Jornal Domingo
Mar 25 · 4 min read
Dra. Isabella de Oliveira Fadoni — médica do Espaço Viver Bem da Unimed Sul Mineira

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) ou Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) são um grupo de doenças causadas por vírus, bactérias e outros microrganismos que são transmitidos principalmente, mas não exclusivamente, pelo contato sexual (oral, vaginal ou anal) desprotegido. Algumas das doenças que compõem esse grupo ainda possuem outras formas de contágio, como: gestação, trabalho de parto, amamentação, compartilhamento de objetos de higiene pessoal, seringas e hemoderivados.

Essas doenças possuem alta prevalência na população e o número de casos costumam aumentar nesta época do ano, por isso é necessário ficar atento aos sinais e sintomas dessas enfermidades. As manifestações físicas que são comumente associadas são: corrimentos vaginais e penianos (“uretrais”), dor ou sangramento durante relações sexuais, prurido e lesões de pele em genitais ou cavidade oral e anal (bolhas/vesículas, verrugas e úlceras).

São consideradas IST’s: gonorreia e clamídia, herpes genital, papiloma vírus humano (HPV), sífilis, hepatite B e vírus da imunodeficiência humana (HIV). Todas elas podem ser evitadas com medidas de proteção: o uso dos preservativos (femininos e masculinos).

O aparecimento de corrimento vaginal ou uretral de aspecto purulento e odor fétido deve sempre ser avaliado por profissional de saúde por sugerirem gonorreia e clamídia. No entanto, necessitam de serem diferenciados dos corrimentos fisiológicos e dos causados por outros germes que não são considerados IST’s, como a candidíase e a tricomoníase. Além disso, para cada tipo de corrimento existe um tratamento específico com medicações orais ou tópicas, por isso, faz-se necessária a avaliação médica.

Diminutas lesões vesiculares/bolhosas, agrupadas e com conteúdo líquido claro em seu interior, quando presentes, sugerem herpes genital. O herpes genital é causado por um vírus diferente, porém da mesma família, do vírus do herpes labial. Estas lesões devem sempre causar uma alerta pois são muito contagiosas, ainda mais quando se rompem! Além disso, uma vez contraído o vírus ele permanece para sempre no organismo, podendo ser reativado diante de momentos de estresse intenso e baixa imunidade.

As verrugas genitais são características marcantes do HPV. Estas lesões são conhecidas popularmente como “crista de galo” e são altamente contagiosas. No entanto, fique esperto: a maioria das infecções do HPV podem ser assintomáticas tanto no homem quanto na mulher e, por isso, essa doença é tão traiçoeira! Existem mais de 200 tipos diferentes do vírus do HPV, no entanto, 4 deles são os responsáveis por 80% dos cânceres de colo de útero e é para estes 4 vírus principais que existe disponível a vacinação. A prevenção pode ainda ser realizada a partir do uso de preservativo e o rastreamento da doença é feita pelo exame preventivo (“citopatológico”) de colo de útero, conhecido como “Papanicolau”.

Lesões ulceradas necessitam sempre de uma atenção extra, são sugestivas de sífilis. A sífilis possui 4 estágios, cada um com seus sinais e sintomas específicos. A sua primeira manifestação geralmente se dá por meio de lesões ulcerativas, indolores, que aparecem de 10 a 90 dias após a exposição e desaparece sozinha em poucos dias! Nas mulheres, por causa da anatomia do órgão reprodutor é mais difícil de serem percebidas. Essas lesões quando presentes são extremamente contagiosas e seu desaparecimento espontâneo não indica resolução da doença, ao contrário, o inimigo apenas está bem escondido e pode voltar a atacar muitos anos após o contágio! Manchas pelo corpo, principalmente em mãos e pés, febre, ínguas e mal-estar podem aparecer até cerca de 6 meses depois das lesões iniciais. Após isso, ela pode permanecer assintomática de 2 a 40 anos e, então, vir à tona com manifestações cutâneas, ósseas, neurológicas e cardiovasculares gravíssimas, podendo levar a morte. Se presente durante a gestação pode causar danos irreparáveis à criança, em decorrência do alto risco de contágio durante o período gestacional, portanto o rastreio é realizado de rotina no pré-natal.

A hepatite B geralmente cursa assintomática ou com sintomas inespecíficos que podem aparecer de 1 a 6 meses após a infecção. Dentre os sintomas estão: pele e/ou olhos e mucosas amareladas, febre, alterações de cor em fezes e urina, dor muscular, entre outros sintomas que podem ser facilmente confundidos com os de outras doenças. As principais complicações são: hepatite crônica, cirrose, câncer de fígado, coma hepático e óbito. Ela pode ser transmitida também pelo compartilhamento de objetos de higiene pessoal, como seringas, lâminas de barbear, alicates de unha e escovas de dentes! A prevenção é favorecida pelo esquema vacinal com 3 doses (disponível no SUS).

Na infeção pelo HIV não há cura como nas demais IST’s, mas existem medicações para controle da evolução da doença. Essa infecção comumente permanece sem se manifestar durante muitos anos. O vírus do HIV age silenciosamente e ataca justamente as células de defesa do organismo. Ou seja, ele destrói aos poucos todas as células que poderiam ajudar a conter essa e outras doenças. Por isso, as principais manifestações são as infecções repetitivas por outros germes levando a internações recorrentes, altas doses de antibiótico e fragilidade progressiva. O contágio pode ocorrer também durante o parto, aleitamento materno, gestação e contato com hemoderivados.

Na vigência de uma IST, o parceiro deve sempre ser tratado conjuntamente para que ocorra o controle das transmissões e das reinfecções. Na presença de uma dessas doenças as demais também devem ser investigadas.

O uso de preservativo (“camisinha”) é de essencial importância para a evitar o contágio e transmissão de todas as IST’s, além de ser considerado o método mais eficaz atualmente disponível.

Qualquer lesão suspeita deve ser avaliada por médico com finalidade de garantir um tratamento rápido e efetivo. Lembre-se o cuidado deve ser sempre continuado e a prevenção é o plano!

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