Aborto no Brasil

Pesquisa mostra que uma a cada cinco mulheres já realizou aborto

O aborto ainda é um assunto tratado com tabu e mistérios. No Brasil, a lei permite que se realize o procedimento em casos em que a mulher foi estuprada, se ela correr risco de mortes ou o feto for anencéfalo. Por isso, muitas mulheres recorrem ao aborto de maneira silenciosa e realizam o processo em casa — muitas vezes sozinhas.

Diversas podem ser as razões que levam as mulheres a realizar um aborto. Algumas delas são a gestação em um momento inoportuno, o estado mental e físico da mulher, situação financeira e, principalmente, por ela não desejar ter filhos (ou mais filhos, caso já tenha).

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013, o número de mulheres sem instrução no Nordeste que realizam aborto é de 37%, enquanto o de mulheres com ensino superior é 5%. Ainda conforme o Instituto, 503 mil mulheres entre 18 e 39 anos realizaram aborto em 2015, sendo que 417 mil vivem em áreas urbanas.

Segundo a ginecologista e obstetra, Alessandra Souto, muitas mulheres ainda não têm conhecimento ou não sabem utilizar adequadamente os variados métodos contraceptivos. “Eu já ouvi muito nas minhas consultas mulheres de todas as idades perguntando como se utiliza a camisinha, por exemplo. Outras, engravidaram por não saber que a pílula anticoncepcional pode falhar devido a ingestão de alguns medicamentos”, diz a médica.

Um relatório elaborado pelo governo brasileiro para o evento Pequim +20, em 2015 mostrou que o abortamento ilegal é a quinta causa de morte materna no país. E isso resulta na morte de uma mulher a cada dois dias, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A cada cinco mulheres, uma já realizou aborto. É o que mostra ainda a Pesquisa Nacional de Aborto 2016, feita pelo Instituto de Bioética e pela Universidade de Brasília (UnB) e divulgada na revista Ciência e Saúde Coletiva. A pesquisa foi feita com 2.002 mulheres de idade entre 18 e 39 anos e constatou que uma em cada cinco delas realizou, pelo menos, um aborto na vida.

O estudo ainda traz outro dado alarmante: metade das mulheres aborta usando medicamentos (cerca de 48% das entrevistadas) e metade já precisou ser internada para finalizar o aborto. Esta pesquisa também mostrou que 67% delas têm filhos e 56% são católicas.

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