Quer um conselho da Laura Chiavone?

JP
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Jan 11, 2017 · 11 min read

#ficaadica da Laura, Professora na Miami Ad School/ESPM

Começa o ano e a gente sempre tem aquele amigo meio sem saber o que fazer, pra onde ir, que rumo tomar na vida. E é aí que achamos nesse texto incrível da Laura Chiavone o empurrão que faltava. Ela passou por grandes agências como AlmapBBDO e Y&R, e seu mais recente trabalho foi liderando a área de planejamento da DM9DDB, de onde saiu há pouco tempo. Além de professora da Miami Ad School/ESPM há 13 anos, Laura é uma entusiasta da diversidade, cultural hacker e um dos grandes nomes do pensamento estratégico no Brasil. E aí, pronto(a) pra mostrar pros amigos (e pra você também) que 2017 tá cheio de possibilidades?

Jovens Planners me pediu pra ser sincera como gestora e ajudar quem tá começando com dicas e minhas expectativas sobre comportamentos, técnicas, leituras e referências. Eu tenho um monte, algumas coisas simples e outras bem cabeludas. Não tô aqui pra passar a mão na cabeça de ninguém ¯\_(ツ)_/¯ Mas cola na minha que é tudo de coração.


Precisamos mais de você do que você imagina.

O trabalho que um assistente e supervisor fazem é a base de toda a estratégia. Se não estiver sólido e bom, nada mais vai estar seguro. Um prédio construído na areia.

Os interessantes têm interesses.

Entenda de Zeitgeist.

O imperdoável.

Enviar e-mail ou trabalho sem fazer uma cuidadosa revisão no texto.

Nunca demonstre saco cheio com o seu corpo.

Dá pra chegar num entendimento? Tomara. Se não der, tenta mais uma vez. É bom ser perseverante, desenvolve a gente. Se assim mesmo não der, parte pra outra. Vai ser bom para ambos os lados.

Faltar ao trabalho por causa da balada da noite anterior ou vir trabalhar com muita ressaca.

O gestor prioriza os mais comprometidos em cenários difíceis porque ele busca sempre quem ele pode contar faça chuva ou faça sol.

Atraso.

Agora, (mais) algumas dicas.

Relacionamento não é palavrão, é obrigação.

Quanto mais o profissional ascende na carreira, maior a responsabilidade dele de relacionar-se com pessoas, de saber vender ideias e de negociar.

Somos um animal social e isso faz parte da nossa organização, das comunidades e, por que não seria assim, das empresas. E está tudo bem. Carla Harris, Vice-Chair do banco Morgan Stanley dos Estados Unidos, disse recentemente na 3% Conference, em NY:

“Na carreira você trabalha com duas moedas: a da performance e a do relacionamento. A da performance é fundamental porque te coloca no shortlist da promoção, e a do relacionamento é a que faz a sua promoção se tornar realidade. Afinal, quem vai advogar em seu favor e colocar a mão no fogo por você se não te conhece?”

Faz sentido, não? Ou seja, a parte técnica será o core do seu trabalho até o nível de gerência, mas a partir daí o core vai ser a sua capacidade de se relacionar bem com as outras pessoas. Uma moeda não vive sem a outra.

Não entenda do negócio, entenda DE negócio.

Hackeie as coisas para o bem.

Depois de aprender, mude tudo. Hackeie, encontre novas saídas e atalhos. Desenvolva um jeito de fazer melhor do que o que você encontrou. Uma tecnologia, um novo processo, um jeito novo de olhar para a mesma coisa.

O uso de uma tecnologia para um fim que ninguém tinha pensando antes. Tem tanto a ser feito com a montanha de ferramentas às quais temos acesso que vale a pena se desafiar a criar algo novo que facilite a vida das pessoas e traga mais aprendizados no ambiente de trabalho ou mesmo para o consumidor. Alguém vai fazer isso. Eu vou adorar se for você ;)

Entenda de números.

O mundo está precisando de tradutores dos dados, de gente que transforme isso em informação, em conhecimento e em tomada de decisão. A gente precisa se jogar e, como planejadores, conhecer e decodificar esse mundão de meu Deus.

Coragem. Os gestores e clientes estão precisando de ajuda, estão sendo cobrados por isso. Tem uma expectativa enorme na nova geração. Leia matérias das revistas AdAge, HBR e Campaign UK sobre big data, strategy e planning. Sai algo novo todo dia. Tem um artigo interessante na Campaign UK chamado “The Rise Of Planning”. Você vai entender do que eu estou falando, especialmente sobre o futuro do planejamento.

Inglês já é pouco.

Você precisa falar outras línguas, porque cada vez mais estamos estreitando relacionamento com pessoas de todas as partes do mundo e, mesmo que seu inglês seja bem bom, o pessoal de Miami vai falar em espanhol com você.

Foi assim que eu decidi falar espanhol: quando cheguei em Miami com uma apresentação em inglês e descobri que eu e meu colega do Brasil éramos os únicos na sala que não falávamos espanhol. Me coloquei a meta de falar em um ano. Foi ótimo. Outro dia até me convidaram pra trabalhar na Espanha, tem reconhecimento melhor? Francês, Alemão, Italiano, Mandarim…

Idiomas são portas para conhecer pessoas e também para universos culturais incríveis, que vão aumentar ainda mais seu repertório e níveis de ‘interessância’.

Pode ser até que você ganhe protagonismo ao cuidar de uma marca por falar uma língua em especial. E isso pode ser uma super chance bacana.

Nunca subestime seu próprio trabalho.

///Na hora de apresentar o resultado de uma sondagem, você começa falando: “A gente falou com algumas pessoas, mas não muitas, nada que dê pra afirmar estatisticamente, só uma sondagem assim, caseira”. Se o que você fez é tão irrelevante na sua própria opinião, porque eu vou levar em consideração? Não fale caseira(o), por favor. Não seria melhor dizer: “Fiz uma pesquisa qualitativa com pessoas do target para buscar algumas hipóteses e descobri isso aqui…”? Não ficou muito melhor? Não é exatamente do mesmo conteúdo que estamos falando, mas usando uma forma bem mais confiante? Em vez de uma quanti ruim, você tem uma quali boa.

///Diminutivos são proibidos. “A gente tava pensando uma coisinha”, “Fiz aqui uma apresentaçãozinha”. Não gente. “Eu pensei numa coisa”, “Eu fiz uma apresentação”. Nunca diminua o seu trabalho, acredite nele. Se você não acreditar, quem vai acreditar não é mesmo? Pode ser que você não tenha a intenção de diminuir quando fala isso. Então, não diminui. :)

///Essa acaba comigo. Quando você está fazendo uma apresentação e de repente começa a pular os slides porque eles não são importantes. “Vou pular esse, isso aqui não importa, vou logo pro final”. Se eles não são importantes, porque estão ali, ora bolas? Foco no que é importante.

Por fim,

Esteja sempre preparado(a) pra sua grande chance.

Você passará a fazer parte das fontes delas. As pessoas vão passar a olhar pra você quando fizerem perguntas. Elas vão procurar você com os olhos. Vão ouvir mais você, porque sabem que você domina o que está falando. Seu chefe vai confiar mais em você. Assim como o cliente vai perceber que você leva o trabalho a sério, e isso tem um valor incrível.

Se for fazer uma apresentação, ensaie. Ensaie em voz alta ao menos 3 vezes. Ensaie para ter certeza que está tudo ali e está tudo no lugar certo. Ensaie para mostrar que você domina o conteúdo. Não esqueça o que contém aquele slide — “O que é mesmo isso, não lembro” não é legal. Descubra quanto tempo você tem para uma apresentação. Quanto tempo o seu chefe tem para aquela conversa. Quanto tempo o seu cliente tem. Se planeje dentro do tempo. De repente alguém te chama pra você explicar uma coisa para um cliente no corredor, para um VP, para o CEO. E aí? Você está pronto? Se isso acontecer amanhã de manhã, você estará pronto? Você tem que estar, cola na minha. Deixei por último porque essa é a dica de ouro, a melhor coisa que eu posso te falar. Se você quiser lembrar só de uma coisa, lembre só disso:

Esteja sempre preparado para a sua grande chance.


por Laura Chiavone: Strategic Thought Leader e professora na Miami Ad School / ESPM.


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