Seja muito mais que um perfil

O que é um perfil pra você? Quantos perfis você checa durante o dia? Que tipo de perfil é você? Quem você procura?

São eles que ocupam a lista de desejos dos pais, currículos sociais, concorridas vagas de emprego, questões de múltipla escolha de uma prova, disfarce dos manequins e o crachá dos uniformes. Para se cadastrar na realidade, é preciso criar um perfil. Vista a sua máscara e tome um comprimido.


Espelho, espelho, meu…

O ingresso para se matricular em qualquer rede social vai além de um sorriso colgate, cabelo rebelde ou exames de proficiência da língua social. Não se trata de ser o melhor ou o pior. Eles querem o seu perfil. Bonitos ou feios, magros ou gordos, grandes ou pequenos, loiros ou negros, homens ou mulheres, descolados ou estranhos, num determinado momento todos nós somos aprovados a entrar nessa fábrica. Todos são aceitos, poucos parecem saber disso. Sabemos que existem muitas diferenças entre cada um de nós, mas é mais fácil acreditar que somos iguais.

Em algum momento da vida, todos nós temos perfis. Fazemos o que fazemos guiados por esses perfis, sejam eles pais, mães, heróis da Marvel, presidentes, líderes, gurus e cantores. Nós gostamos do perfil porque é uma maneira de se identificar com eles. Há contradições entre ser um perfil grande e um grande perfil. Os grandes perfis são homens e mulheres que já se foram ou estão dentro da nossa casa, e são conectados sem redes de internet através de seus gestos que valem por uma eternidade, atravessando centenas de gerações. Os perfis grandes precisam de caracteres e um círculo para contornar. Qualquer um pode ser. Enquanto uma rede durar.


Depois que você digita o login e a senha, é como colocar um óculos 3-D. A imersão é experimental, o efeito e as sensações são reais, mas você é conduzido a se sentir como se estivesse vendo e sentindo a tridimensionalidade das coisas. Toda vez que você entra nessa experiência, volta ao mesmo lugar de onde saiu, um quarto em branco, com paredes que se movem e duas cadeiras, uma para você e outra para a sua imagem. São bolhas de sabão que flutuam até o teto da sua mente e fazem o ruído das notificações boiarem na timeline da sua mente, com a carência de receberem um coraçãozinho, popularmente conhecido na língua das tribos como like. Bem pequeno, contudo, suficiente para atrair quem quer que seja à projetar a auto-estima e o estado da mente. Depois que você concorda com os termos e condições, é mais difícil sair, já que algumas redes simplesmente não são apagadas por uma borracha. Talvez seja necessário formatar o seu disco (interno).

Não há para onde fugir, gostamos de conhecer as pessoas através dos nossos próprios olhos, ler e interpretar de acordo com associações de perfis. Há quem tire o celular do bolso quando uma pessoa vira as costas só para stalkear uma rede social e acertar a mira das nossas convicções. Sempre fomos curiosos para contar as telhas do vizinho e saber o que se passa por trás do muro entre nossas casas, nas redes sociais, somos todos do mesmo condomínios, vizinhos que abrem a porta dos outros e stalkers famintos que devoram o álbum das fotos de família sem a gente saber, alguns vão além e querem saber com quem a gente anda conversando, uma amigável, invasiva e permissiva intromissão na vida pessoal. É frustrante caminhar tantos pixels atrás de alguém, testar nomes e sobrenomes e chegar a recorrer às caixas de pesquisa para dar uma turbinada na busca e não encontrar rastros de quem você procura, não é mesmo? Bem-aventurado o que não tem seus passos revelados.


Desconhecidos da camada de ozônio

Tal como as pessoas que passam por outras no meio da rua e passa despercebida pelos olhos, sem nenhuma interação, o mesmo acontece nos perfis. São como pessoas em branco. Você vê mas não estabelece um contato além do visual. Um perfil em branco sinaliza uma vida que não quer ser publicada, um estranho que não assume sua identidade em público, uma ovelha negra no transporte virtual, aqueles que não querem transmitir uma opinião com a impressão digital, quem é navegante das linhas do google mas não necessariamente comandante, que existe de forma invisível, alguém que simplesmente não quer ser encontrado, descoberto e muito menos seguido.

É estranho quando você está no meio de um diálogo interessante com alguém que você acabou de conhecer e começa a falar sobre as músicas que você gosta, os lugares que mais te inspiraram nas últimas viagens de férias, ou séries e filmes que fazem você chegar em casa e levar um kit de sobrevivência para a cama até chegar o momento certo para perguntar: Você tem Instagram? Se não, pula pra próxima. Whatsapp? Talvez não. Mas você arrisca: Facebook? E se esse não se estendeu até aqui, é hora de confessar que por um instante passa pela sua cabeça que ele/ela não querem ir mais longe que aquela conversa ou, pra variar, essa pessoa vive com a cabeça dentro de um aquário no mundo socialmente conectado. Está ficando cada vez mais raro bater de frente com pessoas que não usam nenhuma rede social, considerando a rápida mudança de gerações o ponto-chave para esse comportamento. Mas gosto e personalidade são fatores que vêm no combo com bebida e batata-frita de qualquer geração, do rock ao touch e, justamente por isso, existem (poucos e aparentemente loucos) jovens que possuem rede social mas não usam.

Quem não divide os filmes de sua câmera com as redes, incendeia muito mais curiosidade. O charme de quem vive em segredo sempre despertou a atenção dos fotógrafos e da mídia, desde a moda antiga. Se o seu artista favorito já te conquista pelas músicas, você sempre quer saber um pouco mais, quem sabe você também possa de alguma forma se sentir mais próximo? Agora se coloca no lugar do seu artista favorito. Se você já é uma figura pública, porque deveria dizer para todos do condomínio social quanto você calça? Ou que tipo de escova de dentes você usa? O que está dentro da geladeira? Não faz sentido. A cobrança e exigência são muito maiores para quem grita seu nome aos quatro ventos. Com o passar do tempo, aqueles que abrem demais a porta para serem ouvidos, verá vizinhos fecharem as janelas quando eles estiverem incomodados com o som alto, pois é, há perfis sem voz mas que gritam demais.


Propaganda e ficção

As indústrias tentam colocar anúncio e propaganda até sedar os olhos e movimentar a direção do sangue e das coisas dentro de nós. As pessoas transformam vidas em folhetos de supermercado. Fazem liquidação de si mesmas e se barateiam. São tantos canais que distorcem a realidade com filtros, impressões e modelos num palco protagonizado por aparências que somos levados pelas correntezas do “faz crer que” é fácil ser como os outros, como recortar, copiar e colar, porém, o que normalmente acontece é que, alguns se acomodam a seguir castelos de areia na praia por muito tempo, até serem levados como boias em alto mar.

Estamos longe de parecer estrelas perfeitas mas mesmo assim a gente quer ver capas e superpoderes. Ou vai dizer que você não julga um instagram por sua torre de followers, seus muros de likes e a foto de um ego no topo do castelo? E pior do que isso é o preconceito de quem não se encaixa na matemática simples do “quem-segue-mais-do-que-é-seguido-jamais-deverá-ser-seguido”. Nós somos treinados para julgar até o dia que recebemos, pela primeira vez, uma rejeição. Depois basta deslizar os dedos, esquecer nossos defeitos de fábrica e brincar de seres perfeitos, como se a gente acabasse de sair de uma embalagem original, com selos de garantia e cheiro de novo.

Existem diferentes tipos de personalidades, mas os perfis se repetem, é o caso do clube das patricinhas que usam Chanel e querem exibir o preço da etiqueta, ou dos músculos sarados que não bastam fazer check-in na academia, mas precisam postar e publicar o pré e pós-treinos, os saudáveis que precisam dizer que é orgânico para a filosofia fazer sentido, o alternativo que tem vários amigos e está frequentando os melhores clubes para dançar pelo menos cinco vezes na semana e quando chegam na ressaca das manhãs de sábado dizem que o descanso é merecido, ou os pais e mães que fazem o uso exagerado das redes sociais para postar fotos com mensagens e frases programadas disponíveis no google mais próximo de você, isso sem contar as correntes e fotos que precisam urgentemente de um tripé para equilibrar — atenção passageiros, as fotos estão passando por turbulências.

No conto de fadas social, você pode ser personagem, observador e personagem-observador. Acredito eu, que existem cinco camadas consistentes que operam juntas como engrenagens para dar a forma do bolo das redes sociais, desta forma elas se diferenciam:

1ª camada (a calda): espectador passivo. Aqueles que literalmente assistem tudo o que é transmitido e não buscam precisão, navegam por navegar, aleatoriamente. Seguem e são seguidos por qualquer perfil.

2ª camada (a massa): espectador ativo. Aqui é onde tem início a interação. São pessoas que navegam por aí mas imprimem alguma opinião, seja através de um like ou comentário. São os fantasmas, a maioria não leva os algorítimos a sério e desperdiça a matemática tentando obter seguidores a qualquer custo. Você já deve ter ouvido falar do “Se eu te seguir você me segue de volta”. Seguem e são seguidos por qualquer perfil.

3ª camada (a cobertura): transmissor. Nesse caso, esses elevam o conteúdo e promovem a visibilidade através do compartilhamento. Eles consomem o produto que usam, as empresas normalmente tentam atrair este tipo de perfil para dar voz a uma marca/ação promocional.

4ª camada (o recheio): Patrocinadores e seguidores de crédito. São eles quem fazem a rede social ser o que é e valorizam a produção de um bom conteúdo através de dinheiro ou simplesmente revisitando os perfis de interesse para saber se já tem post novo nas prateleiras. Eu diria que são os vizinhos de confiança, a qualquer momento podem aparecer com uma surpresa nas mãos. Transformam ideias em dinheiro. Vão atrás de hobbies e áreas de interesse para evitar a poluição visual. Seguem e são seguidos por perfis específicos.

5ª camada (o detalhe decisivo para o toque final): Criadores de conteúdo. É o fantástico mundo da criação. É quem segue o velho “Faça o que você ama e ame o que você faça”. Precisa dizer algo mais? São eles que alimentam o público com conexões. É a cereja do bolo.

Se você for particular (perfil privado), o seu bolo estará em cima da geladeira. Tudo (ou quase tudo) sobre controle. Se você for público (perfil aberto), as fatias do seu bolo vão se espalhar e estarão aonde você menos esperar. Vamos torcer para que você não tenha deixado nenhum farelo comprometedor em cima da mesa.

Os perfis evoluíram rapidamente como uma procissão que começa uma caminhada com poucos pés e vai ganhando adeptos diferentes em cada avenida. É demais para a nossa tela. Praticamente, quase toda a população do mundo já tem um login e uma senha. É a identidade de uma cultura social queestá se formando em frente à tela do computador.

Não é difícil imaginar o que está previsto para acontecer num futuro próximo. Imagina quando pessoas forem barradas por seguranças de entrar num evento por não ter uma quantidade mínima de seguidores para entrar? Ou lugares com vistas panorâmicas em coberturas presidenciais que só podem ser reservados para quem possui um número mínimo de likes? Pior do que isso será quando o currículo começar a exigir esses números como qualificações para ocupar uma vaga de emprego ou adquirir um produto. Isso não está no bloco de notas do impossível.

“Você não sabe quem está do outro lado da câmera“

Uma vez me aconteceu de ir a casa de um amigo que tinha vários seguidores e esse mesmo que para tantos era tido como um ideal numa combinação de sorte, popularidade e um “biólogo” colecionador de espécies no verso de cada nota da carteira, levou sua timeline tão a sério quanto os princípios de um casamento. Chegando lá, fiquei impressionado com a produção de um espaço desenvolvido para convencer a câmera de algo que só ia até metade da parede. Desde iluminação, cores, captura de elementos que davam a ideia de ser uma coisa que ele não era bem como o vento que vinha de um ventilador especial e acessórios que reforçavam o seu dia a dia com uma suposta naturalidade. Ele vivia duas vidas. Da metade das paredes pintadas, ele era alguém que tinha hábitos comuns e uma vida que certamente não estava atrás da capa de um romance, como ele contava.

Na frente das câmeras, ele se escondia, ganhava segurança e auto-confiança, parecia um daqueles garotos populares da escola que a gente gostava de admirar e observar produzindo o cotidiano de maneira tão diferente, tão atitude. Essa apresentação nunca saiu da porta da sua casa. Existem estúdios por aí equipados para embaçar a lente de uma câmera, nos bastidores, a realidade é quem pressiona o flash. E tem gente que vai ainda mais longe, aluga carros luxuosos para parecer milionário, estadias em hotéis cinco estrelas, reserva as melhores cadeiras nos restaurantes mais citados pelas críticas, parcela as roupas de uma marca, bate fotos e atinge os likes certos para pedir estorno.

Você já se levantou da cadeira de um restaurante para passar pouco mais de 30 minutos tentando fotografar um prato porque realmente acreditava na beleza dele e na divina junção de ingredientes ou simplesmente porque queria uma atençãozinha pro seu Ins’tra’gam? As vezes a comida nem desceu pela garganta, mas se desceu na timeline de alguém, já valeu a intenção. E depois que o post finalmente é lançado, o prato esfria como os filtros da VSCO que clareiam as fotos. É isso o que a gente faz, camufla, finge, simula, inventa que as circunstâncias e problemas cotidianos pareçam divertidos, alternativos e fora do comum se ainda assim estiver sem sabor. Como fez um amigo adolescente que contava o troco das moedas do starbucks para registrar o copo da sereia pelo menos uma vez por semana. Nessas horas criamos intimidades e forjamos interesses que acrescentam coisas às cestas de supermercado custando energia e dinheiro, enquanto as inspirações encontradas nas simplicidades das pequenas produções vão por água abaixo. Viramos poetas, cozinheiros, fotógrafos e até citadores nostálgicos de Clarice Lispector.

Dê um zoom no rosto de um ser humano e você verá seus pontos fracos. Perceba que cada foto é um microscópico pedaço, e, que juntas, são um rosto pálido, um perfil do gigante.

Será que já não existe um contorno projetado para encaixar o nosso rosto? Um molde para configurar o que deve preencher esse espaço em branco? Vejo rostos absurdamente iguais, mesmo quando eles deveriam ser por natureza diferentes.

Ter uma carteira cheia de perfis já foi o intuito de muitos que começaram cedo nesses ciclos sociais. Cria a ilusão de estarmos sempre perto, muito próximos, embora os porta-retratos possam dizer outra coisa. E as pessoas caem na armadilha de se cercar de perfis, de todos os tipos, gêneros e dramas. É um grande muro invisível que criamos ao redor de nós mesmos. De 800 amigos na carteira, quantos você ao menos consegue desabafar? Quem é íntimo? Com quem você pode contar quando precisar? E sobre seus segredos, você contaria para a metade? Na vida real, você passa mais tempo sozinho, em silêncio, do que compartilhando. Acredite, durante uma exposição, pode haver casos de desconhecidos que acabam indo parar no meio de seus laços sociais num dia em que você simplesmente aceitou porque pensou: “Que mal há nisso?” e é aí que você dá entretenimento gratuito para alguém, especialmente quando você tira emoções compactas do seu interior e expõe até a forma como você chora. Certamente, você obterá mais pontos de audiência do que o SBT e será concorrente direto de qualquer novela mexicana. Como qualquer outro streaming, você compartilha dados via wi-fi. É o mesmo que dizer: Nós estamos cercados de perfis, mas gravando e revelando nossos hábitos mais estranhos, incluindo o de falar só.

Procure fotografias que incluam você dividindo espaço com mais alguém. Está ficando cada vez mais raro, né? E dividir a mesa para uma refeição? Difícil dizer. Carregar sozinho um porta-retratos nas costas e ser o ângulo principal de uma fotografia do velho formato retangular, cronometra vaidade e faz de nós escravos de uma ilha na cabeceira da cama.

Os closets colocam o seu rosto como máscaras suspensas numa pirâmide de cabides. Com o tempo, as vitrines transformam suas expressões num manequim e a indústria vai parar de financiar suas peças quando você perder a naturalidade porque eles exigem um pacote completo, bonecos vivos.

Não espere ser levado por uma esteira até ser esmagado pelas máquinas, você não deveria ser um produto, mas um estoque com linhas de montagem da sua marca pessoal, qualquer que seja ela. Faça vestirem a sua camisa e falarem o seu nome antes de pronunciar uma rede social. Não transforme a sua vida num mosaico quadrado. Aonde você vai com tantos perfis? Nós já vestimos roupas demais, economize no sabão em pó.

Você checa a timeline com uma frequência muito maior que olhar dentro dos olhos de alguém? Você passa a maior parte do dia deslizando os dedos procurando alguma coisa como um sujeito intransitivo?

Durante as conversas e observações que frequentemente tenho com amigos que publicam o segredo de suas vidas pessoais, noto a influência e a responsabilidade de manter um perfil no ar, novinho em folha. Isso me faz pensar no quanto o ser vive em função de um parecer. PARECER > SER. É muito tempo e energia dispendidos para ganhar a atenção de um público que hoje em dia, com a demanda de perfis transmissores de selfies, acabam promovendo conteúdo aleatoriamente, o que é algo que me incomoda muito à primeira vista, já que não é verdadeiro. Eles entram nos perfis das pessoas e dão um generoso coração sem ao menos perceber os detalhes da foto. Perfis atraem perfis. Pessoas atraem pessoas. Eu gosto de ir além, descobrir a beleza do toque pessoal e o lado humano de cada um, detalhes que não são patrocinados dentro de um círculo tão pequeno ou da superficialidade de uma bio (aqueles caracteres que você pode colocar embaixo da foto para fingir dizer quem você é). Sou capaz de imaginar que a maior parte das pessoas que criam conteúdo, sem discussão de méritos, buscam feedbacks (entende-se por aprovação) para saber acertar o ângulo com mais precisão e atrair milhares de seguidores fiéis, sedentos por novos sabores para experimentar, como uma loja de doces e balas à granel.

Perfil não traz felicidade. Perfil não faz verdade. Perfil só cria imagem, do contrário, contorce. Você é melhor do que isso.

Milhares de pessoas pegam as estradas e buscam na maior parte do tempo um tipo de preenchimento. Elas querem preencher as mãos com sacolas, sentimentos e desejos com produtos, e a pele com camadas de roupa. Sabe quando alguém segura o telefone, avista uma caneta bic por perto e não resiste à tentação de ver uma folha em branco? É isso o que acontece com a nossa realidade. Estamos desesperadamente rabiscados. Deixamos os traços virarem nossa pele ao avesso. A monotonia nada contra os nossos sentidos. A vontade de se expressar é tão grande que somos capazes de cometer loucuras para se sair bem na timeline do vizinho. As pessoas aprovam um rosto engessado com cimento e fazem modificações para viver como pássaros presos dentro de uma gaiola.

Jamais encontraremos um produto nas prateleiras da farmácia chamado “seja você mesmo”, porque estão parando de produzir, a procura é grande, a oferta é pequena, ela está dentro de você, respeite quem você é, veja a cor do seu sangue, tire quantos raios-x forem necessários para ver quem está dentro de um perfil. Você pode ver flores numa timeline? Abandone os cabides, viva os momentos, não esteja segurando uma câmera na maior parte das suas lembranças. Publique a sua naturalidade e você obterá tudo o que precisa para ser feliz, mesmo que isso não signifique tantos likes assim, você ainda -repito e apito- poderá ser feliz. Dê uns dias de folga para sua paz. Tire férias das redes sociais quando precisar. Não existe refund para uma vida em branco. É tudo ou nada. É um perfil ou um rosto humano.

tem que ser alguém
ser você ser pra quem
ser sem ninguém
o que resta é ser você
ser sendo a si mesmo
pra não ser quem vai
deixar de dizer que ser
é esquecer de ser até
se lembrar de ser quem é

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