Galhofa da boa, em Legends of Tomorrow

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Se os filmes da Marvel se caracterizam pelo tom leve e divertido, e os filmes da DC pelo aborrecimento ultra-sério e pseudo-introspetivo, então o que acontece nas séries televisivas das duas competidoras é precisamente o contrário.

Agents of SHIELD tem o seu quê de humor, mas não vai além de tentar dar um spin super-heróico aos assassínios e traições inerentes ao jogo de espiões que tenta dramatizar, com sucesso duvidoso. A série não é propriamente divertida; as suas personagens é que têm o seu quê de piada, graças às suas personalidades bem definidas (ainda que subexploradas).

Daredevil então, estica os limites do que é aceitável em termos de brutalidade visual e temática no pequeno ecrã, com a recém-estreada Jessica Jones a levar os termos dramáticos metros à frente com a sua exploração intrincada de stress pós-traumático e violação (tanto física quanto mental). Kilgrave é um vilão amoral como nunca vimos no universo Marvel, e a extensão do seu abuso produz um programa pesado e adulto muito diferente do estilo carefree do seu parente universo cinemático.

Por outro lado, temos as séries de televisão da DC (*), como Arrow, The Flash e Supergirl. Apesar de Arrow ter começado como uma extensão da trilogia do Batman do Christopher Nolan, tem agora uma recém-descoberta paixão pelo misticismo do seu material de origem, abraçando sem remorso os vilões over-the-top e as circunstâncias absurdas que muitas vezes se dão na banda desenhada (como quando o protagonista dispara uma flecha que é uma luva de boxe). Do mesmo modo, The Flash e Supergirl aproveitam o humor das suas personagens para humanizar o mundo absolutamente bonkers de que fazem parte. Homens nucleares, tubarões antropomórficos, gorilas que falam!

(*) Não conto Gotham porque 1) não sigo a série assiduamente, 2) do que vi, achei que o estilo Zack Snyder da coisa é extremamente mal aproveitado, tornando-se numa confusão tonal sem precedentes, quase que como uma paródia de si mesma.

Tudo isto porque foi revelado o primeiro trailer (em baixo) para Legends of Tomorrow, a terceira série da DC no canal CW americano. A colossal team-up, sem precedentes no pequeno ecrã, promete ser das primeiras adaptações cinemáticas/televisivas a fazer jus aos quadradinhos que a inspiraram, tendo o entretenimento non-stop da audiência como objetivo primordial.

Não há cá a ultrapassada necessidade de transformar as personagens e narrativas em aberrações “sérias” para garantir um público, como que insulto ao espetador comum. Não; Legends of Tomorrow, com as suas viagens temporais (1975 e 2166!) e 9 superheróis (!!), parece ser o derradeiro testamento à originalidade e inventividade humana que tanto inspirou as melhores histórias de banda-desenhada de sempre.

Venha ela, porque de heróis de testa franzida já estou eu farto.

https://www.youtube.com/watch?v=T2mRVXYCS-0