“Juntas, somos mais fortes!”

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Jornal Domingo mostra como a união de mulheres pode fazer a diferença!

  • Eliana Silva

Mulheres são como as águas, crescem quando se juntam”. Esta frase popular utilizada por muitos movimentos feministas resume com exatidão a importância da união entre as mulheres, também chamada nos últimos tempos de sororidade. A palavra pode parecer estranha, não está no dicionário, mas nada mais é do que a união e aliança entre mulheres para alcançar objetivos em comum.

A origem da palavra sororidade está no latim sóror, que significa “irmãs”. Por isso mesmo difunde a ideia de “irmandade” entre as mulheres, bem como empatia e companheirismo, buscando desconstruir a rivalidade que sempre foi associada ao gênero feminino.

E para provar que unidas as mulheres são mais fortes, o Jornal Domingo separou alguns exemplos de projetos criados e desenvolvidos por grupos de mulheres nas mais diversas áreas. Projetos estes que ilustram como a união feminina pode fazer a diferença.

Mulheres já trazem consigo, por natureza, uma grande força. Não por acaso, quando se juntam, se tornam um time invencível. Por isso, fica a dica: menos rivalidade e competição. Mais amizade e união mulheres!


Convívio, amizade e solidariedade são marcas da SOS Fraldas.

Mulheres voluntárias dedicam parte de seu tempo na confecção de fraldas descartáveis para pessoas doentes carentes de Pouso Alegre.

Em 2018, a SOS Fraldas produziu e doou quase 190 mil fraldas através do trabalho de 80 voluntárias que se dividem em turnos e se reúnem todas as terças e quintas-feiras.

“Este grupo de voluntárias cresce a cada dia, tanto em quantidade como em qualidade. Juntas, fortalecem a amizade, conscientes da beleza do seu trabalho, pois sabem que melhoram a qualidade da vida de tantos doentes”, comenta Paola Francescato Daniel, presidente da Associação SOS Fraldas.

O trabalho começou há 20 anos através de Vera Lúcia Rennó que, preocupada com uma amiga que sofria a perda de uma filha e sabendo que a mesma possuía uma máquina de fraldas, resolveu chama-la para fazer algo em favor dos doentes e do Asilo Nossa Senhora Auxiliadora. Fazer fraldas foi o meio encontrado por Vera para tirar a amiga da depressão.

Começaram timidamente com a ajuda de mais duas voluntárias — Dulce Caldas e Neusa Funchal — que inclusive arcavam com as despesas com materiais. Reuniam-se uma vez por semana e faziam cerca de 50 fraldas. Aos poucos, mais voluntárias foram chegando e aumentando o grupo. Com o crescimento do movimento, faziam eventos para angariar fundos para a compra da matéria-prima.

Em 2002, a equipe se transformou numa associação sem fins lucrativos e já há alguns anos possui sede no Bairro Colinas de Santa Bárbara. Mantem-se através de doações particulares, bingos e rifas. Atende 165 adultos e idosos, sete adolescentes e 11 crianças cadastrados, e também entidades como Asilo Bethânia da Providência, Asilo Nossa Senhora Auxiliadora, APAE, Creche Foch, Grupo Espírita Sementeira de Luz e Obra do Berço.

“Ser voluntária é partilhar o nosso tempo, nossa alegria, nosso amor, um pouquinho de nós. É não nos contentarmos com a importância do eu, mas antes descobrirmos o poder de nós”, frisa Paola Francescato.

Naninhas do Bem: mais que um passatempo caridoso, uma missão de vida!

Costurar pequenas bonecas de pano, como pequenos travesseiros, para doar a crianças e idosos tornou-se mais do que um passatempo caridoso para o grupo de voluntárias que participa do projeto Naninhas do Bem em Pouso Alegre. Virou mesmo uma missão de vida!

O projeto foi inspirado na ação de uma artesã do Paraná. Em 2015, a artesã Elizandra Amaro pediu autorização para usar a mesma ideia aqui na cidade. Após nove meses, o sonho se tornou realidade graças a ela e também a Waldinei Amaro, Delmaria do Carmo Marinho, coordenadora da Comunidade de Santa Edwirges, e Rosemari Guedes Laurindo Gomes — coordenadora do projeto. Logo, novas pessoas abraçaram a ideia e o corpo de voluntários cresceu. Hoje, em torno de 27 pessoas estão envolvidas no projeto, em sua grande maioria mulheres.

As Naninhas são confeccionadas no Centro Pastoral da Comunidade de Santa Edwiges todas as terças-feiras.

O objetivo das naninhas é levar amor, carinho e esperança a crianças e idosos. O trabalho é abençoado e as pessoas que participam são iluminadas. Desde que começamos com o trabalho só tivemos alegrias e esperanças para continuar”, ressalta Rosemari Gomes.

Ela conta que o trabalho, que é manual, é feito aos poucos, sem pressa, pois as naninhas são delicadas. Depois de prontas, são destinadas as crianças nos hospitais, principalmente Hospital Samuel Libânio, além de creches e asilos. Até hoje já foram entregues mais de duas mil naninhas.

“Entregar uma naninha para uma criança ou idoso significa amor sem fim para cada um dos voluntários. O projeto vem e mostra que a união faz a força e ganhamos sorrisos em troca. Mulheres unidas são a força de um país, mostrando que a delicadeza e o amor podem fazer a diferença em qualquer tempo”.

Os materiais para confecção das naninhas vêm de costureiras, confecções e pessoas que sabem sobre o projeto e ajudam. Além disso, são realizadas rifas para arrecadar fundos para a compra de enchimento, linhas, feltros, dentre outros aviamentos.


Lencinho com Carinho dá apoio emocional e eleva autoestima de mulheres que enfrentam o câncer

Dar apoio emocional e elevar a autoestima de mulheres que estão passando ou passaram por tratamento oncológico. Este é o principal foco de mais um projeto social criado e desenvolvido por mulheres em Pouso Alegre. É o Lencinho com Carinho que por meio da doação de lenços, toucas, cachecóis, turbantes, perucas, almofadinhas, dentre outras ações, colabora para que mulheres se sintam fortes, confiantes e, por que não, belas durante esta fase tão delicada que é o enfrentamento do câncer.

O Projeto Lencinho com Carinho, em sua versão inicial, foi criado por Adriana Turrini, em Ribeirão Preto (SP), em março de 2014. Em Pouso Alegre, foi criado por Nilza Domeneguetti, em maio do mesmo ano. É ela quem coordena o projeto que não tem fins lucrativos e é formado por voluntárias. Para ela, o trabalho é uma demonstração de carinho e incentivo para que as mulheres que passam pela doença tenham incentivo para continuar a lutar.

“O Projeto Lencinho com Carinho acredita que mulheres unidas podem fazer a diferença. E o que temos visto, após anos de trabalho, são mulheres que, apesar de chegarem até nós assustadas e frágeis com o diagnóstico oncológico, ao participarem das atividades vão se tornando mais determinadas, conscientes de sua força interior, cada dia mais belas e confiantes. Isso para nós é motivo de muita gratidão, pois significa que o propósito do projeto vem sendo realizado com louvor”, comemora Nilza.
Desfile das Rosas

Anualmente, são realizados eventos gratuitos de interação, entretenimento e autoestima, a exemplo do Desfile das Rosas, que é um desfile de moda em que as modelos são as mulheres assistidas. Outro evento é o Dia do Cuidado, que é um dia em que profissionais de beleza prestam serviços de beleza, gratuitamente, como manicure, massagem, maquiagem. E neste dia são realizadas ainda palestras com nutricionista, psicólogo, como também dinâmicas motivacionais.

Para poder dar apoio a mulheres que não podem participar dos encontros, foi criado um grupo no Whatsapp chamado “Amigas Guerreiras” onde as mulheres partilham experiências, dicas, informações, motivação e amizade. Atualmente, 86 mulheres mantém contato diariamente, por meio do aplicativo.

“Desde o inicio do projeto temos recebido apoio da população de Pouso Alegre e região através de parcerias, divulgação, doações de tecidos, cabelos e mão de obra voluntária, nos permitindo efetuar uma média de 1.200 a 1.500 doações por ano”, informa.

Criada e organizada por mulheres, Expocriar cresce a cada edição.

A Expocriar é coordenada e produzida por Consuelo Gonçalves e Valéria Melo

Três empreendedoras criativas foram as mentoras da Expocriar — uma Feira Criativa realizada em Pouso Alegre desde 2017 que tem o objetivo de valorizar a arte do fazer. Consuelo Gonçalves, da Ponta de Agulha, Valéria Melo da Valéria Melo Criações e Cândida Cavalcanti, do Ateliê by Candoca, resolveram se unir e convidaram outros artistas criativos que têm trabalhos manuais próprios para expor e vender seus produtos na feira que desde então experimenta um sucesso crescente a cada edição, com visitação girando em torno de 1000 pessoas.

Participaram da 1ª edição 17 expositores. Na segunda, foram 25 e na terceira 41, tanto da área artesanal quanto da área gastronômica. Para a quarta edição, que será realizada nos dias 4 e 5 de maio, serão 45 expositores. Trata-se de um evento cultural completo com apresentações musicais, corais infantis e adultos, oficinas para todo tipo de público, proporcionando um dia de lazer e cultura como em nenhum outro evento na cidade.

A Expocriar é coordenada e produzida por Consuelo Gonçalves e Valéria Melo, com a colaboração de Ciça Amoroso na produção cultural e Luciana Guimarães na coordenação da área gastronômica.

“A idealização da Expocriar foi exclusivamente de mulheres. Hoje a organização acontece de forma colaborativa e é na sua totalidade executada por mulheres. Mas acreditamos que homens e mulheres em igual capacidade criativa possam e devam desenvolver a arte local. Gostaríamos de aumentar a participação masculina nas artes manuais”, lembra Consuelo.

Para participar é necessário se inscrever e passar por uma curadoria. Só são permitidos expositores criativos que fazem o seu próprio trabalho e tem sua própria marca. Não é permitida a representação de outras marcas.

“Os resultados obtidos até agora são excelentes, tanto em vendas quanto em público e também culturalmente. A ExpoCriar é um evento muito importante para a cidade, pois faz girar a economia criativa de maneira real, valorizando as parcerias e o pequeno produtor. Isso é muito importante e é uma tendência mundial”, destaca Consuelo.
A feira experimenta sucesso crescente a cada edição

“N.E.L.A.S — Negócios para Elas” reúne mulheres que empreendem

As fundadoras do grupo: Julia Lopes e Mariana Sayad.

Geração de conhecimento, conexão e troca de experiências. Estes são os três pilares do projeto “Negócios para Elas”, até mês passado chamado Agora é que são Elas, criado em 2018 por Mariana Sayad (jornalista e especialista em gestão cultural) e Júlia Lopes (administradora e especialista em economia criativa) — sócias do Observatório Luneta, uma empresa especializada em economia criativa.

“Percebemos que como empreendedoras mulheres precisávamos fomentar nosso ecossistema. Então, decidimos realizar reuniões e o projeto começou”, conta Mariana Sayad.

Do grupo participam mulheres empreendedoras, empresárias, autônomas, profissionais liberais ou quem quer começar a empreender. Entre 15 e 30 mulheres participam dos encontros que acontecem na Unis em Pouso Alegre e no SIS Coworking em Santa Rita do Sapucaí.

“Em todo encontro convidamos uma mulher para falar sobre algum tema como, por exemplo, empreendedorismo feminino, marketing, redes sociais, gestão de recursos, economia criativa. Depois, cada participante conta um pouco sobre sua experiência nos negócios, fala sobre suas dificuldades, conquistas, compartilha sua história e, por fim, temos o momento do café quando acontecem as conexões entre as mulheres, onde negócios são fechados”, explica Mariana.

Muitas mulheres ainda não sentem segurança de falar de negócios em certos ambientes e os encontros são justamente esse espaço para que elas se sintam a vontade para compartilhar suas experiências, falar de seus negócios com outras mulheres que possam ter passado por situações parecidas. Isso traz pertencimento ao mundo empresarial e ainda a segurança para falar de negócio em qualquer ambiente.

“Os resultados são maravilhosos. A partir dos encontros, negócios entre as participantes são fechados e a cada reunião aumenta o número de participantes e de pessoas de áreas diversas, o que deixa cada vez mais rica a troca de experiência e mostra a vontade das mulheres de cuidar de seu negócio”, diz Julia Lopes.

Uma novidade que acaba de ser lançada é o Podcast Negócios para Elas. Vai ao ar a cada 15 dias e além do spotfy, está disponível nas plataformas do SoundCloud, Android e iOs.

“Abordamos sobre o porquê falar de empreendedorismo feminino, apresentamos o contexto do tema e, para os próximos episódios, vamos ter convidadas para contar de sua experiência no mundo dos negócios e novos temas dentro do é empreender”, adianta Júlia.

Para ela a formação da rede é muito importante, pois cada uma consome o produto ou serviço da outra ou ainda indica para alguém que conhece.

“Isso fortalece todas ao mesmo tempo, faz com que não se olhem como concorrentes. Esse é o exemplo do nosso grupo”, frisa Júlia Lopes.
Encontro realizado em fevereiro deste ano

“Mulheres Empreendedoras do Café” valoriza presença feminina na cadeia do café

Criado neste ano, o Projeto Mulheres Empreendedoras do Café de Santa Rita do Sapucaí /Mantiqueira de Minas é formado por mulheres que estão inseridas em alguma ou mais de uma atividade da cadeia de valor do café, desde sua produção, manejo, colheita, beneficiamento, comercialização e até exportação. O objetivo é agregar valor à produção cafeeira empreendida por mulheres, valorizar a presença feminina, trocar experiências e fortalecer as decisões.

O grupo, integrado por 15 produtoras, se reúne regularmente para discutir e debater soluções e “cases” que envolvem a cadeia cafeeira. E no próximo dia 21, o grupo realiza o 1º Encontro Mulheres Empreendedoras do Café, no Teatro Inatel, em Santa Rita do Sapucaí. (mais informações em https://empreendedorasdoca.wixsite.com/empreendedorasdocafe).

“O objetivo do encontro é discutir o cenário nacional do café, fortalecer a participação feminina e divulgar os “cases” de sucesso destas mulheres lindas e fortes”, conta Marina de Castro Barbosa, integrante do grupo de Mulheres Empreendedoras do Café e idealizadora do evento. Ela é extensionista de Bem Estar da EMATER de Santa Rira do Sapucaí e autora do livro Delicias do Café.

O grupo se fortalece a cada dia pela troca de experiências, atividades realizadas coletivamente, reuniões e rodas de conversa regadas a ótimos cafés onde são discutidos assuntos relevantes e encontradas soluções conjuntas. Para Marina, em se tratando de um grupo tão novo, os resultados estão acima do esperado. Já foram muitas conquistas, sonhos e planejamento conjunto de atividades.

Ela destaca que a grande importância desta união é o fortalecimento, pois uma ideia discutida resulta em uma ação aprimorada e em mulheres empoderadas.

“A participação no grupo nos torna fortes, motivadas e acreditadoras de nosso potencial. Este grupo é a prova de que a união faz a força. Cada uma com suas especificidades, experiências, vivências. No grupo isso é potencializado, ocorre inclusão, trocas e formação de um capital social tão grande que uma sozinha não seria capaz de gerar. O melhor de nós é nosso coletivo”, conclui.
O objetivo do grupo é agregar valor à produção cafeeira empreendida por mulheres, valorizar a presença feminina, trocar experiências e fortalecer as decisões.