Foto: Ennio Brauns

Mas como é essa Parada de Diversidade?

por Katia Passos, Luiz Henrique Dias e Barbara Borba, com fotos de Ennio Brauns e Pedro Chavedar, para os Jornalistas Livres.

A 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, ocorrida neste domingo (07), teve como tema “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me!” e levou para as ruas da capital, um público estimado de mais de dois milhões de pessoas.

Durante mais de cinco horas, 19 trios elétricos, dos mais diversos segmentos e movimentos de diversidade, além de carros de patrocinadores do evento, percorreram a Avenida Paulista, seguindo pela Rua da Consolação, até a Praça da República, onde uma grande show de encerramento foi organizado para receber os participantes.

Ativistas relembram o caso Verônica

Desde o início da manhã, quando a Parada foi oficialmente aberta com uma coletiva que contou com a presença de autoridades, dentre elas o Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o Governador do Estado, Geraldo Alckmin, foi possível perceber que o tom da Parada 2015, traria a cobrança por fortes demandas sociais, em especial sobre a visibilidade trans.

Foto: Ennio Brauns

Ainda na coletiva, ‪#‎JornalistasLivres‬ abordaram a questão da violência policial no mundo LGBT- relembrando o emblemático caso de Verônica Bolina, torturada pela PM paulista, no 78o DP — e entregaram um dossiê completo sobre o caso a Alckmin, o que causou desconforto a ele e ao Secretário de Segurança Pública, Alexandre Moraes. Imediatamente o governador pediu discretamente aos organizadores da coletiva que parassem de inscrever jornalistas que ainda teriam oportunidade de fazer perguntas. Já ativistas presentes na coletiva, que ocorreu no auditório da Fecomércio, pediram justiça e explicações e providências sobre a situação. Em breve, uma matéria completa sobre o dossiê.

Outro grupo presente na coletiva clamou por mais transparência nas contas do evento. Principalmente depois de organizadores criticarem a gestão Haddad pela condução da política LGBT no município. Mas o próprio Prefeito fez questão de responder os questionamentos e se colocou a disposição ao diálogo, além de propor uma organização compartilhada para a Parada 2016, envolvendo município, movimentos sociais e comunidade LGBT, numa reunião aberta.

Trios para tod@s e a tal diversidade

A partir das 11h da manhã, os 19 caminhões que percorreriam o trajeto da Parada se posicionaram e seguiram em comboio. Em cada carro, um tema em evidência, com destaque para o 5º veículo, dos movimentos sociais organizados, e para o 6º trio, carro que falou da visibilidade trans. Algo inédito no evento.

Foto: Ennio Brauns

No solo, o que se pôde notar foi uma Parada mais plural que nos anos anteriores, não por questões organizativas — em muitos momentos ouviu-se críticas a chamada privatização do evento, em alusão a participação, cada vez maior, de patrocinadores — mas pela presença de diversos segmentos, organizados ou mesmo espontâneos, como transexuais, lésbicas, bissexuais, dentre outros.

Evangélicos contra o ódio que se retroalimenta

Em tempos de Bolsonaros e Malafaias conectados a uma sociedade abastecida de informações preconceituosas veiculadas pela mídia tradicional, o movimento evangélico “Jesus cura a homofobia” fez contraposição à “Cura Gay”.

Fotos: Pedro Chavedar/ EverydayMogi

Vestiam camisetas brancas e se diziam combatedores dos ódio e pregadores do amor e tolerância. Era um grupo consideravelmente grande, se pensarmos que isso não ocorreu em anos anteriores, composto por mais de 100 pessoas e que levava cartazes contrapondo todo o preconceito e o Congresso ultraconservador.

Juventude presente

Um dos fatores que pode ter aumentado consideravelmente a participação do público jovem em relação aos anos anteriores, foi a presença de carros temáticos, que trouxe à avenida, personagens de seriados americanos.

Fotos: Pedro Chavedar/ EverydayMogi

Por outro lado, há também uma percepção de que, através das políticas públicas voltadas à diversidade e à comunidade LGBT, inclusive para cultura do segmento, São Paulo vem se tornando uma cidade cada vez mais gay friendly, ou seja, mais preparada à recepção e atendimento adequado a esse público.

Tais ações, tanto as promocionais como as de políticas LGBT trouxeram para a Avenida Paulista um público hétero, simpatizante ao movimento, mais à vontade para expor seu posicionamento, contribuindo, também, para a diversidade de público no evento.

Paradas pelo mundo

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é considerada o maior evento do segmento no planeta. No entanto, em diversos países, e em outras cidades brasileiras como o Rio de Janeiro, eventos similares ocorrem todos os anos.

Fotos: Pedro Chavedar/ EverydayMogi

Em comparação com outras Paradas, em especial as ocorridos na Europa, a de São Paulo se assemelha pelo engajamento do próprio movimento e do poder público, juntos na luta pela informação adequada como peça chave no combate à homofobia e, também, na celebração da diversidade. Nesse aspecto, as diferenças socioeconômicas entre esses países parece diminuir drasticamente quando o assunto é a garantia dos direitos civis de todos os cidadãos.

A 19a. Parada teve show de encerramento na Praça da República com os organizadores já reunidos para a realização da 20a. em 2016, que sempre promete, e que segundo eles, trará ainda mais diversidade.

Foto: Ennio Brauns

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