Um morto muito louco

Tem gente pagando pra morrer em pé.


Parece mentira, mas em New Orleans a onda agora é velar o morto como se ele ainda estivesse…VIVO! Se a falecida gostava de beber sua cervejinha e ficar fumando o seu cigarrinho mentolado todo dia sentada ali naquela mesa, porque não despedir-se dela do o jeito que ela gostava de viver?

A Charbonnet Family Services, uma empresa com 132 anos especializada em serviços funerários, já recebeu encomendas parecidas até vindas da Austrália.

Tudo começou em Porto Rico em 2008, no velório de Angel Luis Pantojas. Conhecido como o morto-em-pé. O sucesso foi tanto, que logo apareceram outras produções funerárias inusitadas: de velório de motoboy em sua moto, a defunto vestido de Che Guevara. Teve ainda quem quis repousar em sua cadeira de balanço e até mesmo dentro de um ringue de boxe. A busca pela diferenciação no mercado funerário já havia me chamado a atenção no cortejo do músico Chorão, realizado em Santos, onde você pode transformar até as suas cinzas em diamante.

Em New Orleans, o primeiro velório desse tipo ocorreu a pedido do músico Lionel Batiste, que não queria que as pessoas olhassem pra baixo ao vê-lo no caixão. A solução encontrada foi ‘expô-lo’ em pé, apoiado em sua bengala.

A cultura negra, do blues e das tradições protestantes, já promovem funerais que mais parecem coquetéis, retratados inclusive em muitos filmes. E traçando um paralelo, acredito que uma celebração equivalente a essa, herdada dos escravos da Africa Ocidental e Central, também se deu por aqui. São os chamados gurufins. Uma palavra que adoro pelo seu som ao mesmo tempo alegre e melancólico, como um surdo de Escola de Samba.

Cortejos fúnebres como do Paulo da Portela,Di Cavalcanti, Glauber Rocha e da Clara Nunes, estavam muito mais para gurufins do que para enterros, pois transformaram a tristeza do momento, em uma ode a vida e a obra destes ilustres personagens, ao arrastar multidões pelas ruas com seus cânticos.

Gurufim da cantora Clara Nunes em 1983 na Quadra da Portela em Madureira, que reuniu fiéis do samba, do candomblé e da umbanda cantando seus sambas junto a preces.

O último gurufim de que se tem notícia foi o do puxador/cantor da Mangueira, Jamelão. Onde os convidados bebiam e cantavam as obras que se tornaram famosas na sua voz, capitaneada pela Velha Guarda das inúmeras escolas de samba presente que fartavam-se de bebidas enquanto reverenciavam a memória e encomendavam o corpo do ilustre companheiro de Avenida.

Ou seja, tem evento pra tudo!

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