Passos Práticos Que Homens Podem Tomar para Apoiar o Feminismo

por V Moschetta

No coração da ThoughtWorks existe uma missão ambiciosa: ser uma agente pró-ativa de mudança progressiva no mundo. Conscientes de nosso próprio privilégio, nos esforçamos para ver o mundo a partir da perspectiva das pessoas oprimidas, impotentes e invisíveis.

Esse tipo de pensamento constitui um dos três pilares de nossa organização. E é uma das razões pelas quais pessoas criativas, corajosas e cheias de paixão juntam-se a nós, e por que agentes de mudança com visão de futuro de organizações ao redor de todo o mundo escolhem trabalhar conosco.

Você é sexista… mas pode mudar!

Sim, mesmo sem ter intenção, mesmo sem perceber, mesmo com a maior boa vontade do mundo, você provavelmente é um pouco sexista às vezes.

A maioria de nós — homens e mulheres — faz muitas coisas em sua vida diária que direta ou indiretamente contribuem para uma cultura da desigualdade de gênero. A boa notícia é que a culpa não é (só) sua… Uma consequência de viver em uma sociedade patriarcal é que nós não somos incentivados a pensar sobre como nossos hábitos e atitudes podem prejudicar as mulheres.

Esta foi minha maneira de introduzir uma iniciativa de nosso grupo de Justiça de Gênero para compartilhar 35 Passos Práticos Que Homens Podem Tomar para Apoiar o Feminismo.

Esta lista, compilada pela autora do xoJane, Pamela Clark, e publicada pela primeira vez em PamelaClark.tumblr.com, foi concebida para que homens pensem mais conscientemente e pessoalmente sobre os efeitos diretos e indiretos que têm sobre as mulheres, e pensem mais sobre como podem contribuir para o feminismo através de práticas cotidianas.

A campanha foi muito simples. Traduzimos a lista de inglês para português e criamos cartazes com cada um dos passos sugeridos. Então, colocamos um cartaz por dia em uma parede de destaque em nossos escritórios de Porto Alegre e de Belo Horizonte. Dessa forma, demos oportunidade a pessoas que trabalham em nossos escritórios e visitantes de aprender mais sobre feminismo e sobre como os homens podem apoiar as mulheres.

Eis o que aconteceu:

Organizando um mural colaborativo e visível

Assim que começamos a exibir a lista, as pessoas passaram a adicionar post-its nos cartazes com comentários e perguntas. Todo dia encontrávamos pessoas agrupadas em frente ao espaço discutindo a lista. Encorajamos todas elas a adicionar mais post-its e então organizamos um debate para discutir os tópicos.

Fazendo as pessoas conversarem

Muitas perguntas foram levantadas e respondidas.

Por exemplo, quando as pessoas ficaram confusas com o que “espaço” significava no quarto item da lista, anotações foram colocadas explicando que mulheres podem se sentir intimidadas pela simples presença de um homem desconhecido em uma área pública, e como essa sensação pode ser diminuída oferecendo algum tipo de distanciamento físico.

Pudemos então analisar modos empíricos de fazer do feminismo e da luta pela igualdade de gêneros uma parte maior de nossas vidas diárias.

Se você olhar atentamente para as fotos, poderá ver um post-it mencionando onde se pode conseguir a vacina para o HPV de graça. Um segundo post-it nos lembra que devemos nos esforçar para encontrar mulheres para nos mentorar no processo de desenvolvimento de nossas carreiras.

Discussões ricas e ótima troca entre colegas se estenderam para fora da ThoughtWorks, durante happy-hours e até mesmo durante reuniões de família e amigos.

A designer Letícia, do escritório de Porto Alegre, ressaltou: “Estes cartazes facilitaram muitas discussões importantes. Nós já usamos cartazes em outras iniciativas, mas acredito que esta foi a que teve maior impacto até agora. Pessoas leram as dicas com cuidado, e toda hora uma nova nota aparecia. E não foi somente com ThoughtWorkers, mas também com pessoas convidadas e clientes que vieram nos visitar. Foi ótimo ver como os post-its começaram aparecendo devagar, mas logo tomaram conta de todo o mural.

“Esta iniciativa me fez refletir mais sobre quando, por que e como eu devo agir”, disse José Alberto, que é desenvolvedor em Porto Alegre. “Muitos dos pontos que foram discutidos existem em nosso dia-a-dia em (às vezes não tão) pequenas doses e são enraizados em nossa cultura patriarcal. Então é fácil deixá-los passar despercebidos. Cada novo comentário adicionado no mural foi como um despertar.

Lisiane, analista de negócios do escritório de Belo Horizonte, sentiu-se desafiada pela lista. “Eu fiquei surpresa ao ver que muitos dos passos também diziam respeito a mim! Eles me fizeram pensar em incontáveis situações em que senti que se esperava que as mulheres fossem subservientes aos homens, e isso me forçou a pensar em como eu posso fazer a diferença. Agora me sinto mais segura sobre o que feminismo significa e entendo as pequenas coisas que podemos fazer para promover mudanças.”

Mantendo a conversa viva

Iremos manter iniciativas como essa para nos desafiar e encontrar outras maneiras de gerar mudanças positivas.

Também devemos continuar com a pergunta — podemos fazer mais? Devemos esperar mais de nós mesmos e da indústria?

Nós sabemos que a resposta para essas questões é “sim”. É possível tornar este mundo melhor para as pessoas oprimidas, impotentes einvisíveis, um passo de cada vez.


Post publicado originalmente em www.thoughtworks.com