais felizes de minha vida. Não esqueço até hoje a carinha de minhas filhas quando nasceram”, recorda a aposentada que é encantada pela neta Ana Clara, de 11 anos. E completa: “se fosse para começar de novo, iria repetir minhas escolhas. Sou muito feliz e realizada”, comemora.

Lêda com as duas filhas, a neta e o marido. “Nasci para casar e ser mãe”.

Muito diálogo regado a exemplos, religião e virtudes.

Evanise com as três filhas: Sophia, Júlia e Elisa.

Mãe de Elisa (25), Júlia (22) e Sophia (14), a contadora e empresária Evanise Faria Uveda (49) conta que, apesar de ter estabilidade financeira e acreditar que já era madura o suficiente quando teve sua primeira filha, aos 24 anos, passou por momentos difíceis na época.

“Não foi um momento fácil para mim, mas minha filha só me fez crescer. Ser mãe foi um dos mais belos presentes que Deus me concedeu. A maternidade me ensinou que devemos viver sempre com responsabilidade, mas com muito amor e doação para o outro. Ser uma boa mãe é tentar doar tudo o que temos de melhor”, frisa.

Ela se descreve como uma mãe que gosta de conversar, agradar, embora deixe claro que não é de paparicar. “Estou sempre presente quando minhas filhas precisam de mim para qualquer coisa, mas entendo que os filhos precisam aprender a crescer para a vida”, ressalta.

Quando se trata de corrigir as filhas, diz que sua postura é sempre de conversa. “Nunca precisei passar de um diálogo com as minhas filhas. Baseio-me muito na educação da minha mãe que sempre foi de muito diálogo. A marca da educação pra mim é um bom diálogo regado a exemplos, religião e virtudes”.

Para Evanise o desafio de ser mãe atualmente é estar presente e orientar para que os filhos saibam discernir entre o certo e o errado no que a mídia global apresenta. “O que está faltando na educação dos filhos hoje em dia é presença de coração, companheirismo e diálogo”, opina.

Mãe aos 15 anos

Talita com os filhos Augusto e Yasmin

Uma mãe que “se vira nos 30” e que não deixa se abater pelas dificuldades do dia-a-dia. Assim é a enfermeira Talita Aparecida da Silva (28) — mãe de Yasmin (12) e Augusto (05). Se a adolescência já é por si só uma fase difícil, em que não se é criança e nem adulto, imagine engravidar nesta fase de mudanças físicas, psicológicas e sociais? Foi o que aconteceu com ela que ficou grávida aos 15 anos. Estudante do 1º ano do Ensino Médio, morava com a mãe, o irmão e o padrasto.

“Tinha uma vida normal, como de qualquer outro adolescente. Era meu primeiro namorado. Fiquei apavorada ao saber da gravidez, pois sempre tive muito medo da minha mãe. Mas tive o apoio dela que, mesmo muito brava com a situação, não me desamparou”, relata.

Talita diz que ser mãe a tornou uma pessoa “200% melhor”, mais responsável e madura. “Tudo é muito mais difícil quando a gente se torna mãe. Muda a vida, a rotina. Chegar cansada do trabalho e ter que cozinhar, lavar roupas, levar filhos ao médico, à escola… Mas não faço ideia de como seria minha vida sem filhos. Tenho certeza que eu não seria feliz como sou hoje”.

Segundo ela, a educação que procura dar aos seus filhos se resume em limite. “Não gosto e nunca achei legal crianças que são criadas sem limites, sem correções, como aquelas que se jogam no supermercado e esperneiam para ganharem algo. Sou um pouco brava! Bastante, para falar a verdade. Desde sempre procurei não mimar nenhum dos meus dois filhos e faço o possível pra que uma ‘olhadinha’ já sirva como resposta. Busco sempre o melhor pro futuro deles. Tento ser um pouco mais parceira e amiga, liberal na medida do possível. Crio buscando o máximo de independência de ambos, pois sei que isso os ajudará muito lá na frente”.

Talita lembra que quando repreende e chama a atenção dos filhos é sempre pensando no melhor para eles. “O futuro dos nossos filhos dependerá 100% do que plantarmos agora. Ensinar o que é certo e errado, repreende-los quando preciso, orienta-los da melhor maneira é nosso dever. Se não ensinarmos e educarmos agora, a vida fará isso por nós lá na frente e tenho pra mim que aprender com a vida é mais difícil do que aprender com os pais no decorrer dela. Amor é tudo isso e o meu por meus filhos é incondicional”, finaliza.