Cultura refugiada

Teatro Oficina convida brasileiros e estrangeiros para noite de música, performances teatrais, comidas e roupas feitas por refugiados

por Oscar Neto, dos Jornalistas Livres


“Aqui no Bixiga tem muitos refugiados, uma nova população que não conhecia o Teatro Oficina. A nossa ideia é trazer esse público que circula aqui na frente, mas que quase não olhava aqui para dentro. Já fazia uns meses que a gente estava tentando trazê-los para cá.”

Nas palavras de Camila Mota, atriz do Teatro Oficina, vê-se uma forma de produzir cultura pouco retratada nos grandes meios de comunicação. A tradicional companhia teatral será o palco neste sábado (4), a partir das 19h, para a apresentação das bandas Satelite Musique — formada por haitianos — e Afreeka — de angolanos e congoleses –, ambas integradas por refugiados destes países.

Antes e entre cada uma dessas apresentações ocorrerão ainda performances teatrais e um manifesto poético do grupo artístico Performatron, criadas a partir de vivências e depoimentos promovidos justamente com refugiados que vivem em São Paulo.

Um dos integrantes das intervenções é Pitchou Luambo, congolês refugiado no Brasil há quatro anos e coordenador do Grists — Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto de São Paulo.

“Antes de entrar no Performatron, eu iniciei na área artística com o filme da Eliane Caffé [diretora de “Um passo para ir”, longa sobre a convivência de estrangeiros e brasileiros no interior de uma ocupação, que deve ser lançado em breve]. É uma nova troca de experiências entre refugiados e brasileiros. Estou aprendendo e gostando demais”, afirma Pitchou.

A festa contará também com a venda de roupas e comidas típicas do Congo, como o fufu (um tipo de massa de fubá) e o caldo verde.

Quebra de estereótipos

A troca de experiências é também a motivação de Conrado Dess, um dos líderes do Performatron. “O contato rompe preconceitos”, afirma Conrado, idealizador do trabalho artístico com os refugiados que, aliás, dará origem a uma peça com estreia prevista para novembro.

“É uma quebra de estereótipos. O mais forte é entender esse choque cultural: às vezes vemos pessoas de outras culturas se comportando de um jeito que não entendemos por estarmos muito fechados. Ao convivermos com elas e mergulharmos em seu universo, compreendemos esse choque de desterro, de mudar de país. Para mim, é muito revelador entender a bagagem que os refugiados trazem — e que são vistas como sobras por brasileiros. Eles têm uma força de trabalho, criativa e artística muito forte. Essa noite será uma oportunidade de exporem a sua cultura para o Brasil e para o mundo”, explica Conrado.

Público

O evento é parte do festival Das bandas do Oficina, que ocorrerá todos os sábados até 15 de agosto (com encerramento no dia 16), sempre com duas bandas por noite, que, de alguma maneira, possuem história com o Teatro Oficina. O convite da casa ao Performatron foi especial depois de conhecer o trabalho teatral que este grupo faz com refugiados de ocupações da Frente de Luta por Moradia (FLM).

Fora o público fiel do Teatro Oficina, é esperada a presença de outros estrangeiros, sobretudo aqueles residentes do Glicério acolhidos pela Missão Paz, organização católica da região. Para estes e também para moradores do Bixiga, a entrada custará R$ 5. Todos os demais pagam meia-entrada (R$ 20).

Será uma grande oportunidade de conhecer e misturar-se sinceramente com gente nova e diferente, algo que aos poucos a cidade de São Paulo vai aprendendo a fazer.

Foto: Marcos Camargo

Serviço:

Evento: Das bandas do Oficina convida: Performatron Quando: Sábado (4), a partir das 19h Onde: Teatro Oficina — Rua Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo (SP) Entrada: R$ 5 para refugiados e moradores do Bixiga (mediante comprovação) e R$ 20 para o público geral Contato: tel.: (11) 3104–0678 — www.teatroficina.com.br
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