Guerra santa que mata
Em decorrência do nível elevado de violência a República Centro-africana está entre os cinco países com a menor expectativa de vida no mundo.
A antiga colônia francesa sofre com os frequentes conflitos religiosos desde 2012. Em 2013, as milícias cristãs atacaram violentamente a população muçulmana, o que resultou em uma queda de 7% na expectativa de vida no país e no deslocamento de quase 1 milhão de pessoas (aproximadamente 20% da população do país, na época) para países vizinhos.
O golpe de Estado (o segundo na história do país) em 2013, que exilou o então presidente François Brazze, foi incitado pela principal coalizão política Séléka — predominantemente muçulmana — e desestabilizou o país, tendo em vista que 60% da população é cristã.
Nas primeiras semanas de junho deste ano, os conflitos entre a Séléka e a milícia cristã denominada Anti-Balaka já fizeram com que 100 mil pessoas deixassem o país em busca de sobrevivência, abandonando suas casas e pertences. Najat Rochdi, chefe humanitária das Nações Unidas na República Centro-Africana, afirmou em uma palestra da ONU, que a frequência e a brutalidade da violência no país são as maiores desde 2014.
Os conflitos armados, desencadeados principalmente entre muçulmanos e cristãos, geraram tragédias como aldeias queimadas, estupros coletivos de mulheres e meninas a partir dos 5 anos de idade e morte após tortura. Além disso, em decorrência da disputa de religiões as perseguições étnicas e religiosas são recorrentes no local, gerando recrutamento de crianças para grupos armados e maus tratos em detenções.
O jovem país que se tornou uma república totalmente independente em agosto sofre com a desorganização política, que debilita os setores de saúde e segurança. Epidemias sazonais, crises econômicas de grande proporção e o setor de saúde defasado resultam em uma estimativa de vida até 51 anos (dados da estatística de 2016). Mas o maior problema que a República Centro-Africana enfrenta na última década o crescimento no número de pessoas soro positivo.
Até 2009, estavam infectados pelo vírus HIV 130 mil pessoas. Apenas 0,8% deste total teve acesso ao tratamento antirretroviral antes do projeto Bangui. A iniciativa é uma ação da ONG MSF — Médicos sem fronteiras –, realizado em parceria com o Hospital Comunitário da Cidade. O projeto teve início na segunda metade de 2016 e trata continuamente 100 pacientes com HIV por mês. Com 19% da população infectada, todos os locais apoiados pelo MSF na batalha contra o vírus totalizam 4.813 pacientes em tratamento. A ONG atua na região desde 1997 afirmou que doenças como a Malária também afetam gravemente a população.

