Você não cansou de ouvir as mesmas histórias?

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Feb 26, 2016 · 5 min read

Por Verônica Merege

O meu dia em poucas linhas: converso muito com amigos sobre o futuro, os jobs, os clientes e projetos pessoais. Gosto de ouvir o que eles estão esperando que aconteça na vida deles e o que eles estão fazendo para chegar lá. Mas às vezes bate aquela… bad… porque o que eu considero SUCESSO é um pouco diferente do que tenho ouvido: definitivamente não quero só ser chefe ou ser livre para trabalhar à beira da praia. Não penso só em ser diretora, head ou qualquer coisa em uma empresa global. Lembra daquela comunidade do Orkut: eu não sei o que quero, mas sei que não é isso? É isso.

O que eu quero é ter orgulho do que eu faço.

Quero olhar para um projeto, uma campanha, uma marca, um produto e pensar: eu incentivei alguém a tomar alguma decisão em relação a essa coisa. Sei que esse papo é mais piegas do que o termo “ piegas”, mas eu vejo o planner hoje como alguém que precisa tanto estar envolvido também no tático, no brainstorm, no monitoramento, na ativação e em todas as etapas da campanha que, no final do job, “ter orgulho do que faz” é a mínima moeda de troca.

Eu estava lá, ferrada, cansada, atarefada e comendo muito mais do que eu devia pra lidar com a minha ansiedade. Mas sei que consegui!

Isso é mais que chegar num bom resultado pro cliente (embora essencial!). É mais que um aumento (embora merecido!). É mais que o papo de faça o que você ama e não trabalhzzzzZZzzzz. É a satisfação de que você, em sua mais inquietante incerteza do seu papel na terra (ou na agência), fez valer a pena todos aqueles cursos, aquelas aulas, aquele coaching.

Eu consegui! E não foi fácil não, e não foi sozinha não. Nós conseguimos.

Nós… Quem?

Porque um bom trabalho se faz em equipe, e isso pra mim é inquestionável. E eu espero que você tenha a sorte de encontrar pessoas que não só sejam boas amigas, mas te inspirem a fazer algo melhor da sua vida. E que essas pessoas discutam com você não só sobre o mercado, mas sobre inquietações e frustrações com a sociedade e a nossa cultura. Que essas pessoas te façam pensar sobre as outras pessoas, e questionar nossos papéis nesse mundinho.

Porque quando nos aplicamos a um emprego, escolhemos também as pessoas que se sentarão todos os dias ao nosso lado.

Nesse caso, somos planners e investimos nosso tempo para entender o comportamento de um tipo de consumidor, mas todos somos também colegas de trabalho: vamos ouvir conversas paralelas, vamos conversar miudinho enquanto pegamos um café, vamos beber muito no happy hour, vamos participar de reuniões, vamos almoçar e vamos adicionar o pessoal da empresa no Facebook — e quando menos notarmos estaremos cercados de hábitos, desejos e opiniões dessas pessoas. A empresa que você tinha em mente ganha um novo significado, porque agora o que conta são as atitudes das pessoas que trabalham lá. Então é claro que nossa percepção muda! E só depois de todas essas obrigações sociais é que vem o job.

Mas e quando vier “O” job? Aquele problema que o cliente traz e que dá um frio na espinha — um surto de possibilidades e perguntas que você mal consegue desligar enquanto a reunião ainda está rolando. Aqueeeeele job que é a oportunidade pra tantas coisas que você queria experimentar. Aquela chance, sabe? De brilhar e mostrar o seu valor.

Quando ESSE job chegar você pode até estar preparado (I WAS BORN READY, BABY), mas e os outros? Dá pra confiar que eles também darão o melhor de si? Será que eles se importam?

💔

Afinal… Com o que eles se importam?

O que atrai o funcionário que não se interessa em aprender outros assuntos? O que move o supervisor que não tem paciência pra discutir caminhos criativos? O que seduz o gerente que não se interessa pelo cliente? O que interessa ao diretor que mal conhece a própria equipe?

O lance é: não é o seu job encontrar o que move as outras pessoas a trabalhar melhor, mas é o seu job que está em risco se você não lutar para mantê-las engajadas no projeto. Você sendo junior, pleno ou sênior. Você estando tão cansado de ouvir histórias sobre “estar desmotivado” quanto eu.

Nós podemos aprender a investir energias em soluções ao invés perder tempo alimentando esse problema, procurando outro emprego ou abrindo mão de questionar pra “não gerar discussão”.

Liberte-se do medo do papel de trouxa, miga.

Mandou e-mail e ninguém deu a mínima? Faça um meme. Insista.

Fez apresentação e todo mundo tá no celular? Mande selfie :( pelo Facebook.

No meio da reunião ninguém mais tá prestando atenção? Pregue a palavra.

Ninguém participa do brainstorm? Leve um pote de Nutella e uma Oreo.

Não contratam ninguém pra te ajudar? Peça ajuda à pessoas de outras áreas.

Mandou um link e ninguém abriu? Manda de novo falando que é nude.

Tá tudo dando errado. O que você pode fazer?

Ninguém te ajuda com seu job. O que você pode fazer?
Com quem você pode falar pra fazer ele acontecer?

Corra atrás de quem está disposto a te ajudar.

E esteja disposto a ajudar todos aqueles que você SENTE que também precisam de um help.

Porque… sério… se eu ouvir mais uma vez essa história de se Fulano não faz [insira qualquer função aqui] direito, eu é que não vou fazer………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Sabe aquele papo de que o aluno é que faz a escola? Não dá pra você ser um chefe, head, ou qualquer coisa de um lugar legal se você não conseguir engajar as pessoas para trabalharem com você. Porque juntos vocês entregarão projetos incríveis. E isso sim, pra mim, é sucesso :)


por Verônica Merege: digital strategist. A cada dia tento ver menos séries, descobrir novos filmes e terminar mais livros.

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