Meu batismo nos Jornalistas Livres

Participando de sua primeira cobertura, o economista César Locatelli comandou as redes sociais e foi fisgado pela missão de mostrar um outro olhar sobre a história. Leia seu relato a seguir

Por César Locatelli, especial para os Jornalistas Livres

Cheguei pouco depois do meio-dia para minha primeira cobertura com os Jornalistas Livres: a manifestação de 16/08. As pessoas foram chegando e, de repente, éramos uns trinta com o foco de mostrar o que não seria mostrado em outros meios.

Eu ia ficar na base: um apartamento gentilmente emprestado pertinho da avenida. Fomos caminhando e, ao chegarmos na avenida, ouvimos uma moça de Curitiba chamando a presidenta de “Dilma Vaca Rousseff”. Ela estava em um carro de som da União Nacionalista Democrática que pedia a intervenção “constitucional” das Forças Armadas.

Pensei na sorte de ter escolhido ficar na base para não ouvir insultos assim.

Pouco antes da três, começaram a chegar as fotos, por e-mail, pelas redes, pelos cartões das máquinas de diversos fotógrafos, novos e outros mais experientes. Percebi que o grupo era muito maior e muito mais diversificado do que tinha imaginado. Tínhamos nos dividido e, rapidamente, a produção vinda da rua começou a subir.

A primeira foto divulgada no Twitter mostrava um senhor batendo continência, com uniforme militar de 1932, em um jipe verde escrito U. S. Army. Seguiram: um rapaz vestido de Tio Sam, outro vestido de coxinha, o Secretário de Segurança do Estado, cartazes em inglês, uma senhora com um cartaz em que lamentava terem matado todos em 1964 e outro onde se lia: “Dilma, pena que não te enforcaram no Doi-Codi.”

As fotos continuavam a chegar: um folheto pró-monarquia, cartazes contra Collor, Zé Dirceu, Renan, Lula, Dilma, Toffoli, pela intervenção militar e muitos impropérios contra Dilma. Uma faixa afirmava que somos milhões de Cunhas. Não faltaram selfies com o novo caveirão da PM: um blindado israelense, para transportar 24 policiais.

Um dos primeiros vídeos que publicamos mostrava um sambista, o Boca Nervosa, no carro de som do Movimento Brasil Livre, entoando uma canção com xingamentos pesados contra a presidenta. A galera repetia os impropérios.

A tarde terminava quando começaram a chegar os muitos jornalistas que fariam os textos. A mensagem em tempo real foi mandada principalmente por fotos e vídeos. A reflexão viria a seguir com os textos, compondo com entrevistas e impressões colhidas no chão da avenida. Chegava muito mais gente do que eu tinha imaginado.

Nossa participação nas redes sociais foi expressiva: fomos muito retuitados, compartilhados, curtidos e ganhamos um número significativo de seguidores. Vibramos com a notícia de que tínhamos chegado aos assuntos mais comentados no Twitter no Rio de Janeiro. Descobriríamos mais tarde que também tínhamos sido trend topic em São Paulo.

Mais importante que tudo isso é que mostramos uma manifestação que as pessoas não viram em outros meios de comunicação. Deixamos claro que somos livres e que temos lado. Mostramos que os Jornalistas Livres vieram para ficar.