Ir e Vir: O tempo que as pessoas levam para se deslocar pela Regiao Metropolitana de Porto Alegre.

Duas cidades de eixos diferentes aparecem em primeiro e último lugar no índice de tempo de deslocamento das pessoas na Região Metropolitana, consequência da busca de emprego e tamanho da população.

Texto editado em parceria com Cissa Grissutti.

A Região Metropolitana de Porto Alegre tem a quarta melhor mobilidade urbana entre as capitais brasileiras. É o que aponta o Índice de Bem Estar Urbano (IBEU), desenvolvido pelo Observatório das Metrópoles. Mas, mesmo ocupando a quarta posição em escala nacional, isso não ocorre no ranking local. Com 18 mil habitantes, Nova Hartz que encabeça a lista. Com seus 18 mil habitantes, a cidade da região metropolitana da capital dos gaúchos contabiliza a proporção de pessoas cujo tempo diário de deslocamento é inferior a 1 hora. Nova Hartz tem a média salarial de 1,8 salários mínimos e possui um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 726.033,39 milhões. Segundo o índice analisado, a cidade que integra o eixo RMPAVALE (sigla que indica a localização dentro dos eixos da Região Metropolitana de Porto Alegre), é a que demanda de menos tempo de deslocamento, com taxa de 99,7% em proporção populacional.

Ainda assim, a cidade fica numa distância de 99, 8 km de Porto Alegre, o que indica pouca locomoção dos moradores para a capital gaúcha. Dessa forma, sabe-se que quem reside em Nova Hartz trabalha nas imediações ou na própria cidade, que por base vive de agricultura.

Os eixos de Porto Alegre e Região Metropolitana — Fonte: Observatório das Metrópoles

Localizada ao lado de Porto Alegre, Viamão é um exemplo claro de cidade-dormitório, assim como a vizinha Alvorada, que aparece como penúltima no ranking. Por mais que faça fronteira com Porto Alegre, Viamão apresenta o menor índice de deslocamento de pessoas em tempo inferior a uma hora.
Com mais de 239 mil habitantes, Viamão está localizada a 16 km de Porto Alegre, fazendo divisa do leste ao sul da cidade.

Praça da Matriz, Centro de Viamão — Fonte: Beta Redação

Divide território da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com a capital, o que beneficia uma pequena parcela de moradores viamonenses, uma vez que há geração de emprego e também pela presença do anel viário que integra linhas de ônibus de Porto Alegre com linhas de Viamão. Com maior parte da população trabalhando na capital, e até mesmo buscando serviços básicos como atendimento de saúde, a média salarial da cidade fica em torno de 2,5 salários mínimos e o PIB é de R$ 3.090.790,30 milhões. Ainda assim, a cidade tem uma taxa de 74,49% na proporção de pessoas que se deslocam em tempo menor que uma hora. 
A maior parte da população acaba levando mais de sessenta minutos de deslocamento, parte do grande fluxo é para fora da cidade. Viamão possui duas principais saídas para a capital Porto Alegre: A rodovia RS 040 e avenida Protásio Alves. O grande fluxo de veículos próprios e juntando às linhas de ônibus que atendem a população fazem o mesmo trajeto.

E na capital?

Porto Alegre ocupa a 20ª posição no ranking de proporção de pessoas que se deslocam em tempo inferior a uma hora. Com um percentual de 89,92%, a população da capital, mais de 1 milhão e 400 mil habitantes, tem à disposição o trabalho, os recursos e o trânsito de uma metrópole.

Foto: Adriana Franciosi

Ainda longe da realidade de cidades mais populosas como Rio de Janeiro e São Paulo, a capital gaúcha tem renda mensal estimada em 4,2 salários mínimos. O que é um indicador relevante de deslocamento da população da Região Metropolitana. Ainda nesse ponto, quem se encaixa perfeitamente é o eixo RMPAPOA (sigla que indica a localização dentro dos eixos da região metropolitana de Porto Alegre), que trata das cidades aglomeradas ao leste de Porto Alegre, Canoas e parte dos bairros da capital. 
Fator relevante na observação do deslocamento também é o tempo decorrido para chegar ou sair do centro da capital vindo de certas localidades mais afastadas como Restinga, Chapéu do Sol e Lami — bairros localizados na zona sul de Porto Alegre. Podendo demandar até mesmo de um tempo maior do que o do deslocamento de cidades da RMPAPOA.

Observando as duas cidades que estão em primeiro e em último lugar no ranking, um dado importante para observação é a discrepância do número de registros de veículos. Em uma cidade pouco inflada como Nova Hartz, o número de veículos registrados em 2015 foi de 9.809 e em 2016 foi de 10.138. Enquanto em Viamão, o número de registros foi de 110.621 em 2015 e 115.204 em 2016. Já Porto Alegre registrou um total de 820.351 veículos em 2015, e 829.539 veículos registrados em 2016. Esse fator, analisado pela Fundação de Economia e Estatística — FEE, indica a necessidade de locomoção dos eixos apresentados.

O eixo RMPAVALE, representada por Nova Hartz, tem a maior taxa proporcional por pessoas em deslocamento em menos de uma hora, o que indica uma população menor vivendo em condições onde o local de trabalho é próximo. Assim, descaracterizando Nova Hartz como cidade dormitório. Diferente de Viamão, um exemplo de cidade dormitório como outras da Região Metropolitana, que integra o eixo RMPAPOA como a própria Porto Alegre, que conta com uma população cada vez maior e serve de polo de trabalho e de diversos outros serviços aos municípios próximos, característica principal de uma metrópole.

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