Platônico

Oyasumi Punpun — Inio Asano

Lembro quando eu sonhava com você e me via sentado ao seu lado. Segurando a sua mão com força, mas sem sentir nada, por não conhecer a sua textura. Apoiado nos seus ombros e tentando decifrar o cheiro do seu cabelo, que eu sempre imaginei, mas nunca senti. Olhando bem no fundo dos seus olhos. Divagando sobre o gosto da sua boca. E ai eu acordava, sabendo que nada era real.

Até o dia que eu consegui concretizar tudo isso.

Agora eu sinto seu cheiro de longe. Se alguém passa com o seu perfume, já sinto o arrepio familiar. Sei exatamente a sensação que é ter seus dedos entre os meus, apertados como eu gosto que eles estejam. Sei como é olhar bem no fundo dos seus olhos. E o gosto da sua boca é o que eu mais anseio durante o meu dia.

Mas mesmo assim, nosso amor nunca deixou de ser platônico. Idealizado.

Nosso amor, por mais concreto que fosse, nunca deixou de ser intocável.

Nosso amor por mais que fosse cheio de defeitos, nunca deixou de ser perfeito. E até onde eu sei, não sei se isso é o problema ou a solução…

Provavelmente deve ser um caminho ou um jogo. Um puzzle. Que de certa forma já temos a solução.

Afinal, você não existe.