Sobre palavras pomposas

Mesmo sendo um texto que envolva videogames de alguma forma, preferi escrever neste espaço pessoal e não no GameBlast, primeiro porque sim e, segundo, porque queria fazer um texto-relâmpago mesmo, daqueles que não se preocupa muito com a redação e só quer jogar um monte de ideia no ar.

Hoje saiu um texto do Affonso Solano (cujo trabalho conheço pouco) falando de Bloodborne no Omelete, um site que recentemente embarcou em formar opinião sobre videogames apresentando conteúdos com os quais dificilmente concordo, em especial pela falta de embasamento dos pontos colocados, equivocados das poucas vezes que tive a oportunidade de ver. Destaco aqui um vídeo do canal deles no YouTube que também movimentou o Twitter com críticas negativas um dia desses.

Meu objetivo aqui não é falar do artigo do Solano ou do vídeo do Omelete, tampouco aquilo que afirmo aqui é exclusivo do portal. Há uma tendência recente a qual estou de olho há algum tempo que, por acaso, apareceu no texto polêmico: a de querer usar os termos game design e level design para dar propriedade a um material sem sequer dizer ao menos brevemente do que se trata o GD/LD daquele jogo. Game design é um conceito que entrou em moda para o público geral há pouco tempo. Eu mesmo sou parte deste grupo: sou engenheiro de computação por formação e prática, e só fui descobrir o que era isso em 2012. Desde então, me informo sobre o assunto tanto quanto sobre minha área de atuação, porque me apaixonei por ele.

Enfim, nesse meio tempo, virou chavão encontrar análises que afirmam que “o game design é ótimo” ou “o level design é bom” e param por aí. Sem explicação alguma, a afirmação possui tanta relevância quanto a frase “o jogo é legal”, ou uma nota. Você deu algum valor para o atributo, mas não explicou nada. Em textos que se propõem a ser analíticos, não houve análise alguma, apenas a aplicação de uma palavra sem significado, mas que soa pomposa. Tipo o comentarista de futebol que fala que o time joga em um 4–2–3–1, mas não explica como o time faz uso de seus jogadores nesta estratégia.

Entendo que há uma ignorância geral sobre o assunto e acho até razoável, dado o pouco tempo no qual o assunto caiu no mainstream e a falta de parâmetros para abordá-lo. Não é o primeiro texto que escrevo sobre a pobreza de argumentos, e senti necessidade de fazê-lo por achar que a frequência da prática é cada vez maior, não vejo ninguém escrevendo sobre o assunto e cada vez mais esta prática me incomoda. Este texto é apenas um desabafo que resolvi tirar do espaço dos chats privados porque acho que pode ser pertinente para mais pessoas.

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