Pinga fogo no zap…

Por Manoel Ramires, especial para os Jornalistas Livres

Foto: Leandro Taques/Jornalistas Livres

Falta de educação

A direita brasileira, “sabiamente”, já tenta confundir os brasileiros sobre o debate da educação. Contudo, nesta lição, a tarefa é bem mais árdua do que memes e discursos rasos. Precisa ir além do 2 + 2 para tirar um dez. Vai ter que aprender noções de cidadania. E não se enganem, ter educação não significa passar por boas escolas e saber utilizar mesóclise. O sê educado é aquele capaz de entender em que condição se encontra e buscar a transformação sem passar por cima de ninguém. Nisso, tem muito semianalfabeto com PHD em cima de gente letrada.

Um teste para esse conflito tem se percebido nas ocupações de escolas iniciadas no Paraná, mais exatamente em São José dos Pinhais, e se espalhado pelo Brasil. Na pressa em ser contra as mais de 50 ocupações, a direita golpista já assinala a opção “Tudo culpa do PT”. Ela conta com a colaboração da imprensa em editoriais de quinta categoria, incapazes de calcular para além do que determina suas verbas publicitárias. Nesse mesmo sentido, a complexidade da equação sobre o porquê escolas estão sendo ocupadas conta com a colaboração de governantes que já tentam passar a borrachada nos secundaristas. Em especial o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB).

Nessa fórmula Primavera Estudantil 16, ninguém é capaz ainda de determinar como ela nasce, que componentes possui e muito menos qual será seu resultado final. É evidente que partidos de esquerda e movimentos sociais buscam se somar à galera que está fervendo e ocupando (“curioso” como os tucanos e a direita sempre se subtraem em demandas do povo). Contudo, basta acompanhar os grupos de discussão nas redes sociais para perceber que as mais de 4 mil pessoas que participaram do ato em Curitiba pertencem a movimento descentralizado e despartidaizaro. Embora político.

E é esse tipo de redescoberta da política nascida do calor da indignação e sem identificação com sigla ou movimento social estampada no peito dos jovens que tanto assusta aqueles que tomaram o poder. O “inimigo” é difuso, tem espinhas e aparelho na boca. Não pode ser chamado de corrupto petralha. Não pode ser identificado como ameaça comunista bolivariana. Não é o barbudo que ameaça voltar em 2018. É equidistante de todos os rótulos que a direita utilizou para conquistar adeptos. Sobra apenas chamar a meninada de “massa de manobra”. E nada incendia mais a juventude do que não ser levada a sério. Lição que os homens brancos, ricos e velhos não entendem.

Ilustração: Simon Tylor

PEC 241

Nesse fim de semana muito se comemorou o parecer da Procuradoria Geral da República reprovando a PEC 241 que congela recursos federais por 20 anos. Parecer esse que a Câmara dos Deputados deve ignorar, sendo o assunto tratado no Supremo Tribunal Federal. Por outro, nessa questão, o interessante de se notar é que a PGR se preocupou com os recursos congelados do judiciário e do Ministério Público. E se não fosse isso, pouco importaria se a PEC da Maldade acaba com os investimentos da saúde, educação e assistência social. Tanto é que em meio a crise, o judiciário não teve vergonha em receber aumento salarial de 43%. Enfim, quer ser o queridinho da turma.

PEC 241–2

O setor público está sofrendo de bulling governamental. É sempre ele que apanha em momento de crise. Enquanto isso, o “mercado”, o riquinho e bonitinho da sala de aula, pode tudo, como define Jandira Feghali (PcdoB): “Temer resolveu colocar na Constituição limites de recursos para as políticas públicas. Ele tira a constitucionalização da saúde, da educação, retira dinheiro de custeio e investimento, ou seja, as estatais não terão mais investimento, os servidores públicos não terão aumento, as políticas públicas vão minguar e vão ser delegadas para onde este governo quer, que é para o mercado. Ao mesmo tempo, não tem nenhum limite para o capital financeiro e pagamento de juros”.

MP 476

Essa Medida Provisória é a prova da incompetência do governo golpista de Michel Temer. Ela coloca gasolina em assunto — a precarização da educação — que se resolveria com a PEC 241. Mas Temer inventou de acabar com o “interclasse” e com aquela aula legal da professora que ensina a mais valia cantando funk.

Pré-sal

Tirou o doce da criança. Essa é a definição para alteração do regime de partilha da exploração do pré-sal. Na primeira versão, os lucros iriam virar livros, escolas, quadras, computadores, universitários, intelectuais. Agora, sem a obrigatoriedade de destinar recursos, o pré-sal vai equipar de champagne alguma lancha em Ibiza ou Miami.

De sonegadores para lucradores

Sabe aquele lance de perguntar o que vai cair na prova? Pois é, muitas questões relacionadas a sonegação de impostos e lucros em momentos de crise sequer entram na apostila do governo Temer. É como se ignorar que os índios estavam aqui antes dos portugueses chegarem ao Brasil. Ou seja, na crise econômica, ninguém vê o governo falar em aumentar a arrecadação endurecendo com a sonegação fiscal ou recolhendo mais impostos de setores como o dos bancos que já lucraram R$ 30 bilhões em 2016. Essas páginas não estão da cartilha para retomar o crescimento da nação.

ENEM 2017

Proposta de tema para redação: Onde eu estava na Primavera Estudantil de 2016 e por quê…

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