E se a campanha do Facebook fosse fascista?

por João Paulo Mehl do Soylocoporti para Jornalistas Livres

#Lovewins é uma boa corrente, pois joga luz em uma importante vitória para os direitos civis nos EUA, com decisão da Suprema Corte que garante o direito ao casamento gay em todos os 50 estados do país. Decisão com potencial de influenciar todo o mundo.

Mesmo sem ter as estatísticas e estudos dos pesquisadores da área, me arrisco a dizer que a bonita iniciativa que o Facebook protagonizou pode ser considerada o maior “viral” da história da internet, se alastrando como um rastro de pólvora através de centenas de milhares de perfis.

Esta potência toda nos leva a alguns questionamentos: Repararam como o “viral” bombou de forma desproporcional? Perceberam como o número de curtir nas fotos é acima da média? Viram como a campanha apareceu muito na sua timeline? A gente não sabe exatamente como isto funciona, já que o algoritmo do Facebook — a fórmula que determina o que aparece e o que não aparece na sua linha do tempo –, é fechado, portanto, não é possível saber exatamente como eles processam e manipulam nossas publicações. No entanto, para além desta campanha, já foram constatadas diversas formas de manipulação na rede, para dar mais ou menos visibilidade para determinado conteúdo. Isto tudo para dizer que o Facebook NÃO é neutro. Ele decide o que é e o que não é visto por milhares de pessoas todos os dias.

Não é possível deixarmos de fazer outros questionamentos: e se eles lançam uma campanha fascista? E se decidem interferir na campanha eleitoral de determinado país? E se eles resolvem fazer testes psicológicos com a gente?

No livro 1984 George Orwell prevê uma sociedade dominada pelo Estado, em 2015 presenciamos o perigo de uma sociedade controlada por uma Corporação multi-nacional, claramente interessada em construir um monopólio global da informação.

Me interessam mais direitos civis, mais informação e mais democracia, controle não.


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