Anton Yelchin — 3 Filmes Importantes

Algo que provavelmente não sabiam sobre Anton Yelchin, o ator de 27 anos que morreu no passado domingo: ele adorava francesinhas.

É verdade. Durante as rodagens de Porto (previamente intitulado Porto, Mon Amour), Yelchin passou um tempo em Portugal, a maior parte do qual a devorar o badalado prato nacional. Gabe Klinger, o realizador do filme, disse que até ao pequeno almoço o ator pedia francesinhas. Chegava ao extremo de comer cinco por dia. Ah pois é. Yelchin não brincava em serviço.

Morreu novo, mas apesar disso deixou-nos uma obra extremamente completa, com papéis do dramático ao cómico, do aterrorizado ao apaixonado. Yelchin não fazia caso a género, saltava entre o terror e o romântico como quem troca de meias de manhã. Cinéfilo assumido, o ator gostava de experimentar um pouco de tudo; e parecia sempre sentir-se em casa independentemente do papel.

Aqui ficam três filmes que definiram a sua carreira.

ALPHA DOG (2006)

Em Alpha Dog, Yelchin interpreta Zack Mazursky, um abastado adolescente que é raptado (sem saber bem como) pelos seus colegas criminosos, à procura de fortuna.

Se há algo que salva Alpha Dog da monotonia desinspirada, é a performance quase ingénua de Anton Yelchin. Na altura com uns meros 17 anos, o ator capturou a jovialidade de um rapaz na corda bamba do crime com uma especificidade incrível. No meio de Justin Timberlakes e Emile Hirsches, Yelchin deixou uma marca indelével num filme onde podia facilmente passar despercebido.

LIKE CRAZY (2011)

Poucos são os atores que se podem gabar de protagonizar o par romântico de Jennifer Lawrence mais que uma vez (quem está na imagem acima é Felicity Jones, a próxima heroína de Star Wars); Yelchin é um deles.

Em Like Crazy, Anna (Jones), uma aluna britânica, apaixona-se por Jacob (Yelchin), apenas para se separar dele ao lhe ser barrada a entrada nos Estados Unidos. Os dois tentam uma relação a longa-distância, descobrindo da pior maneira as dificuldades em mantê-la.

Ao contrário da química eletrizante que Lawrence partilha com Bradley Cooper, o romance entre a personagem da atriz e Jacob é mais contida, quase hypersensível. Mesmo com Jones, Yelchin demonstra ser um ator de emoções fortes mas sóbrias, reprimindo o melodrama exagerado que chega demasiado facilmente a alguns dos seus contemporâneos mais conhecidos. Charmoso mas distinto, Jacob é uma personagem redonda num filme que prontamente se entrega a clichés quadrados, e talvez por isso se torna tão especial.

GREEN ROOM (2015)

Na verdade, é complicado arranjarem uma cópia de Green Room para visionamento caseiro: o filme ainda não saiu em home media. Apesar disso, já estreou por cá no MOTELx do ano passado, com a fúria e estrondo de um thriller macabro sem igual.

Yelchin protagoniza Pat, membro da banda punk “The Ain’t Rights” que, sem querer, antagonizam um grupo violento de neo-nazis. Encurralados no bar onde tocavam um concerto, a banda entra num jogo do gato e do rato com os skinheads, ziguezagueando por entre balas e machetes.

Green Room não é o primeiro filme com conotações de terror em que Yelchin participou: o remake de Fright Night (2011) detém esse título, seguindo-se o altamente original Only Lovers Left Alive (2013), e então a comédia mais recente de Joe Dante, Burying the Ex (2014) — podem saltar este último. Mesmo assim, é em Green Room que o ator encontra o balanço ideal entre o estóico e o quirky que sempre o definiram, encabeçando sem medo um filme em que Patrick Stewart (PATRICK STEWART!!!) é o principal vilão.

A interpretação de Yelchin em Green Room é tão forte que adivinhava novos extremos para a carreira do jovem adulto. Infelizmente, como a vida é madrasta, acaba por ser o seu último papel no cinema. Quem dera a muitos poder dizer isso.

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