O alto preço dos Planos de Saúde

10% e 19%, estes foram os reajustes para os Planos de Saúde empresarial e de pessoal física, respectivamente. Já os planos coletivos estão aumentando em média 18%, contra 22% no ano passado.

Na prática, todos estes números estão resultando na queda de pessoas com convênios médicos, empresas que reduzem os benefícios dos planos dos colaboradores e encolhimento do setor. Os motivos para os aumentos são muitos, e as próprias explicações das operadoras e entidades que regulam o setor são distoantes.

A Abramge, entidade que representa as operadoras, justifica que os altos reajustes ocorrem devido ao impacto negativo da queda de 5,3% do número de usuários. Outro critério considerado para calcular o preços dos convênios individuais é a variação dos custos médicos hospitalares.

Despesas como aluguel e dissídios de funcionários acompanham a inflação geral e poderiam ajudar a baixar o custo, já que a inflação medida pelo IPCA fechou em 2,95%, mas, como a Abrange não leva este dado em conta, os resultados da baixa inflação não impactam o setor.

Outra entidade que regulamenta os preços é a Agencia Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Foi esta entidade que determinou um acréscimo de 10% no preço dos convênios voltados à pessoa física. O Idec, organização de defesa do consumidor entrou na justiça defendendo um reajuste de 5,7%, com base no IPCA-Saúde, mas a ANS manteve o percentual de 10%.

Apesar de entidades do setor discordarem em alguns pontos, o mercado de Planos de Saúde é regulamentado desde 1998 pela Lei dos Planos de Saúde. O consultor de benefícios e diretor da NORT Apercon, Leonardo Askar, ressalta que a lei colocou normas importantes para os convênios.

"Temos bons competidores em toda a cadeia, mas viemos de um legado sem regulação onde as empresas ditavam as regras para consumidores e prestadores de serviços, com a Lei dos Planos de Saúde o cenário é favorável ao cliente, mas ainda temos muito a amadurecer", comenta.

Melhorias no setor

Os números realmente mostram uma necessidade de amadurecimento do setor. E em meio às discordâncias, as operadoras têm buscado soluções que estejam mais de acordo com o bolso e necessidades dos consumidores.

Leonardo explica que as opções de contratação devem cada vez mais atender a públicos com necessidades específicas.

“Não existe plano bom ou ruim, existe solução adequada a cada necessidade. O ideal é o cliente buscar orientação de um profissional qualificado e independente. O mercado vem estudando formas de suprir a deficiência de ofertas de planos individuais. Em todo caso, acredito que somente após a ANS ceder às operadoras a mesma autonomia que possuem nas carteiras de Planos Coletivos é que o cliente terá melhores ofertas”, explica.

Ofertas por planos modulares devem ser aprovadas como reação do setor à queda do número de contratos. “A tendência é que aja concentração de mercado e que o cliente tenha planos adequados ao seu perfil de utilização e condição pagamento˜, comenta Askar.

Diante do encarecimento do Plano de Saúde que utilizava, a solução para a empresária Janete Souza Lourenço foi cancelar o convênio que utilizava e buscar uma nova opção. "Alguns reajustes estão na contramão do mercado brasileiro. Infelizmente, a solução está sendo o cancelamento e a procura de planos com um atendimento e custo real de mercado", comenta.

Uso do plano

O uso adequado também é essencial para a melhoria dos Planos de Saúde. Leonardo Askar enfatiza que as pessoas deixam para usar o convênio apenas em caso de doença, quando o correto é utilizar os benefícios principalmente para consultas de rotinas e exames preventivos.

“Atualmente tratamos a doença e suas consequências se refletem nos custos. Temos que promover a saúde através de melhores hábitos de vida e, sobretudo, remunerar o prestador por performance", finaliza Leonardo.