Just Grécia: Atenas

Daniel Levi
May 6 · 11 min read

Ficamos hospedados no bairro de Victoria, a poucos metros de uma estação do metrô, o melhor meio de transporte. Rápido e eficiente, te permite usar o mesmo bilhete em até 90 minutos, e há estações no porto de Piraeus (de onde partem os barcos para as ilhas) e no aeroporto, além de algumas das principais atrações da cidade denominarem as estações, como Acrópole, Monastiraki e Syntagma.

Circular por Atenas foi bastante fácil. Nossa localização central permitia cômodo acesso a todas as atrações e lugares; a pé, inclusive. O que era mais distante às vezes nos obrigava a pedir um Uber, mas isso foi raro. Nem sempre caminhamos dessa vez, pois fazia muito calor. Geralmente pegávamos o metrô até a praça Monastiraki e depois fazíamos o resto a pé. A facilidade proporcionada pelo transporte público fazia com que nossas caminhadas, mesmo no calor, fossem agradáveis o suficiente para apreciar Atenas.

Assolada pela grave crise econômica, com aumento da pobreza nos últimos anos, muitas são as partes degradadas da cidade. A combinação de decadência com suas famosas atrações milenares (templos e ruínas) acentua ainda mais uma peculiar sensação de estranhamento no tempo. Essa mistura urbana, dura e engessada, alimentada por grafites, pixações e escombros, é constantemente quebrada e amenizada pela leveza da multicolorida presença das flores e plantas, com seus canteiros e varandas.

Ficamos clientes de uma cafeteria perto de casa, em frente à estação do metrô, e sempre garantíamos nosso brew of the day pra viagem antes de começar a trabalhar. Outro campeão era o expresso freddo, opção refrescante no calor de Atenas. Havia um mercado colado ao nosso apartamento, o que tornou nossas refeições mais baratas e fartas.

Logo abaixo, quase em frente à nossa portaria, tinha um café simpático (Match Point) com um atendente nada simpático. Sempre que nos atendia ele fazia questão de dizer que não havia comida. Já no restaurante Ama-Laxei, estabelecimento agradável no alto do morro em Exárchia, pudemos comer massa com lula ao redor de muito verde e amenizar o calor com uma cerveja Corfu Large. Sim, também enchemos a barriga de bastante iogurte grego durante nossa estadia, dentre otras cositas.

O único ponto destoante é que nosso bairro tinha muitos junkies, e às vezes rolava uma sensação de insegurança, com gente deitada na entrada do prédio, te forçando a desviar para poder subir. Entretanto, conversando com os locais, notamos que o bairro tinha má fama devido à grande presença de imigrantes e não necessariamente por seus índices de violência. A rejeição era mais baseada em preconceito do que em estatísticas. Ainda que fosse estritamente necessário ficar de olhos abertos, principalmente em celulares e malas, aparentemente muito visados na região. Certamente vimos movimentações estranhas, mas não chegamos a presenciar nenhum assalto ou algo do tipo. O saldo acabou sendo bastante positivo, ninguém nos abordou ou importunou.

Além da óbvia aula de História ao vivo, que te espanca a todo momento, Atenas foi fundamental para nos movimentarmos pela Grécia. Com “escalas” prolongadas nas ilhas de Milos, Koufonisia e Hydra, aproveitamos para descansar, utilizando nosso tempo disponível (algo em torno de 15 dias) para conhecer a cidade com calma. De preferência, naqueles horários mais vazios e mais frescos.

Por isso, pegamos o metrô cedo pela manhã e saltamos na estação Acrópole, a atração principal da cidade. Compramos o pacote dos templos por 30 euros e um período de 5 dias. O Museu da Acrópole não está incluso, e são mais 5 euros (dica: comece pelo último andar e assista aos vídeos antes de subir para a Acrópole propriamente dita). Como estava relativamente cedo, conseguimos subir ainda com a brisa da manhã.

Do alto da Acrópole, além da vista para a cidade, se pode apreciar o Teatro de Odeon (que ainda abriga concertos e apresentações, sobretudo no verão) e o Teatro de Dionísio (mais antigo teatro do mundo, fundado no fim do século VI a.C.), ambos na encosta.

Para assistir ao pôr do sol a dica é o Monte Lykabettus, a 280 metros de altura. Tente garantir um bom lugar no Pátio da Igreja de Agios Georgios ou no terraço do restaurante, pois há sempre o risco de ficar de pé — e sem enxergar — devido à lotação. Há duas opções de subida até o Monte: pelas escadas ou de “bondinho” (7,5 euros). Subimos de bondinho sem pensar duas vezes.

Na Antiga Ágora de Atenas, região bastante arborizada, encontramos o Templo de Hefesto e o portão de Atena, ainda preservado. Vale a pena conhecer a Praça Monastiraki (outra estação do metrô), visitar a Biblioteca de Adriano (de 132–134 a.C.), e o mercado de pulgas. Tenha paciência para caminhar e — quem sabe? — garimpar pepitas escondidas entre as centenas de tendinhas que, lado a lado, parecem se estender por quilômetros de um infinito corredor. Há vários restaurantes por ali, mas optamos por caminhar até os bairros de Thission e Psiri para uma cerveja e uma torrada com queijo, gergelim e mel no Liosporos Jazz Café-Bar.

Mais adiante, na estação de metrô Syntagma, fica a Rua Ermou e suas dezenas de lojas (Zara, Sephora, H&M etc.). Famosa por ser local de manifestações e protestos (alguns históricos e violentos), a Praça Syntagma é também conhecida por sediar o Parlamento Grego, onde vimos a bela e curiosa cerimônia da troca de guarda. Perto dali — sim, tudo está a uma caminhada de distância — ficam o Jardim Nacional, o Arco de Adriano e as colunas do Templo de Zeus. Tudo imperdível, obras cujas grandiosidade e imponência te atingem como um tapa na cara.

Praça Syntagma
Parlamento Grego
Jardim Nacional
Arco de Adriano
Templo de Zeus

No bairro de Plaka há vários bares, restaurantes, lojas, ruas coloridas, becos labirínticos, escadarias, casarões neoclássicos, tavernas tradicionais e cafés. O bairro Kolonaki é outro cheio de árvores e charme, com movimentada atividade gastronômica, além de lojas, museus e galerias.

Se você chegou até aqui e tem mais dias em Atenas pode conhecer atrações alternativas aos tradicionais pontos turísticos:

Stavros Niarchos Foundation: centro cultural enorme, cuja área gigantesca abriga campos, parques, gramados, ciclovias, com apresentações ao vivo, exposições, aulas de ioga, vela e muito mais. Passamos uma tarde inteira aqui, com direito a pôr do sol, caminhada pelo “campo”, bênção do ar condicionado da livraria, comidinhas variadas, um cachorro fofo que tinha medo de descer escada, contemplação do horizonte e um cantor de churrascaria que assassinava clássicos do rock mundial diante de uma plateia desinteressada. Confira o site para saber a programação do dia;

Cinema Open Air: famosos cinemas ao ar livre que funcionam no verão. Conhecemos o Cine Paris, com vista para a Acrópole, e fomos no Athens Open Air Film Festival para uma inesquecível sessão de “Senhor das Moscas”;

Kerameikos: além do sítio arqueológico incluso no pacote dos templos, o bairro tem vários restaurantes e grafites. Uma atração interessante é a Technopolis, antiga fábrica transformada em centro cultural, com eventos de música, dança, teatro, arte performática, programas educacionais pra crianças, empreendedores e exibições temporárias. Confira o site para saber a programação.

Dica extra: anualmente rola a August Full Moon Festival, única noite em que vários lugares históricos, sítios arqueológicos e museus têm entrada gratuita e horário estendido. Os destaques incluem apresentações musicais no Acropolis Museum, shows em Elefsina, exibições no Archaeological Museum of Athens e no palco ao ar livre de Filopappou Hill. A Acrópole fica ainda mais linda sob a lua cheia e é um paraíso para os amantes de fotografia noturna. O festival acontece sempre após a primeira quinzena de agosto, por volta do dia 20. Infelizmente só soubemos disso quando vimos a lua cheia e um morador local comentou que era o dia do festival. Mas já era tarde…

PS: Agradecimento especial (mais uma vez) a nossos anfitriões, Elisa e Rodrigo. Obrigado por tudo. Amamos vocês.

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Experiências de um casal brasileiro viajando pelo mundo

Daniel Levi

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