Foto: Ennio Brauns

Caminhada lésbica em SP, mostra clima de união e diferentes narrativas da luta de Transexuais e Travestis

por Katia Passos e Léo Moreira Sá, com fotos de Ennio Brauns, para os Jornalistas Livres.

A XIII Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, contou pela primeira vez com a participação das mulheres transexuais e travestis lésbicas e bissexuais não só na marcha, como também na organização e construção do evento.

Para o comitê organizador da manifestação, foi complexo alcançar essa diretriz. “O consenso só foi alcançado depois de mais de uma dezena de reuniões em que as ‘radfens’ (feministas radicais), se negaram a incluir as transexuais e travestis (TT’s) e decidiram sair da organização da marcha por não quererem nem mesmo a convivência”. ponderou uma das coordenadoras da caminhada.

Foto: Ennio Brauns

Disputas internas a parte, somente na reunião final é que os grupos propuseram uma votação em que a vitória unânime se deu pela inclusão no evento de qualquer ser humano que se autodenomine mulher.

Parâmetros, opressão x liberdade de narrativas e ocupação de espaço

Para as lésbicas, transexuais e travestis, toda mulher deve ser acolhida na caminhada independente do seu sexo, o que justifica o tema deste ano do evento: “Nenhuma Mulher Ficará Para trás! todas contra o machismo, o racismo, a bifobia, a lesbofobia e a transfobia”.

A luta de mulheres transexuais e travestis lésbicas se soma às mulheres lésbicas cisgêneras pelo denominador comum da luta contra o machismo e contra as relações de poder opressoras do modo patriarcal.

Há ainda um afunilamento marcado por opressões que se acumulam em gênero, orientação, classe social ou etnia. Exemplo: uma travesti negra, pobre, prostituta e lésbica terá muitas dificuldades para sobreviver na cultura hétero-cis-normativo.

Foto: Ennio Brauns

A caminhada foi marcada por um clima de união, paz e liberdade de narrativas com músicas de protesto sobre aborto, religião e racismo. A multidão de mais de 2000 pessoas marchou da Praça do Ciclista, até o Largo do Arouche, onde um show com atrações musicais acontece agora.

Algumas das bandas que ainda se apresentarão: Anti-Corpos, Quintal de Iaiá, X-So Pretty e a cantora Luana Hansen.

O teatro também fez parte do evento. O grupo Levante Mulher apresentará uma cena da peça “As Rosas Falam” e Yasmin Nóbrega com uma performance de dança.

Foto: Ennio Brauns

Segundo o coletivo lésbico organizador da manifestação, ao longo dos últimos 13 anos, as mulheres lésbicas e bissexuais fazem sua caminhada para romper com a invisibilidade e discriminação a que estão sujeitas nos espaços de poder, na sociedade, e dentro do próprio movimento LGBT.

Após as apresentações artísticas e os discursos das participantes, a manifestação terminou por volta das 22h.

Foto: Ennio Brauns

Colabore com os #JornalistasLivres! Apoie o jornalismo independente e faça parte dessa história! catarse.me/jornalistaslivres

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.