Usando metodologia ágil na vida — PARTE I: como e porque eu decidi usá-la.

Hey kids!

Não sei bem quando vou terminar este post, mas tô começando ele do domingão mesmo (03/12/17–19:18 hehe). Antes de irmos ao que interessa (como estou usando metodologia ágil na vida), quero contar a vocês o que me levou até o momento que estou agora… e é disso que o post vai falar. É longo então pega um café/chá/água (como diria a Louie Ponto) e …

Senta que lá vem história

O que me trouxe até aqui ?— um super resumo da minha trajetória:

Muito bem… na verdade uma série de fatores me trouxeram para o momento no qual estou agora (inclusive essa série de fatores estão me levando a escrever este post). Eu vou tentar resumir porque a história é longa e tem uma série de desvios. Talvez se eu listar fique mais fácil, deixa eu ver:

  1. Entrei numa faculdade de processamento de dados quando na verdade queria fazer física. Nunca tive lá muuuuuita habilidade com computadores — até porque entrei na faculdade numa época que os PCs não tinham preços suuuper populares, e a internet a gente usava na madrugada para pagar só um pulso do telefone — RYSOS.
  2. Na faculdade, a única linguagem que acabei de fato aprendendo foi o cobol. A grade do meu curso estava super desatualizada, e muita coisa que na época estava começando a popularizar eu mal ouvi falar no curso (estamos falando dos anos de 2002 a 2006).
  3. Com o cobol, arrumei um trampo em sampa (eu morava na baixada santista), trabalhei em 3 empresas diferentes (sendo que continuo na última das 3 empresas onde trabalhei na vida RYSOS), e sempre acabava enviesando meus esforços mais para as questões funcionais do que para as técnicas — veja bem, não é uma coisa ruim, mas isso me levou ao momento no qual eu me encontro agora.
  4. Em 2010, cansada e confusa com o rumo da minha carreira mas sem grana para fazer uma pós, decidi voltar a fazer cursinho (fiz 2 anos). Enxerguei a possibilidade de fazer um curso de licenciatura e dar aula, mesmo que como uma segunda profissão.
  5. Em meados de 2012 entrei no curso de licenciatura do IFSP. Fiz um semestre de curso, felizona, achando que eu finalmente estava fazendo o curso que queria… eu praticamente já me via dando aula. Fiz vários planos, pensei em projetos, procurei cursinhos voluntários para buscar assim que meus conhecimentos em física estivessem bons para compartilhar com outros (RYSOS). Porém logo depois fui promovida e me cobrei de dar um jeito de fazer uma pós-graduação. Ou seja, larguei a faculdade na metade do segundo semestre.
  6. Trabalhei 10 anos com cobol até que, há 3 anos, fui parar numa equipe cujo processo de desenvolvimento ocorre em hadoop, desenbocando em um banco de dados relacional rodando no UNIX. Ou seja, NADA a ver com o que eu conhecia tecnicamente.
  7. Há 2 anos mais ou menos minha equipe foi parar em uma área que trabalha com sistemas distribuídos, web, mobile, devops, jenkins, node.js, json e mais um monte de siglas que para mim eram praticamente outro idioma (algumas ainda são — RYSOS).
  8. Durante o período da pós, entre 2013 e 2016, tentei estudar outras linguagens e tecnologias mais modernas por conta. (Uma observação: Me frustrei um pouco com o curso por não oferecer aulas práticas e tal — acho que minha ideia de pós era um pouco diferente da que o curso me deu).
  9. Este ano, 2017, comecei o ano com uma lista de cursos relacionados à big data para fazer — entre cursos pagos (udemy) e free (bigdatauniversity). Não terminei nenhum. Por impulso fiz o bootcamp de back-end da Mastertech e foi a escolha MAIS CORRETA QUE FIZ ESSE ANO!

Ok, muita informação e confusa mas se eu for contar na linha do tempo tudo bonitinho é melhor eu escrever um livro logo. Enfim… antes de continuarmos, tem algumas informações que vocês precisam saber sobre mim para entender porque essa experiência está sendo tão diferente / desafiadora para a minha pessoinha:

  • Eu sou uma “acumuladora” de livros / revistas / cursos online. Calma, eu aposto que quando você leu a palavra “acumuladora” você pensou nisso aqui:
Gente, calma, quando eu disse acúmulo de livros / revistas, NÃO CHEGA NEM PERTO DISSO AQUI, OK? Foi mais uma hipérbole, não pirem por favor! RYSOS

Explico melhor: com o cursinho, os antigos projetos educacionais engavetados e as tentativas de aprender tecnologias “novas” por conta, acabei juntando uma série de materiais e me inscrevendo em muitos cursos que sequer cheguei a começar.

  • Sou uma pessoa desorganizada. Novamente, não estamos falando de um caso de acumuladores compulsivos tá? RYSOS.
  • Sou preguiçosa (sem comentários — RYSOS).
  • Sou indisciplinada.
  • Tenho (no caso agora, tinha) muitas roupas, sapatos, livros e revistas (tantos que não cabiam em um guarda-roupas só — sim, eu guardo meus livros no guarda-roupas porque não tenho estante).

Agora podemos continuar…

Como eu cheguei, especificamente, a decidir fazer uma mudança na minha vida?

Bom, bateu uma deprê quando voltei de férias. Sabe quando você cansa de conviver, no trabalho, com algumas coisas que você não pode mudar? Isso me deu uma puta depressão. Fiquei mal mesmo, bem pra baixo, me sentindo sem rumo e sem forças pra nada. Eis que um dia eu comecei a pensar na vida e em todas as coisas que eu estava fazendo errado. Fiz uma lista e colei na janela:

Aqui eu já tinha mudado minha escrivaninha mini (que não é mais mini) de quarto :)

Aí uma das minhas queixas em relação a mim é justamente que eu tenho coisas demais né. Só não tô conseguindo lembrar quando dei o primeiro passo…

Pensando agora com meus botões, pode ter sido num dia que eu tinha que arrumar o guarda-roupa, coisa que eu odeio — RYSOS.

Foi um lance bem louco porque, eu mudei para a casa onde estou agora há um ano. Os quartos aqui são bem pequenos e como eu tinha coisas demais, acabava sempre ocupando um quarto e meio. Então comecei meio que a bater um papo comigo mesma:

Pô Mi, se você sonha em um dia, no futuro, arrumar um trampo no exterior e mudar para lá — de preferência para a Itália (eu falo italiano — ALÔ ALÔ RECRUTADORES TÔ NA PISTA — RYSOS), você precisa diminuir a quantidade de coisas que você tem!

E não é que eu estava certa? Eu tô sempre pesquisando (só por mera curiosidade) quanto custa um aluguel de AP na Itália, e nunca sai por menos de 500 euros, na média de 35 m2. Ou seja, eu me toquei que precisava dar uma enxugada nas minhas coisas ou viverei em uma bagunça sem fim.

Antes que você se pergunte, sim, eu já estou considerando que meu projeto de vida será bem sucedido e que em no máximo 5 anos eu estarei morando fora, trabalhando com tecnologia e passando vários perrengues — que provavelmente registrarei aqui RYSOS.

Pois bem. Comecei organizando meu guarda-roupa. Separei dúzias de roupas e sapatos para doação. Dei uma força para a minha mãe. Aí há umas duas semanas eu estava no quarto onde eu estudava — e onde ficava a maior parte das minhas coisas, e comecei a organizar a minha lista de conhecimentos (os que eu quero adquirir e tudo mais). Cheguei a uma lista de 16 missões e uma série de passos para alcançá-las:

Esse é meu kanban, to usando o kanbanflow e tô gostandinho dele :)

Nesse momento eu estruturei meu projeto de vida, mas não coloquei muito os ‘porquês’, só coloquei que eu queria e ponto.

As informações abaixo vão se repetir no próximo post, mas faz parte do que estou falando aqui.

Quando eu estava usando o kanbanflow para documentar as coisas que eu queria fazer, pensei:

Eu podia usar metodologia ágil pra acompanhar esse troço né?

Oras, porque não? Eu poderia até aprender alguma coisa diferente com isso! Então já comecei a pensar em como seriam meus sprints, como seriam as demos, como eu priorizaria as atividades e já fiquei toda elétrica. Manja o Chaves fazendo “Zaz”?

“Aí eu priorizo as atividades, e acompanho, e faço o sprint, e penso numa demo, e zaz”

Claro que meu primeiro sprint não foi como eu gostaria e é neste momento aqui que voltamos para minha transformação pessoal.

Qual foi o ponto crítico?

Até a semana passada eu não estava encarando esse novo planejamento como uma mudança de vida e de rumos e sim como mais uma tentativa de me planejar e de ser menos indisciplinada (e terminar as coisas que começo, só pra variar um pouco). Eis então que na semana passada eu estava arrumando as roupas limpas no meu guarda-roupas (que ficava no quarto ao lado), e trazendo algumas coisas para o meu quarto (que tem o guarda-roupas que estava totalmente tomado por livros e revistas e sapatos, e umas roupas que doamos, e mais um mini guarda-roupa xexelento com roupas de cama, toalhas, cobertores e afins — leia-se por afins, coisas desorganizadas que sempre deixávamos para arrumar depois). Entre as idas entre os dois quartos algo começou a me incomodar:

Porque tem tanta roupa nessa casa? E porque tenho que usar dois guarda-roupas? E porque esse guarda-roupa xexelento tá aqui?

E sem mais nem menos comecei a tirar os resquícios de roupas e sapatos do guarda-roupas maior, os livros, as revistas e colocar tudo em cima da minha cama. E aí as coisas começaram a ficar tensas. Então você pode estar pensando:

Tensas? Oi? A menina endoidou de vez, coitada…

Calma! Novamente, explico… Eu comentei acima eu sempre quis lecionar e sempre quis fazer faculdade de física, mas acabei desistindo pela pós-graduação — porque achei que ela seria mais importante para meu futuro, já que as contas de casa são total responsabilidade minha — Então olhar para meus livros de física e para os livros didáticos — os quais eu usaria um dia para lecionar — foi bem difícil. Mas mais difícil ainda foi aceitar que meus projetos de lecionar física jamais sairiam do plano das ideias. Neste momento, você pode estar pensando:

Nossa Mi, mas quem disse que você nunca mais vai poder voltar, vc tá sendo pessim…

Antes que você complete a frase, pequeno gafanhoto, eu explico: Mudar de equipe há 3 anos me fez perceber o quanto eu precisava correr atrás de conhecimentos novos, desenvolver skills e estudar novas tecnologias. E sim, estou atrasada, mas tamo aí na luta. Quem trabalha com TI sabe que a gente nunca para de estudar. Além disso, outras ideias de lecionar (mas dessa vez, tecnologia) surgiram e talvez apareçam outras oportunidades de colocar minha habilidade de ensinar em prática. Então eu olhei para meus livros e me despedi. Mas foi um momento tenso porque me senti culpada por nunca ter me disciplinado a fazer as coisas. Eis mais ou menos o que estava passando pela minha cabeça:

Porra Mi, você tem coisas de 2011/2012 aqui. O que vocês fez da sua vida? Você não fez nada! Você não faz nada! Sua preguiçosa! Sua inútil! Você nunca termina nada! Você nunca sai do lugar, puta que pariu, blablablabla…

Ou seja, fiquei me sentindo a pessoa mais incompetente do planeta. Sim, eu fiz muitas coisas, óbvio. Mas também deixei de fazer muitas coisas (seja por indisciplina, preguiça, falta de foco, etc etc etc). Então fiquei mal mesmo, péssima! Mas continuei porque né, depois de arrancar metade do guarda-roupa e separar as coisas que ficaram e as que se foram, eu tinha que fazer com o todo né? E foi o que eu fiz…

Separei muitas apostilas para doação, livros, revistas, joguei muuuuuuuuita coisa fora (coisas bobas, da adolescência e tals), separei roupas, sapatos para doar, sapatos para vender. Enfim… fiz a limpa. Tanto que consegui trazer a maior parte das minhas coisas para o quarto onde eu durmo (já não era sem tempo né?)

ALELUIA!!

Então comecei a mirar o guarda-roupa capenga. Sim, ele, que ocupava o espaço que poderia ter uma mesa para eu estudar e me concentrar. Tive um surto de fúria e comecei a desocupar o bicho:

Eu fiquei mais ou menos que nem esse carinha aí do gif — RYSOS

Eis que neste momento você pode estar se perguntando:

Nossa Mi, mas porque a fúria? Credo!

Porque eu percebi que continuava muito longe do meu objetivo de conseguir me organizar em um espaço “pequeno”, e isso é essencial para eu poder futuramente me mudar. Então desocupei, joguei mais coisas fora, doei outras, desmontei a caralha toda, quase travei minha coluna algumas vezes — RYSOS — e consegui deixar o quarto habitável. Mas eu ainda não estava satisfeita:

Eu ainda preciso de um espaço para estudar, e preciso tirar o resquício de livros que tenho no outro quarto, ahhhhhhhh!!! …

Então pegamos a mesa improvisada que ficava no quintal (uma porta, dois cavaletes devidamente pintados coloridos e fofos) e coloquei no quarto. E finalmente consegui deixá-lo 70% como eu queria.

E o que isso tudo tem a ver com usar metodologia ágil na vida??

Imagino que agora, você, pobre criatura que está lendo este post, pode estar pensando:

Legal Mi… você escreveu pra caralho, falou um monte de coisas sobre você que eu sinceramente não queria saber, e ainda tô tentando entender o que isso tem a ver com a tal metodologia ágil na vida…

Muito bem, você lembra que eu falei que há duas semanas tinha feito um planejamento até de sprint? (que esqueci de falar, mas duram duas semanas tá?). Pois é. A questão é que NADA do que eu fiz nos últimos 10 dias mais ou menos tinham relação com as minhas missões (que até ontem eram 15, e não 16, ato falho). Então comecei a pensar nos últimos dias:

Porra, eu fiz coisa pra kct nesses dias, não posso considerar esse trabalho todo como perdido? Eu me esforcei, saí da minha zona de conforto — literalmente — fiz coisas que vão me ajudar a ser uma pessoa mais organizada, mais regrada… não é justo eu dar esse “sprint” como perdido…

Então percebi que havia cometido um erro grave, e de “principiante”. Em algum momento eu listei porque aquelas 15 missões eram tão importantes para mim? NÃÃÃO! Pois é. Ser uma pessoa organizada e não ter tanta tranqueira é uma das coisas mais importantes para mim, e isso não apareceu na minha lista de missões e nem em nenhum lugar! Então ontem, enquanto eu anotava algumas coisas para colocar no post (PARTE II), eu criei mais uma missão, uma das mais importantes: Ter organização pessoal em casa, e consumo mais responsável. Fiz uma “retrospectiva”, criei um objetivo (que foi devidamente alcançado), coloquei na coluna “DONE” e priorizei as atividades para o sprint que começa amanhã (huehuehue).

Quanto ao meu quarto, ainda não tá assim “noooossa, mas que quarto arrumado você tem”. Digamos que tá uma bagunça organizada. Tudo que eu preciso para minhas atividades tá na mão, e ele vai melhorar com o passar dos sprints pois eu já tenho 2 “entregas” que me possibilitam viver muito bem nele HAAHAHHAAH.

Bão… Já são mais de duas horas escrevendo então o post onde eu explico como tô usando a metodologia vai ficar para fazer durante a semana hihihih (mas vou priorizar tá? hahahhahaha). Nele, vou explicar o que é o SCRUM (para quem não conhece começar a conhecer um pouquinho), e como estou, de fato, fazendo uso dela na minha vida pessoal.

E vamo que vamo!

Arrivederci!

Mi

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.