O primeiro.

Tenho uma péssima memória, mas vou tentar escrever aqui para me lembrar onde os problemas começaram e onde tudo terminou em mim.

Vou começar da parte que me lembro:

Dos meus 13 aos 15 anos eu já tinha uma péssima visão de mim mesma, mas tantas pessoas se “impressionavam” e diziam como eu era bonita que às vezes eu acreditava, mas era só as vezes.

Os caras mais bonitos do colégio queriam ficar comigo, eu era divertida, razoavelmente inteligente e tentava me dar bem com a maior parte da turma.

Meus 15 anos chegaram, comecei a sair com as minhas amigas, no mesmo ano comecei a me interessar mais em shows, em música num geral. Ao invés de ir às festas que minhas amigas iam, eu ia assistir shows de rock. Comecei a me vestir diferente, me sentir diferente, na época o que passava na minha cabeça era que eu estava evoluindo, me descobrindo.

Conheci meu primeiro namorado, não lembro por qual razão ele apareceu no meu MSN, começamos a conversar e com o tempo descobri que ele tocava em uma banda, na época a underground mais famosa de Porto Alegre. Mas eu não ligava pra isso.

Eu tinha um namorico e por isso me afastei do dito cujo que seria o meu primeiro namorado.

Aos poucos ele foi me conquistando, eu parei de ficar com o rapaz que ficava, mas o combinado com o João (vou chamar o primeiro ex de João) era que a partir do momento que ficássemos pela primeira vez, estaríamos namorando. Ele realmente gostava muito de mim, ou eu achava que sim.

Nessa época e por alguns anos da minha vida eu chegava em qualquer lugar e escolhia com quem eu queria ficar, só precisava olhar e o cara se interessava e se aproximava. De alguma maneira eu chamava atenção.

Voltando ao namoro, eu tinha 15 anos, ele tinha 22 e era músico de uma banda famosa. Ele sempre foi introspectivo, totalmente diferente de mim. Ele dificilmente queria sair pra jantar com nossos amigos, eu sempre queria, mas isso não era um problema pra nós.

Eu não lembro de ser uma mulher ciumenta até a primeira traição, e adivinhem. Ela chegou no primeiro namoro, no primeiro homem que realmente me apaixonei, o primeiro homem que morei junto, que fiz sexo, que abri minha vida. Eu jamais havia tido um relacionamento e jamais cogitei traições ou mentiras, eu não era assim. Eu sempre era a super sincera, até demais, até incomodava.

Ele viajava muito com a banda, eu ainda estava na escola. Comecei a me transformar em outra pessoa. Engordei, muito, tipo de não me reconhecer no espelho. Sempre tive problemas de aceitação do meu corpo mas essa época na minha cabeça ele era o único que podia me amar naquele corpo que eu tinha naquela hora, como se tudo se resumisse a isso.

Então eu aceitei, aceitei toda mentira olhada nos olhos, toda dor, todos os problemas psiquiátricos e psicológicos que esse murro na minha confiança gerou.

Quando descobri tudo (e sim, foi bem difícil descobrir tudo porque ele nunca falava a verdade), namorávamos há uns 6 meses. Por mais uns 6 meses aguentei. As brigas diárias, a desconfiança, comecei a me tornar doente, neurótica. Eu olhava a conta do telefone (foi uma das coisas que descobri que ele me traía), eu olhava o celular, eu cuidava o tempo que ele demorava para chegar de um lugar pro outro.

Ele dizia que queria casar comigo e realmente por muito tempo me senti culpada por ter terminado. Eu pensava “o que eu fiz de errado? Pq ele foi procurar outra pessoa?” O que eu não tinha?

Erro numero 1, que aprendi quase 15 anos depois: a culpa não é de quem foi enganado. Nunca.