Just Bahia: Península do Maraú

Raquel Cordeiro
Jan 5 · 8 min read

Decidimos passar o Ano Novo na Península do Maraú. Se você não sabe onde fica, vai aqui uma pequena situada: pegamos um avião até Salvador e dormimos no The Hostel Salvador. Pela manhã, pegamos uma barca para Ilha de Itaparica (1 hora de viagem), um ônibus para Camamu (+ 4 horas) e, finalmente, uma lancha rápida para Barra Grande (+ 30min). Foi cansativo, mas nem se compara com a nossa volta (quando fizemos tudo num mesmo dia e demoramos 18 horas para ir da Bahia ao Rio.

Ficamos hospedados na Pousada Casa Praia, praticamente recém-inaugurada. Por isso, tivemos algum problema para encontrá-la, pois não conseguíamos localizá-la no Google maps. Quando parávamos para pedir informação, ninguém parecia conhecer o estabelecimento. Situação agravada pelo forte calor e pelo fato de estarmos carregando malas pesadas num chão de areia, o que tornava inúteis as rodinhas das bagagens.

Pousada Casa Praia com um bar na praia

Mas enfim chegamos na nossa pousada. O lugar era muito charmoso, simples, mas com um jardim agradável, parquinho para crianças, uma ducha forte para quando voltávamos da praia, e até equipamentos de crossfit, que, claro, não usamos. O quarto era pequeno e com uma janela mínima, mas nossos anfitriões eram bastante simpáticos. Nossa estadia contava com um portão — do Bar da Praia — que dava direto na areia, o que compensava as exíguas proporções de nossa habitação. Mesmo sendo uma pousada na frente do mar, o caminho entre os quartos e a areia da praia, com 200m de área verde, era preservado e sem construção; infelizmente, isso não era um padrão na cidade.

A praia de Barra Grande é imensa e, apesar da cidade ter bastante opções de comércio, ainda preserva um charme do interior. Ela oferece opções para todos os gostos: há aqueles pontos mais isolados e, portanto, com menos gente; há o point da moda; restaurantes populares e metidos a besta; forró arrasta-pé e festas de música eletrônica. Ficamos hospedados mais afastados do centro, e tínhamos que fazer uma pequena caminhada para ir jantar nos restaurantes, mas a praia era mais deserta e silenciosa.

A Ponta do Mutá parece ser o local preferido para assistir ao pôr do sol. Não conseguimos entender a razão, pois a vista pode ser apreciada num dos muitos pontos da extensão da orla. Ali, no Mutá, fica, predominantemente, um povo que curte muvuca e música ruim. Decididamente, não é pra nós.

Em Barra Grande, a ideia é acordar, tomar o café da manhã e ir pra praia, seja ela qual for. Há vários passeios na península, sejam eles de barco ou de jardineira (caminhonetes com bancos na traseira). Entretanto, cabe destacar que fizemos um passeio com este último meio de transporte e nos arrependemos. O pacote incluía uma visita ao Farol do Morro de Taipu, passando pela Trilha das Bromélias, parando para um refresco na Lagoa do Cassange (ou na Praia do Cassange, não recomendada) e na Lagoa Azul. A jardineira era bastante desconfortável, e as atrações do passeio não tinham nada demais. Além disso, passamos muito tempo no carro e pouco tempo nas atrações.

Farol do Morro de Taipu e Trilha das Bromélias
Lagoa Azul e do Cassange

Outro passeio possível era alugar um triciclo; porém, como fomos no Revéillon, os preços triplicaram, ficando simplesmente impeditivos para o nosso orçamento.

Revezávamos nossos dias entre a praia em frente à pousada e a Praia dos Três Coqueiros. Essa última era nossa preferida, ficava mais vazia do que a do centro, tinha menos corais, ondinhas, três restaurantes e várias sombras de coqueiro.

O Bar da Rô, em Maraú, nos foi bastante recomendado. Ele fica entre o rio e o mar, lugar perfeito para ver o pôr do sol. Por ter um deque voltado para o rio, se você não quiser pagar o preço salgado das comidas, pode ficar só pela areia que já vale o passeio.

Ficamos com medo de fazer um passeio de barco devido ao bate-estaca musical sertanejo, mas munidos de coragem resolvemos arriscar. O passeio por cinco ilhas custa R$ 50, e a primeira parada é na Ilha da Pedra Furada. Depois, segue até a praia da Ilha do Goio, onde você pode entrar numa fila enorme e pagar 3 reais para tirar uma foto num balanço pendurado na árvore. A última parada antes de voltar pra Barra Grande é a Ilha de Campinho. No final, valeu muito a pena: as praias são lindas e demos sorte pois nosso barco tinha uma música agradável. Quando o barco parava nas ilhas, caminhávamos um pouquinho e já tínhamos uma praia deserta, silenciosa, só nossa. Recomendamos: comer um acarajé em uma canoa ambulante dentro da água da Ilha do Goio.

Outro destino muito procurado na Península do Maraú é Taipu de Fora, com suas famosas piscinas naturais. É preciso conferir a maré para se programar, pois elas só se formam na maré baixa. A jardineira de Barra Grande para Taipu custa R$ 15 e tem opções o dia todo, sendo superacessível para quem está hospedado em Barra Grande. Ainda que desconfortável, a travessia não é tão longa quanto aquela do passeio anterior, e dá pra fazer tranquilamente.

Heliporto do Neymar e Jardineira dos mortais
Piscinas naturais de Taipu de Fora e Caravela

Vale a pena alugar um snorkel e ver a vida marinha das piscinas naturais; tem tanto peixe que até no raso, sem máscara, já é possível encontrar cardumes supercoloridos. Mergulhamos nos corais e vimos muitos peixes, lulas e caravelas, uma água-viva linda mais perigosa.

Em Taipu almoçamos por duas vezes no restaurante Maria Bonita, no qual recomendamos a moqueca de caju para os vegetarianos. A gastronomia é outro ponto alto na Península do Maraú, e se pode encontrar de tudo. Sempre damos preferência às comidas típicas da região, por isso abusamos dos frutos do mar diariamente. Alguns de nossos quitutes preferidos foram a moqueca de catado, a velha casquinha de caranguejo e uma surpresa que nos foi oferecida quando descansávamos debaixo de uma palmeira: cocada na folha de bananeira, uma iguaria feita com coco, abacaxi e cacau que vinha numa trouxinha. De lamber os dedos. Na praia, bebíamos sempre água de coco e caipirinha de frutas típicas da região, como biribiri e seriguela.

Caipirinhas de frutas regionais, moqueca de catado e casquinha de caranguejo
Moqueca de caju e cocada na folha de bananeira

Fato curioso é que, desavisados que somos, achamos que estávamos indo pro fim do mundo quando, na verdade, Barra Grande estava superbombada (já há alguns anos, segundo nos informaram depois). Tinha uma festa de Revéillon chamada Mil Sorrisos, que durava vários dias e trazia muitos turistas para a região. Para piorar, Neymar e Gabriel Medina estavam entre nós, o que proporcionou diversos momentos bizarros e patéticos de gente correndo, fazendo fila e se amontoando para ver o helicóptero (e heliporto) do Neymar, que se hospedava na casa de Duda Mendonça. Casa esta que deveria ser demolida, visto que sua construção se deu em área de proteção ambiental.

Passamos a virada do ano na praia, obviamente, já que essas festas fechadas não são o nosso estilo. E o melhor de tudo era que podíamos escolher entre ficar na muvuca ou mais afastados, curtindo a música ou evitando-a. Ambulantes forneciam o álcool e só tivemos que comprar no mercado o espumante.

No fim, deu tudo certo. Apesar de ir para um destino bombado, conseguimos curtir praias desertas em pleno feriado do Revéillon.


Onde ficamos:

(Clicando nos links você faz a sua reserva e ainda contribui com o Just Journeys)

The Hostel Salvador

Pousada Casa Praia

JustJourneys

Experiências de um casal brasileiro viajando pelo mundo

Raquel Cordeiro

Written by

UX Designer & Researcher

JustJourneys

Experiências de um casal brasileiro viajando pelo mundo

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade