República Árabe da Síria e a primavera que não vingou

Jennyfer Siqueira
Jul 10, 2017 · 3 min read
Cidade de Aleppo, capital síria, destruída pelo conflito entre oposição e governo durante os seis anos de guerra civil. | Foto: Hosam Katan/Reuters

Por Jennyfer Siqueira.

Ano: 2011. Na África do Norte e no Oriente Médio, países realizavam uma revolução popular contra seus governos autoritários. Dentre eles estavam Tunísia, Egito, Líbia, Síria, Jordânia, Omã, Iêmen e Bahrein — nações lideradas por um longo período ditatorial.

O dia 18 de dezembro de 2010, porém, foi atípico para a Tunísia. Ela entrou para a história desses países depois do ato revolucionário de um vendedor de frutas, conhecido como Mohamed Bouazizi, de atear fogo em seu próprio corpo sob forma de protesto contra a pobreza e a corrupção do regime ditatorial de Zine el-Abidine Ben Ali. O ato foi o estopim para revolta popular conhecida como Primavera Árabe. Dos países envolvidos, apenas a Tunísia, o Egito e a Líbia conseguiram instituir novamente a democracia em seus países no mesmo ano após décadas de ditadura. Em 2014, os pioneiros tunisianos são os primeiros a ir às urnas, depois de 24 anos, votar de forma livre e democrática.

Enquanto os outros países seguem o mesmo caminho da Tunísia, a primavera não chegou ao país sírio. Ele ainda permanece sob regime da mesma família a 47 anos e segue comandada pelo ditador Bashar al-Assad. O país está em uma crise política e humanitária e em clima de guerra civil — desde o levante popular em 2011. Adicione a mistura a ascensão de um grupo extremista opositor famoso por atentados de extrema violência mais conhecido como Estado Islâmico em 2013, espalhando pelo país uma campanha de caos.

Segundo os dados da tabela “Life expectancy at birth”, retirados do site Gapminder, entre o período de 2011 a 2016 a diferença média entre nascer em um país tunisiano e sírio é de quase sete anos — isso se forem mantidas as mesmas condições desde o seu nascimento. A discrepância ocorre a partir do ano de 2011 em que se dá o início da revolução popular onde Tunísia e Síria partem, respectivamente, da esperança de vida ao nascer de 77.10 e 76.50. Enquanto a Tunísia se mantém com o mesmo valor desde 2014, com 77.60 anos, a Síria após o estopim enfrentou uma grande decadência dos níveis tendo em 2014 a menor esperança com 67.20 anos.

Azul escuro: Tunísia - Azul mais claro: Síria| Para ver interativo visite: https://public.tableau.com/views/Expect_Vida_oficial/EvoluodeExpectdeVida?:embed=y&:display_count=yes&publish=yes

A realidade atual síria é um grande contraste com a Tunísia, não apenas pela sua redução na expectativa de vida, como também por estar a seis anos em uma brutal guerra civil. Desde o início da revolução, o país assistiu a morte de mais de 400 mil habitantes e sofreu uma onda de emigração em 2015 na Europa que ultrapassa a marca cinco milhões de refugiados sírios.

Desde a repressão violenta do ditador Bashar al-Assad, ao levante popular de 15 de março de 2011, as armas nunca foram silenciadas. A meia década de embate gerou um país dividido em territórios autônomos, com as regiões mais populosas lideradas pelo governo, outras pelo Estado Islâmico, porém, boa parte se encontra árida e não habitada.

O país árabe, apesar de permanecer em um brutal conflito, tem sua taxa de esperança de vida ao nascer em crescimento. Em 2016, a expectativa de vida de um sírio ao nascer era de 69.21 anos. Mas essa esperança não chega aos olhos da população que permanece sitiado frente às diversas guerrilhas que tomam o país. A ajuda humanitária é pouca. Forças internacionais tentam conter a campanha de caos se aliando a grupos insurgentes. E enquanto isso, o povo sírio ainda aguarda ansiosamente a chegada da primavera.

Jornalismo de Dados — UniRitter

Reportagens produzidas na disciplina de Jornalismo de Dados da Faculdade de Comunicação Social (FACS) da UniRitter.

    Jennyfer Siqueira

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    Jornalismo de Dados — UniRitter

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