O cenário atual da telefonia móvel e fixa no Brasil

A recuperação judicial da OI já completa um ano, dívida da empresa é de 64 bilhões.

De acordo com dados divulgados pela Anatel, o mês de abril registrou uma diminuição de 14,09 milhões no número de linhas de telefone móvel no Brasil, esse número representa uma queda de 5,05% quando comparado com o mesmo período do ano passado.

Das quatro grandes empresas de telefonia móvel — OI, TIM, CLARO e VIVO — , apenas a VIVO apresentou crescimento, tendo um aumento de 802,98 mil linhas. Ainda dentre estas empresas, a que apresentou maior queda foi a OI, com diminuição de 11,75% de linhas, cerca de 5,60 milhões. A OI também é a empresa que vem acumulando mais processos e reclamações por insatisfação perante a Anatel, sendo alvo também de uma recuperação judicial.

Apesar das quedas, em todo o Brasil, o número de linhas em 2017 chegou a 240 milhões, sendo o Sudeste a região com maior número de usuários, possuindo cerca 110 milhões de linhas.

A Telefônica, responsável pela GVT e VIVO, é a empresa que atualmente domina a telefonia móvel.

No lado da telefonia fixa também houve quedas. Em abril, foram 1.494,50 linhas a menos no Brasil, cerca de 3,49%. Novamente, no período de 12 meses, foi a OI a empresa que apresentou maior queda, de 697,10 mil linhas, e o menor crescimento, de 8,78 mil linhas. Atualmente, há mais de 40 milhões de linhas fixas no Brasil. Cerca de 60 linhas a cada 100 domicílios.

A redução no número de linhas fixas é um cenário já previsto por todas as empresas, no entanto a redução das linhas móveis foi uma surpresa. A explicação para isso é a redução das tarifas de interconexão, ou seja, o valor cobrado para ligar de uma operadora para outra diminuiu e não é mais necessário ter mais de um chip para fazer ligações para diferentes operadoras.

A empresa com maior número de linhas fixas também é a Telefônica (GVT e VIVO), sendo seguida pela OI.

Complicações da OI

Dentre as quatro maiores empresas de telefonia no Brasil, a mais caótica tem sido a OI. Desde 2014, a empresa vem liderando no número de reclamações em telefonia fixa junto a Anatel, em 2014 foram 532.777 mil reclamações e em 2016 chegaram a 550.436. Quantidades expressivamente altas, quando comparadas com outras prestadoras de serviços. A VIVO, segunda na liderança de reclamações, teve apenas metade das reclamações que a OI teve em 2016.

No dia 20 deste mês, fez um ano que a OI vem enfrentando uma recuperação judicial que é considerada a maior da história do Brasil. Uma recuperação judicial é pedida quando determinada empresa está à beira da falência e não possui capacidade para pagar suas dívidas. A lei permite que a empresa deixe de pagar seus credores por 180 dias e assim reorganize seus negócios e possa se recuperar. A OI teve sua recuperação prorrogada por mais tempo e agora o prazo final é para fevereiro de 2018.

A dívida já chega a 64 bilhões e o próprio presidente, Marco Schroeder, afirma que cada dia que passa se torna maior a possibilidade da OI sofrer uma intervenção federal. Um acordo com os credores é o mais recomendado, visto que uma intervenção causaria prejuízos para ambos os lados. Embora alguns prejuízos para a empresa já sejam visíveis, após a instauração da recuperação judicial, a empresa perdeu 11,5% dos seus clientes.

A OI corre contra o tempo, pois se não for chegado a um acordo a justiça poderá declarar a falência da empresa.

Por Sarah Coproscki Acosta

Jornalismo de Dados — UniRitter

Reportagens produzidas na disciplina de Jornalismo de Dados da Faculdade de Comunicação Social (FACS) da UniRitter.

    Sarah Coproscki Acosta

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