Just Grécia: Koufonisia

Daniel Levi
May 10 · 9 min read

icamos sabendo de Koufonisia por nossa amiga Hilda, que ficou tão apaixonada pelo lugar que guardou seu nome durante meses, desejando que sua divulgação nunca ocorresse, em prol de sua preservação. Agradecemos sua confiança e seguimos sua dica inclusive na hora da hospedagem: ficamos no Koufonisia Hotel, que dava um desconto especial a quem reservasse pelo seu site. O café da manhã era divo: podíamos escolher, entre outras opções menos cotadas, waffle com chocolate e frutas, omelete com cogumelos, variados salgadinhos e, claro, o indispensável iogurte grego. Com a palavra, Hilda: “Eu ia dormir pensando em acordar só por causa do café da manhã.” Te entendemos, miga.

Quanto ao hotel em si, havia uma extensa e agradável área com piscina (praticamente não usada por nós), música ambiente, guarda-sóis e espreguiçadeiras. Estávamos numa localização central, e os atendentes eram simpáticos e atenciosos. Acabamos por fazer ali várias das nossas refeições (sim, não só o café da manhã como também almoços e jantares), e ficamos íntimos do povo da cozinha.

Koufonisia é uma ilha pequena que, com 250 habitantes, menos de 4km de costa e 26km², ainda guarda todo o clima de uma vila de pescadores. A simplicidade, a simpatia, a calma, o sossego: tudo que a gente queria. Nossa rotina consistia em acordar cedo, tomar café da manhã, passar protetor solar, pegar o celular com GPS ativado, canga, Kindle, cartão de crédito e sair caminhando pela ilha, pulando de praia em praia exatamente no momento em que desse na telha. Uma outra opção sempre válida é alugar uma bicicleta, que foi o que fizemos no dia mais quente para chegarmos em Pori, a praia mais distante. Há também passeios de barco com paradas nas praias de Finikas, Italida e Pori.

Há duas ilhas principais: Pano Koufonisia (onde estão os hotéis, pousadas e restaurantes) e Kato Koufonisia, mais deserta. Recomendamos o passeio de barco para Kato: tem vários horários, custa 5 euros ida e volta, e dura o dia inteiro. O barco para em 3 lugares, mas nossa dica é descer somente na última parada, na Praia de Nero, e depois voltar a pé, cruzando toda a ilha até a primeira parada do barco, Panagia, para então voltar para Pano.

Quando chegar em Nero, não fique desanimado: essa é a praia mais “feia” (muitas aspas), mas muitos turistas ficam só nela. Suba a trilha e vire à esquerda, até chegar na sensacional Pezoulia Beach. A caminhada pode ser cansativa, não está no Google maps e muita gente desiste, o que é bom e ruim. Desde quando chegamos em Pezoulia até o momento em que fomos embora só havíamos nós e um casal (que chegou num veleiro particular). Depois seguimos em direção à praia de Panagia: o caminho é aberto, sem sombra, pelo alto. Mas a vista deslumbrante compensa tudo.

Pezoulia Beach

Num trecho da trilha nos deparamos com um agressivo e impeditivo arame farpado. Ficamos sem saber como prosseguir, pois o Google maps mostrava que o caminho continuava mas a cerca nos impedia. Mais tarde percebemos que ela servia para não deixar os bodes passarem. Cuidado: há muitos bodes no caminho.

Não sabíamos se eles eram mansos ou se poderiam nos atacar, então foram muitos os momentos de tensão em que fomos cercados por bodes com sinos chacoalhando no pescoço. Depois de tentarmos pular o arame farpado, além de subir e descer o morro tentando achar um buraco na cerca, chegamos finalmente no que parecia um beco sem saída: um barranco que dava na praia. Apiedados de nós, os poucos privilegiados lá de baixo nos apontaram um portão (que já havíamos tentado abrir, na verdade, porém sem convicção). Agora convictos, pudemos abrir, entrar, descer e relaxar na Detis Beach, uma praia linda, com pouquíssimo movimento.

No fim do dia voltamos para Panagia. Cansados e com fome, aproveitamos para comer na única taverna da ilha, Venetsanos, um restaurante tradicional grego peculiar, com decoração exótica e bandeira do Che Guevara.

Como Koufonisia ainda não é tão conhecida (pelo menos, não como Mykonos e Santorini), há sempre lugar nas praias; talvez, não necessariamente debaixo de uma sombra, mas espaço haverá. Há muitos nudistas também: não em todas as praias, mas sim em pontos específicos. Ainda assim, não se espante se alguém ao seu lado começar a tirar a roupa: morde, não.

Em relação ao mar em si, fica bastante fácil e confortável generalizar: todas as praias de Koufonisia têm água cristalina, entre o verde-esmeralda e o azul-turquesa, temperatura agradável e poucas ondas. Ou seja, dá pra viver e morrer em Koufonisia tranquilamente, com prazer.

Praias: a primeira que vimos, logo na descida do hotel, foi a Ammos Beach, a mais próxima do porto e do centro de Chora (onde ficam as pousadas e lojinhas). Ali já ficamos impressionados com a cor e a transparência da água do mar. Algumas praias são bastante próximas umas das outras, como Fanos e Platia Pounda (ou Italida), belíssimas, mas ambas sem estrutura ou sombra, e Finikas, onde comemos e bebemos na taverna de mesmo nome.

Pori é a maior praia, a mais famosa e a mais distante do porto. Uma ideia é ir de barco até lá e voltar os 3,5km até o centro caminhando ou de bicicleta, como nós fizemos (7 euros a diária). Mas, atenção: em trechos com areia é necessário empurrar a bicicleta. E são muitos trechos.

Fomos pela estrada, por dentro da ilha, mas a pouca areia era compensada pela grande quantidade de subidas. Por isso, voltamos costeando as praias e parando para dar alguns mergulhos. A praia de Xylompatis Caves é ideal para nadar e mergulhar. Já que estamos aqui, não deixe de dar um mergulho na piscina natural entre Platia Pounda e Pori, chamada The Eye of the Devil (O olho do Diabo). O nome pode assustar, mas não se preocupe: havia um monte de crianças nadando.

Algumas opções de restaurantes em Pano Koufonisia:

  • para comer o tradicional Gyros, Fos Fanari: simples, bem central, com opções de lanches e refeições;
  • para peixes e frutos do mar, Melissa Chora: em Chora, centrinho que concentra vários restaurantes e lojinhas, com ruas estreitas e fechadas para carros. Sempre vale a pena pedir vinho grego: o quarto do litro custa 2 euros, sendo mais barato que refrigerante;
  • para um drink ao pôr do sol, Sorokos bar: barzinho descolado, de frente pro mar, com esteiras nas pedras para beber e comer durante o entardecer (mureta da Urca feelings);
  • para um jantar romântico, Karnagio: depois do porto, em localização privilegiada, com mesas e cadeiras à beira-mar. Num caminho estreito iluminado por velas, cada mesa é colocada de acordo com os clientes que chegam, formando uma fila comprida ao longo da orla. Os frutos do mar são assados na churrasqueira, na hora. Já nas águas cristalinas, ao lado e abaixo, cardumes esperam pelo pão de nosso couvert.

Onde ficamos:

Koufonisia Hotel & Resort

Site: https://www.hotelkoufonisia.gr/

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Experiências de um casal brasileiro viajando pelo mundo

Daniel Levi

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